Se vocês acham que piloto sofre com a ANAC, vejam como uma escola de aviação é tratada pela agência

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Não é segredo para ninguém a minha admiração pela EFAI (escola de pilotagem de helicópteros de BH), e pela a pessoa do Cmte. Bosco, seu sócio-diretor: basta ver quem é a única empresa do segmento de instrução aeronáutica que patrocina este blog (vide banner ali ao lado). Tal respeito e admiração tiveram início em um evento que aconteceu há pouco mais de dois anos, quando o Cmte. Bosco sofreu um acidente num voo de instrução, e eu noticiei o fato aqui no blog. Logo em seguida, fiquei sabendo da atitude tomada pela escola em relação ao acidente, que publicou uma nota de esclarecimento como nunca antes vira – vide “A dignidade da nota da EFAI sobre o acidente com o Esquilo da escola” (leiam também o comentário do Cmte. Bosco no post). Foi quando eu percebi que estava frente a um profissional diferenciado da aviação, um sujeito realmente comprometido com a formação aeronáutica do Brasil, percepção que só se confirmou desde então. Quem conhece o Cmte Bosco sabe do que estou falando, e quem ainda não conhece, acho que já deu para sacar quem ele é… Então, prossigamos.

Esta introdução se faz necessária para que o leitor saiba quem é o autor do texto do qual reproduzo um trecho a seguir – trata-se de uma resposta do Cmte. Bosco a um questionamento que lhe foi feito em um fórum de discussão de asa rotativa. Nele, o diretor da EFAI revela o calvário por que passa junto à ANAC para que a escola possa trabalhar regularmente, e eu achei que o que ele escreveu seria de interesse para quem quer saber mais sobre a maneira estúpida como a ANAC tem gerido a aviação brasileira (em especial a atividade de instrução). Em seguida, comento. (Obs.: o nome da pessoa a quem o Bosco responde em seu texto foi trocado – trata-se da única alteração ao texto original).

(…) O Fulano de Tal mencionou a necessidade de obter a habilitação de tipo em BH06 Long Ranger e me procurou para verificar a possibilidade de a EFAI realizar o treinamento.
Informei a ele que a EFAI tem o 206 na especificação de treinamento, mas que está impedida de realizá-lo porque as autoridades de plantão interpretam que o CTAC somente pode realizar treinamento em simulador “E” em aeronave próprios. Vale ressaltar que, desde a criação da primeira versão do então RBHA 142 em 2002 sempre foi possível (e acredito que é o mais lógico!) fazer o treinamento na aeronave do cliente e sempre fizemos assim. Agora não pode mais. Pode ser que daqui a pouco volte a poder e quem gastou dinheiro ou se endividou que se dane! Parece que ninguém parou para pensar em quanto custaria um treinamento se o CTAC tiver de possuir em seu acervo uma aeronave e/ou simulador de cada tipo que pretender oferecer treinamento.
Desconheço se existe em algum lugar do planeta um simulador da classe adequada para o BH06. No portal da ANAC não consta que alguém tenha pedido e obtido a certificação de um dispositivo desse tipo. Mas é tudo tão simples! Por que o Bosco não vai ali no Carrefour ou no Extra e compra um Long para ele dar treinamento? Ainda mais agora que a ANAC disse que é obrigatório… Só que nunca gostei de nada obrigatório! Nunca pedi para criarem reserva de mercado para mim nem para ninguém. Se vislumbro uma oportunidade, me endivido (não tenho capital próprio) e assumo os riscos. Nunca acreditei nos “obrigatórios” da ANAC. Hoje é, amanhã não é mais.
Foi assim quando criei o Treinamento de Emergências no Esquilo. Até hoje não tive coragem de me aventurar no Colibri, Long, 407, Koala e outros helicópteros de sucesso que temos por aí porque não acredito qua haja mercado para pagar o investimento.
Agora, a questão se a EFAI pode ou não continuar a dar treinamento no NO ESQUILO é uma outra história! Aqui, temos um POUCO de desinformação de muitos e MUITO de desonestidade de poucos ou de uma pessoa só talvez. Mas não vale a pena perder tempo com esse tipo de coisa!
A EFAI possui um Esquilo registrado como PRI (acho um absurdo, mas não vem ao caso!). Como ele está na Escola (141), se alguém tiver dúvida se pode ou não, basta pesquisar no seguinte endereço (a ANAC diz que pode) http://www2.anac.gov.br/educator/cursos.asp?CNPJ=03.622.266/0001-64 (este endereço substitui o endereço antes mencionado [http://www2.anac.gov.br/educator/Index2.aspx] e é específico para quem quiser pesquisar a EFAI) e vai verificar que a EFAI tem, na ESCOLA, os cursos TEÓRICO e PRÁTICO de AS350. O programa de treinamento da EFAI para a obtenção da habilitação de tipo na aeronave inclui os procedimentos normais e de emergência como, aliás, deveria valer para todo o mundo e é assim que se faz nas boas escolas aqui e no resto do mundo. Mas tem gente que não pousa sem motor, com pane de rotor de cauda, etc. e por isso precisa inventar histórias.
Esse nome de Treinamento de Procedimentos de Emergência foi criado para abranger os pilotos que, tendo feito o treinamento incompleto em algum lugar, pudessem complementá-lo conosco. Quem faz a habilitação de tipo na EFAI, faz o treinamento completo que já o inclui.
Agora, uma curiosidade para fechar a situação que vive a nossa aviação civil: A EFAI tem também um AGUSTA 109 registrado no RAB como PRI (acho um absurdo, mas não vem ao caso!), tendo a própria EFAI como operadora. Só que ele está no 141. Para incluí-lo no 142 estamos trabalhando há um tempinho (não tem nem dois anos), mas é um probleminha aqui, outro ali e o resultado prático é que não podemos trabalhar o Agusta no CTAC. Alguém poderia dizer: mas esse Bosco é muito chato, não? Acontece que na nova regra, Escolas não podem trabalhar com multimotores… Não é interessante?
RESUMINDO: A EFAI CONTINUA FUNCIONANDO NORMALMENTE NOS QUE DIZ RESPEITO AOS CURSOS DO RBHA 141, INCLUINDO O TREINAMENTO DE PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA COM OU SEM A HABILITAÇÃO DE TIPO NO ESQUILO, APESAR DE O CTAC EFAI ESTAR PROVISORIAMENTE INATIVO.
(…)
Comento
Ficou confuso? Calma, leitor, não é culpa sua! O problema é que a ANAC criou um emaranhado de regulamentos, de interpretações, de “reinvenções de roda”, que ninguém mais se entende… Nem eles! Com esse cipoal regulamentar confuso e mutante, como a ANAC espera que os empresários do segmento de instrução tenham segurança jurídica para investir?
A EFAI é, com certeza, uma das escolas que mais investe em treinamento de pilotos no Brasil. É a única que tem um Agusta-109 no acervo, como o Bosco diz acima – o modelo de helicóptero multimotor mais numeroso na aviação executiva do Brasil. E, justamente por isso, o equipamento mais afetado pelas novas regras para hab.TIPO na asa rotativa, pois requer CTAC – e a única instituição homologada está na Itália, e dedica 50% de seu tempo ao treinamento militar (os outros 50% treina os civis de todo o planeta). Boa parte das reclamações dos pilotos de helicóptero quanto à EMD004 recai sobre a necessidade de ir ao CTAC italiano para obter ou revalidar a hab.TIPO ao Agusta-109.
Dito isto, eu pergunto: não era para a ANAC ir para BH e ajudar a EFAI a oferecer o treinamento do A-109 o quanto antes? Pôxa, fazendo isso, ela resolveria grande parte do problema (que ela mesma criou, por sinal), e arrefeceria os ânimos na ‘pilotosfera’. Mas, não, ela faz exatamente o contrário: cria o máximo de empecilhos burocráticos ao oferecimento deste treinamento em solo brasileiro… Entenderam onde quero chegar?
Não se trata de questionar a importância das alterações no regulamento para a segurança, mas sim de implementá-las de maneira coordenada com a realidade brasileira. Se a ANAC quer incentivar o treinamento em CTAC, por que não ajudar as escolas a montarem seus CTACs no Brasil? Simplesmente vomitar regras e depois lavar as mãos, deixando que cada um se vire como der, não é atitude de um órgão de Estado comprometido com a aviação.

17 comments

  1. Junior
    3 anos ago

    Anac, mais uma herança do PT ! PRECISA FALAR MAIS ALGUMA COISA!

  2. Andrey
    3 anos ago

    Já tive mais problemas com escolas de aviação e aeroclubes, por demora em procedimentos e erros do que com a ANAC.
    Apesar de também achar os preços altos, na maioria absoluta das vezes fui tratado com celeridade e respeito, dois preceitos básicos esperados por qualquer consumidor, dos quais não há custo nenhum mas que vejo muitos estabelecimentos privados não cumprindo e reclamando de normas e leis que, sempre que podem, não cumprem.

  3. wassall
    3 anos ago

    A esperança é que a partir de Janeiro as coisas mudem.

  4. Fred Mesquita
    3 anos ago

    Nunca vi a EJ reclamar em nada da querida ANAC. Será a única escola que não está sendo prejudicada ?

    • Fernando Resende
      3 anos ago

      Engraçado, demorei mais de um mês para conseguir checar o PC/IFR na EJ por causa da bendita ANARC, eles chegaram até a entrar com processo na justiça contra a ANAC. Acho que sua afirmação está um pouco equivocada.

      • Fred Mesquita
        3 anos ago

        Fernando, vamos ler novamente o que falei acima ?…. mas leia com bastantes calma, sem pressa. …”Nunca vi a EJ reclamar em nada da querida ANAC…”… deu para entender agora ? Mas leia bem devagar para entender…

        O que se pode entender é que “EU” nunca vi nenhuma reclamação da EJ em relação à ANAC. Veja que “EU” falei algo que nunca vi. Deu para entender ?….

  5. Rodolfo
    3 anos ago

    Infelizmente o nome disso tudo é BRAZIL!!!!!

  6. Rodrigo Medeiros
    3 anos ago

    E por que a Helibras, que não tem máquina própria PRI para todos os tipos, nem simulador pra cada tipo se institui de acordo com ANAC como o CTAC de referência?
    Fui cotar a instrução na máquina de cliente a hora do Instrutor chega aos $3000 ( deve ter 3 bolas no saco, me desilpe p termo)… É isso agora? Ficar vendido pra esse absurdo?

  7. Simone
    3 anos ago

    Simone S Vaz
    Nisso a ANAC é bem igual ao DAC, não sei se vc sabe Raul Marinho Gregorin, mas meus pais tinham a ESA-ESCOLA SUPERIOR DE AVIAÇÃO, que ficava no Campo de Marte, não lembro em que ano foi mas o DAC, da noite para o dia caçou a homologação de todas as escolas civis de aviação e aeroclubes do Brasil, exigindo certos absurdos como este de agora, queriam que cada um tivesse seu próprio aeroporto com TWR, pista asfaltada, hangar e simulador de todas as aeronaves que a escola possuísse. Bom meu pai foi oficial superior da aeronáutica, uma das maiores autoridades em segurança de vôo desse País, juntamente com outros presidentes e proprietários de escolas e aeroclubes foram ao DAC e conseguiram provar que aquele novo RBHA das entidades de instrução decretava o fim de muitas e o fim da formação dos jovens pilotos e o mesmo foi redigido para a nossa realidade novamente.
    Eu acho q alguém daquela época do DAC e q teve essa idéia descabida está na ANAC e deve ser um frustrado e invejoso.
    A conclusão para minha família foi o fechamento de nossa escola e táxi aéreo, batalhamos por 15 anos, formamos os 1ºs PMs pilotos de SP, os 1ºs policiais civis de SP e outros estados e muitos dos experientes pilotos das asas rotativas e fixa desse nosso País, os mandos e desmandos de uma pessoa que fica sentada atrás de uma mesa, que não é aviador, não respira aviação, não sabe nada do que é ser empreendedor num País completamente instável economicamente, mas tem o poder com uma caneta na mão e cabeça de camarão (vc sabe o tem na cabeça de camarão né?!?) fazem com que pessoas comprometidas com a nossa aviação, vejam sua empresa ser fechada…..desculpe o desabafo, mas sei bem o que o cmte João Bosco Ferreira está sentindo e passando, nós tb não tínhamos dinheiro sobrando, nos endividávamos para prosseguir no que acreditávamos ser o caminho de uma melhor instrução, tanto q a 1ª vez que a Flght Safety veio ao País para dar uma palestra sobre os simuladores e treinamento, fomos nós que custeamos a vinda deles, alugamos o auditório Elis Regina no Anhembi para um curto seminário de prevenção e seg de vôo, posso afirmar que não foi barato pagar passagem aérea, hotel, alimentação e tudo o que eles consumiram!!

  8. Pacheco
    3 anos ago

    Ontem fui na palestra da Abraphe e logo na abertura já ouve uma espécie de assembléia em torno de assuntos sobre os problemas que os profissionais estão tendo com regulação. Sou aluno e estou tentando terminar o PC, desde o início já enfrentando turbulências com esses RBAC, sempre voando atrás das regras, torcendo pra não entrar alguma que vá encarecer ou prolongar ainda mais o curso. Apesar da ótima palestra que foi proferida pelo Comandante Nilton da EFAI, que acrescentou muito e fez relembrar muita coisa esquecida, saí bem desestimulado, vendo diversos mestres da aviação enfrentando muitos problemas que vão além da atividade de pilotar. Saí pensando: Será que vou brigar com isso o resto da minha carreira aeronáutica? Até agora a resposta foi sim.

    Um outro cmte muito experiente me disse a pouco “vá em frente sem esmoecer”. Mas tá dificil viu!!

  9. Mardey Couto
    3 anos ago

    Raul,
    Sinto cheiro de interesses na abertura do mercado internacional no ar. Até parece que alguém está representando alguma linha aérea por aí, mas não no Congresso, e sim dentro na ANAC!
    Isso está muito errado. Como se fecha o mercado dessa forma, do dia para a noite, com a desculpa de “aumentar a segurança de voo”? Duvido muito que se importam com isso, pois o fator emocional conta muito para a segurança operacional, e esse fator, tem afetado o sono da maioria da “pilotosfera”.
    Desculpe o cunho político, mas enquanto esse partido se mantiver no poder, veremos aberrações cada vez maior para com o pessoal e escolas da Aviação Civil. E se alguém tiver alguma dúvida disso, basta olhar o nivelamento por baixo que fizeram ao trazerem “médicos” cubanos sem nenhum preparo para atender a população brasileira (que ainda insisto em dizer que são guerrilheiros de Fidel a serviço do tal partido).
    Enquanto não conseguimos tirar esses Anarc-quianos do poder, o jeito é rezar muito para que se confirme a saída desse grupo que só tem interesse em prejudicar o país.
    Saúde e Paz!

    • Hubner
      3 anos ago

      Não é o mercado estrangeiro, é algum parente de político mesmo, pronto para criar um monopólio e abastecer um caixa dois de campanha e enriquecimento ilícito.

  10. Marcos Sousa
    3 anos ago

    e quem disse que a Anac foi, em algum dia, comprometido com a aviação guerreiro!! Deus que nos guarde do mau tempo, dos urubus e da Anac!

  11. Francisco
    3 anos ago

    Enquanto esse assunto nao afetar um senador ou uma presidência*presidenta) vai levando..mas quando afetar..eles trocam a CÚpula dessa porqueira da Anarc…

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