Chumbrega: “Não trate e não se refira à sua profissão (piloto ou não) como um SONHO, e sim como OBJETIVO”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Finalmente, alguém falou o que eu gostaria de ter falado há muito tempo sobre essa história do “sonho de ser piloto”. Leiam o relato abaixo, postado originalmente como comentário pelo leitor Chumbrega no post “Aos apavorados com a atual situação da aviação do Brasil“, que traz opiniões muito interessantes sobre a carreira na aviação, a maneira de encarar o desafio, e… o “sonho de ser piloto” (seria quando o sujeito berimbelado vai comer pão doce recheado com creme?) – destacado no trecho em vermelho. Acho que vale a pena ler o que ele diz:

(…)

Eu comecei a fazer o PP com 18 anos, ajudado pelo meu pai. Tirei a licença com 19, e na mesma idade comecei a fazer faculdade (pública, em uma área “gerencial”, nada a ver com aviação, mas era de graça e dava uma carreira alternativa, em uma ótima universidade). Ao mesmo tempo fui fazendo as horinhas do PC, devagarzinho, 5 horinhas por mês, também com a ajuda do meu velho. Chequei PC-mono-vfr e logo depois fiz o inva. Tirei o inva no mesmo ano em que formei na faculdade. Era 2005, e a aviação ainda vivia os resquícios de quebradeira de VASP e Transbrasa, e a VARIG tava nitidamente indo pro buraco. Mas a Gol tava bombando e a TAM querendo bombar.

Nesse período, os colegas que tinham agilizado sua formação aeronáutica já davam instrução, voavam avião a pistão aqui e acolá e não demoraram a entrar de co-pila na GOL, TAM, assim como na Total e outras regionais que voavam na época (Rico, TAF, etc). E eu, com meu inva-vfr, vi a carreira desses caras decolarem. Mas eu, com os pés no chão, insisti no “sonho”. Trabalhava pra cacete, também em uma multinacional, mas na minha área de formação. Quando tinha que viajar de avião, pra mim, era um sofrimento, porque na verdade eu queria estar “lá na frente”. Mas ao mesmo tempo em que trabalhava, dava instrução aos finais de semana, quando conseguia. Fazia umas 10 horas por mês no máximo, tudo mono-vfr, mas “tava lá”. Isso foi de 2005 a 2008.

Em 2008 minha carreira fora da aviação tinha evoluído tanto que eu parei de voar. Trabalhava 7 dias por semana, não ganhava rios de dinheiro mas era uma carreira promissora. Mas a satisfação era ZERO. Ainda não sei se o que eu sentia ne época era depressão, talvez tenha sido. Mesmo desestimulado “com tudo”, ainda peguei uma grana guardada e fiz o MLTE IFR. E continuei sem voar por fora, em 2008 e 2009. Em meados de 2009 minha vida pessoal deu uma “reviravolta”, e as coisas que aconteceram acabaram por me desprender do que me prendia. Para o bem ou para o mal, tomei coragem e resolvi correr atrás do “sonho”. Larguei uma carreira que considerava “promissora” na area gerencial de uma multinacional, e fui trabalhar com “papelada” de aviação. Não foi uma decisão fácil, largar onde eu estava pra trabalhar num lugar em que não gostava, mas que era a luz no fim do túnel. De novo, em 2009.

Mantive as carteiras em dia e, um ano depois, no final de 2010, Deus (eu sou só um pouco espiritual, mas foi realmente Deus, através de um amigo) me deu a oportunidade de fazer seleção em uma das maiores empresas aéreas do país. Esse era meu status: 29 anos recém completados, boa faculdade (mas em area fora da aviação), 600 horas de voo (MLTE IFR INVA ICAO5), experiencia profissional em outra ára bem consolidada (não sei se isso contou a favor ou contra, mas acabou dando certo), e não tinha a minha família). Acabou dando tudo certo e hoje, quase aos 33, estou MUITO feliz onde eu estou. Prestes a ir voar internacional, ganhando um salário bem razoável (não é igual ao que eu teria na empresa em que comecei, e tenho colegas de faculdade que já estão ganhando + de 20 mil por mês, com minha idade), estou bem feliz.

Salário conta, vejo que os caras que formaram na faculdade comigo estão BEM mesmo. Gerentes de empresas gigantes, bem empregados no serviço público, empreendedores de sucesso. Mas também tem muito cara que formou comigo que é profissional meia boca, passou em concurso meia boca e acomodou. Então, o que tô tentando dizer é que não dá pra rotular: cada um escreve a sua história e no final do dia não adianta, pois somos nós que fazemos as nossas escolhas.

Por favor, não me entendam mal: não tô querendo tirar onda, ou dizer que sou um “case de sucesso”. Até porque faço questão de não citar meu nome em blogs. E eu cometi vários erros ao longo da minha vida (pessoal e profissional). Por exemplo, provavelmente, serei co-piloto de wide aos 33. Tem cara que começou aeroclube na mesma época que eu, com a mesma idade, e que talvez seja até meu comandante. Falando em comandante, também não faço idéia de quando isso vai acontecer. De fato, do jeito que as coisas andam, talvez fique mais 10 ano de co-piloto, e nesse meio tempo me arrependa de ter escolhido essa carreira.

Mas o que eu quero dizer aos que têm esperança é que: “é possível”. Eu NÃO me arrependi. Meu trabalho me traz MUITA satisfação. A vida de piloto dificulta a vida pessoal, é instável em se tratando de segurança no emprego, mas pra mim valeu a pena. Ainda vale. Por isso, se algo que eu disse puder contribuir com outras pessoas, fico feliz. Acho que não tem caminho certo para ter sucesso na aviação (seja lá o que ter sucesso significa), mas é possível perseguir seu objetivo. Se alguém quiser dicas, puramente baseadas em minha opinião pessoal (ou seja, NÃO são um manual), eu diria o seguinte – pelo menos para as companhias aéreas:

1) Quanto à qualificação mínima, hoje em dia não tem mais jeito: PARA COMEÇAR MLTE-IFR-Jet trainer-ICAO 4

2) Acho que nenhuma empresa obrigue, mas todas estimulam formar em Ciências Aeronáuticas. EU, se estivesse começando, não faria isso: estude para a bosta do ENEM ou pra bosta do vestibular e faça um curso alternativo, em uma faculdade pública. Guarde sua grana para as carteiras. Com carteira você é piloto e pode trabalhar como tal, com diploma de Ciências Aeronáuticas você não faz hora de vôo. Formando em outra faculdade, você tem uma carreira alternativa. Se “der errado”, como muitos comentaram nesse post, você tem uma alternativa. E no que você pode se formar? No que você tiver aptidão, interesse e for capaz de passar no vestibular. Não foi esse o curso que fiz, mas sugiro engenharia. Eu fiz um na área de gerenciais, que é uma boa área também. Mas tem geografia, letras, um milhão de coisas que podem te ajudar a ser um profissional melhor, dentro e fora da aviação

3) NÃO TENHA VERGONHA DE PEDIR AJUDA! Por timidez ou orgulho próprio, eu demorei a pedir ajuda na carreira. Pedir indicação mesmo! Não tenha vergonha: minha carreira de piloto só andou depois que fui mais humilde e menos timido.

4) Networking: vá em todos os eventos possíveis, e seja simpático e demonstre interesse, mesmo por pessoas por quem você não é simpático e não tem interesse. Não é ser falso, mas é pra aproveitar as oportunidades. Isso vale para qualquer carreira, não só para a aviação.

5) Se é o seu caso, PARE JÁ COM A ATITUDE DE QUERER QUE O MUNDO TENHA PENA DE VOCÊ! VOCÊ é o reponsável pela sua carreira e deve construí-la. Outra coisa: CUIDADO COM O QUE FALA! Pessoalmente ou nas redes sociais, tenha cuidado: o mundo da aviação é assustadoramente pequeno, e nele existe um código de ética e um código anti ético. Cuidado para não municiar aqueles que querem e vão utilizar o código anti etico pra te derrubar.

6) Qualifique-se além dos mínimos requeridos: cursos na ANAC e CENIPA são gratuitos. Se possível, convalide seu PP pra FAA (é barato e simples e pode abrir portas). Faça outras coisas que forem pintando…

7) Alternativamente aos itens 1,2,3,4,5 e 6: carreira na Força Aérea Brasileira OU vá para os EUA, tire tudo lá, dê instrução e volte com FAA ATP.

8) IMPORTANTÍSSIMO – Esse último comentário é muito pessoal, mas até agora deu certo pra mim: não trate e não se refira à sua profissão (piloto ou não) como um SONHO, e sim como OBJETIVO. Sonho é ser piloto de formula 1, astronauta, fazer gol em final de copa do mundo. Ser piloto profissional é algo altamente palpável. Só na empresa que eu trabalho tem uns 3000 caras que fazem isso. Foras as outras, fora a boa aviação executiva, fora a boa aviação agricola, fora os helicopteros, etc. Pare de SONHAR e faça acontecer. Quando você atingir seu OBJETIVO, estabeleça outro! Não pense que ser co-piloto de 320 é um sonho. Trace esse objetivo, porque você VAI atingi-lo se fizer as coisas certas. E aí você estabelece outro, como ser comandante de 777, ir pra Emirates, enfim.

Enfim. Dediquei meia hora da minha vida para escrever esse post, que se dedica àqueles que gostam da aviação, e que ainda a vêem como fonte de satisfação e de boa vida profissional. Hoje estou particularmente inspirado pois o ano que vem vai começar com um brinquedo novo. Então esse meu comentário NÃO É PARA OS DETRATORES DA CARREIRA! É para aqueles que amam a carreira mas que precisam de um estímulo em função das dificuldades encontradas (pra quem não é peixe como eu não fui, não se iluda – vai ser foda mesmo). Comecei antes dos 20, entrei em empresa aérea quase aos 30. Demorou, mas até hoje valeu a pena. Talvez um dia não valha mais, mas tem valido. Não tenho familiar na aviação, fui na cara e na coragem. Se no passado eu invejava quem tinha peixada, hoje sinto satisfação em ter feito meu próprio caminho. E é curioso: hoje as pessoas vem me pedir indicação. E aí a gente tenta ajudar no que pode. Toda a carreira é dificil: pergunta prum medico do Einstein se ele fez faculdade meia boca, se ele preferir reclamar a se esforçar, enfim. Todos entenderam, eu acho

(…)

9 comments

  1. Philip Barboni Ribeiro
    3 anos ago

    É isso aí pessoal! Força na peruca! Não adianta ficar se lamuriando por aí…
    Eu diria que a minha história está “no meio do caminho” do nosso camarada Chumbrega…mas claro com diferenças:

    – Aos 15 anos fundei uma das bandas de maior sucesso do Pop Rock Nacional (hoje tenho 29 anos, ou seja, 15 anos atrás)
    – Aos 17 anos decidi sair da banda para SER PILOTO DE AVIÃO…
    – Fiz meu primeiro PP Teórico em 2002…”tomei pau” por 2 questões de NAV na prova de 2ª época do então DAC…terminava o 3º colegial “a float…”…sem banda e sem PP…
    – Sem saber pra onde ir depois dessa frustração resolvi entrar na faculdade…
    – Nessa altura já tinha 19 anos e decidi fazer Comunicação Social…e pouco tempo fui convidado para entrar em outra banda na qual fiquei pelos 7 anos seguintes…porém a faculdade foi “por água abaixo”…parei no ano seguinte que entre…
    – Em 2005 aos 20 anos fui contratado CLT pelo maior banco do país na época! Compulsoriamente tive que me matricular num curso para me adequar à uma carreira no banco! Deu certo! Estava bem empregado, fazendo faculdade e tocando! ESTAVA FELIZ!
    – A aviação nessa “altura do campeonato” caiu no esquecimento…20 e poucos anos, ganhando relativamente bem para a idade que tinha, fazendo shows por todo o país…não tinha do que reclamar!
    – Até que em 2007 tive um problema de saúde grave e quase “bati as botas”…minha vida na música foi abruptamente interrompida (eu era vocalista)…a sensação que tive na época é indescritível…vi o mundo ruir ao meu redor…felizmente tinha um plano de saúde TOP que cobriu todas as despesas…mas mais importante que isso SOBREVIVI e tive o apoio da minha família e amigos (os verdadeiros = 3 dedos)
    – Voltei à vida comum, simples, mas desta vez bem mais simples: casa, trabalho, casa. Aos poucos pude voltar a praticar esportes (casa, trabalho, academia, casa). Acabei a faculdade no mesmo ano que tive o problema de saúde.
    – Já estava começando a fica infeliz no trabalho (quem já foi bancário sabe do que estou falando)…e mesmo assim tinha um bom desempenho e estava conquistando promoção atrás de promoção! (Irônico né? Mas era a verdade!)
    – Em 2008 bastante desanimado com a carreira que via pela frente…cargos gerenciais, executivos…em banco? “Ah! Não isso que eu quero não…vou deixar essa vaga pra quem AMA e É FELIZ com isso!”
    – “Aviação, lá vou eu de novo!”. Muita coisa tinha mudado no regulamento…a ANAC já existia, a crise econômica assombrava o mercado financeiro…mas ainda não podia-se sentir as “marolas” que o nosso então Presidente da República anunciara algum tempo antes…enfim…
    – Com a ajuda financeira da família + as minhas reservas fui direto ao assunto: PP Teórico + PP Prático (e o medo de não consegui tirar o então CCF…mas estava tudo bem com a saúde! Todo o esforço na recuperação valeu a pena!)
    – Passei no teórico, “fiquei com dor de barriga” e não fui trabalhar pra fazer a banca de PP na ANAC em Congonhas, voei todos os finais de semana que estavam VMC e em meados de 2009 estava apto para checar!
    – “Nessa altura do campeonato” meu trabalho me consumia…era CAIXA DE AGÊNCIA BANCÁRIA! Como eu ia fazer pra pedir o meu cheque!? Na época a escola não fazia este serviço, eu não sabia que existia despachante, não podia mais faltar no trabalho (tive outras faltas no período), não tinha quem fizesse pra mim (VOCÊ ESTÁ SEMPRE SOZINHO PARA RESOLVER OS SEUS PROCESSOS! NUNCA CONTE COM NINGUÉM! LEMBRE-SE DISSO!)…meu CCF venceu e mais uma vez perdi o ânimo…terminei 2009 frustrado e infeliz novamente…
    – No início de 2010 fui chamado para integrar outra banda, desta vez como baixista e backing vocal! Gravei mais 2 CD’s (ao total já eram 5 na carreira) e fizemos alguns shows mas nada muito relevante. Não tinha mais o mesmo gás pra música…
    – 02/01/2012, em na primeira reunião do ano ouvi a seguinte frase do meu gestor: “Esse ano vai ser foda! Só para o fortes! Se você acha que não vai conseguir ‘pede pra sair’!”…fiquei com essa frase na cabeça por 2 meses…eu já era Gerente de Contas, batia as metas, tinha uma ótima reputação no trabalho, bom salário, benefícios etc etc…mas era infeliz! Era profundamente infeliz com o que fazia!
    – Em março de 2012 ‘pedi pra sair’…mas não porque eu não queria mais estar lá…porque “eu queira ir atrás do meu objetivo”! 10 anos depois da primeira vez em que havia dito ressuscitei a minha fonte de inspiração para seguir a vida adiante: “EU QUERO SER PILOTO DE AVIÃO”. Não disse onde, nem quando…isso vou descobrir no meio do caminho! “Life is a journey, not a destination!”
    – Em junho de 2012 comecei a viver a vida de verdade! Foi o meu divisor de águas!
    – Saí do banco depois de 7 anos lá!
    – Tirei 6 meses para: checar o PP, fazer o PC Teórico, passar na banca da ANAC (fui até Curitiba fazer a prova…só pra não perder o ritmo, pois em SP tinha espera de mais de 90 dias!)
    – Depois de 1 ano desempregado consegui outro emprego, no mesmo nível que já tinha no banco, só que em outro ramo (graças à minha formação em adm) e comecei o PC Prático em agosto de 2013…no momento estou finalizando as horas de simulador e até o início do ano checo o PC MNTE….

    Vendo tudo o que está acontecendo (estou de espectador) na aviação e conversando com amigos que já trabalham em CIA’s ou que são INVA’s estou de certa forma sim “incomodado” com a situação e ansioso por mudanças. Estas que dependem parte de nós mesmos pilotos, aeroviários, aeronautas (todos os envolvidos na “pilotosfera” como diz o Raul!) e outras do nosso “querido e amado” Governo. É aí que acredito que devemos agir dentro das nossas possibilidades, trabalho de formiguinha mesmo e claro, TORCE MUITO E ACREDITAR QUE AS COIAS VÃO MELHORAR!

    Hoje estou bem empregado em vistas de cumprir o que chamo de Fase II do meu objetivo (PC MNTE IFR – ICAO5). Já estou trabalhando na estratégia da FASE III (MULT + JET TRAINNING)…a próxima provável que seja FASE IV (INVA ou CIA AEREA direto quem sabe, ou ’91’ sei lá…). Só sei de uma coisa: EU SÓ QUERO VOAR! Pra isso consolidei uma profissão à parte do meu principal objetivo, me apeguei à um hobby (música) e vou ‘remando’ nesse ‘mar de possibilidades’ que é a vida! Acredito que cada um é responsável por 99% do que acontece consigo mesmo! Então vou continuar remando pra “bater essas metas” e ao mesmo tempo me programando para as próximas FASES e ‘ALTERNADOS’ caso algo aconteça!

    O lance é não desistir…a água do rio não para de descer a montanha quando encontra uma pedra enorme no caminho, ela se molda, contorna, derruba o que tiver pela frente para seguir seu rumo…eu quero ser como a água…e vocês?

    Abs

    FLY SAFE!

  2. Sonhador
    3 anos ago

    Nunca desista de seus sonhos. Se não tiver em uma padaria, procure em outra.

  3. Marcus Vinicius
    3 anos ago

    Excelente texto. Minha história é muito parecida, mas ao invés fiz minha formação toda voltada para o que eu mais gosto, aviação. Sou Despachante Operacional de Voo, antes fui soldado da FAB e com o que ganhava não conseguia pagar nenhuma hora de voo por mês, tinha que sair da FAB e ganhar mais, trabalhava no setor de operações aéreas de um esquadrão aéreo em guarulhos chamado 4° Esquadrão de Transporte Aéreo e era bom naquilo, resolvi pesquisar para saber se havia algo parecido na aviação civil, achei o DOV, e foi a coisa mai acertada que fiz na minha vida, o tando que estudei e o tando que eu estudo na minha profissão para que nada saia errado nos voos, me dá um grande suporte para que eu possa traçar esse meu futuro em ser um bom piloto e não só mais um como muitos por aí a fora, e penso da mesma forma que o “chumbrega” temos sempre que ter um plano B, no plano de voo temos o alternado, por que em nossas vidas não temos que ter também uma alternativa? A formação fora da aviação é um exemplo a ser seguido, não podemos pensar somente se a aviação está ruim ou não, trabalhei por dois anos no HASP e vi muitos pilotos e comissários com problemas de saúde perdendo suas CMA’s por algum problema de saúde, não estamos imunes a isso, tudo em nossas vidas pode acontecer, com o combustível para chegar no alternado, os danos serão menores em nossas vidas. Só sei de uma coisa, meu pai sempre fala e aposto que já ouviram de alguém, estudo nunca é demais.

    Muito obrigado ao “chumbrega” pelo excelente texto e pela experiência de vida compartilhada conosco pelo menos pra mim deu um gás para continuar nessa corrida, e obrigado ao Raul pelos excelentes posts no blog.

  4. Rogerio
    3 anos ago

    Raul, o que o Chumbrega disse não vai de encontro com um comentário do mesmo no post “Pelo visto, o sonho da Gol é ser uma Passaredo!” de 13/09/2013, que acabou até virando postagem própria: “Estilo de vida e desafio: é isto o que move os aviadores!” de 16/09/2013?

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Bem… Vamos aguardar que o próprio comente isso aqui.

      A propósito, o post a que vc se refere é este aqui: http://paraserpiloto.com/2013/09/16/estilo-de-vida-e-desafio-e-isto-o-que-move-os-aviadores/

    • Chumbrega
      3 anos ago

      Sim. Vai totalmente de encontro. Há períodos em que minha motivação varia, assim como a dos colegas. Tomo a liberdade de comparar aqueles que estavam empolgados quando começaram o PP e hoje estão lamentando a própria sorte. Não é verdade? Ou todo mundo que está desanimado hoje começou o PP achando que ia dar tudo errado?

      Na época em que escrevi aquele post, a um ano atrás, estive lamentando minha própria sorte, e essa semana estou celebrando a notícia que recebi ontem e tentando dar um estímulo para quem está desanimado. Em setembro do ano passado a aviação brasileira estava diminuindo, e “todo mundo” estava demitindo. Vi colegas serem demitidos depois de noivar, casar, ter filhos, comprar casa própria financiada, ou seja, quando estavam começando a viver! Agora o cenário mudou, mudanças de equipamento e promoções acontecem. Já houve outros momentos em que estive desiludido, sobretudo em 2009 quando fiquei sem voar. Vao acontecer outros momentos de desânimo e eu disse isso no meu post mais recente.

      Mas, imagine a seguinte situação: você está numa posição, digamos INVA, a um tempo (3 anos). A aviação demitindo, sem perspectivas, só cobrança. Como estaria seu estado de espírito? Mas esse INVA “guenta as pontas” e, depois de um ano, é contratado para voar um Lear 45 de copila. Carteira assinada, curso no exterior, salário de mercado. O cara ia se sentir bem melhor né? OU, o cara está desempregado e é contratado para um emprego qualquer. Fica dois anos “estagnado”: dá um desanimo né? Mas seis meses depois, vira gerente: é permitido se re-animar de novo, não é?

      Então é +- isso. Mas independente do que eu disser, uma coisa é verdade absluta: só você pode construir sua carreira e sua felicidade. Então esqueça o que eu disse no post do ano passado. Se preferir, esqueça o que eu disse no post de hoje de manhã. Tome suas decisões, banque-as e, sobretudo, seja feliz: você “é obrigado” a buscar a sua felicidade para aqueles que se importam com você! A opinião de um desconhecido de um blog NÃO deve ser parâmetro para você tomar as suas decisões. Seu coração e instinto são.

  5. Rodolfo
    3 anos ago

    Sempre leio os comentários.. E gostei bastante do comentário do Chumbrega.

    Por mais que a aviação esteja passando por momentos difíceis, de nada vai adiantar ficarmos reclamando ou levantando hipóteses e não agirmos. Dificuldade encontraremos em qualquer área. Cabe à nós escolhermos fazer a diferença ou não.

    Sou advogado, meus pais e meu irmão também são advogados. É muito confortável pra mim continuar a tocar o escritório ou ficar na área do Direito. Mas não é o que vislumbro. Não para mim. E nisso, minha linha de pensamento se assemelha demais com a do Chumbrega.

    É complicado você ser formado, trabalhar em uma área X e pensando numa outra hipótese. Aquela do “e se”. Não fique. Essa pergunta vai te perseguir dia e noite e o sentimento de frustração vai ser enorme.

    Estou bem longe, far, far, far away de ser um PLA. Sequer chequei o PP. Mas ao menos, comecei. E só de ter começado, meu amigo, já dá um certo alívio de não carregar o peso da frustração que comentei. Poderemos falar – se não der certo – a famosa frase: “eu tentei”.

    Infelizmente, não vejo um governo atuante, sequer preocupado com a aviação. E isso dificulta (ainda mais) a nossa formação. Agência descomprometida, desorganizada e burocrática.. Falta de incentivos à educação.. Não é à toa que vemos tantas reclamações dos pilotos que já possuem grande experiência e daqueles que ainda estão em formação, dando seus primeiros passos.

    Num todo, repetindo o que disse no começo do comentário, às vezes o “think outside the box” faz toda a diferença. Dificuldades existem. Em todas as profissões. (De advocacia então…)

    Abrs. Raul e Chumbrega.

  6. Rubens
    3 anos ago

    Esse cara é bom!

  7. Renan Zuliani
    3 anos ago

    Excelente texto, muito obrigado por compartilhar parte de sua história.

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