Seleção de copilotos na Gol exclusiva para filhos de funcionários: “pode isso, Arnaldo?”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Caiu na pilotosfera um comunicado da Gol aos seus funcionários, avisando sobre a abertura de um processo de seleção de copilotos exclusiva para filhos de “colaboradores”, vide abaixo:

selecaogol

Pois é, né? Na finada Varig, os privilégios para os míticos “filhos de comandantes” era escancarado – vide este trecho do comentário do amigo Beto Arcaro neste post:

(…) Quem tiver uma “Revista Skydive” ou “Aviação em Revista” antiga, vai se lembrar de uma propaganda de extremo mau gosto, até para aqueles dias, do ARGS. Ela mostrava a foto dos pais (cmtes da Varig, é claro!) e dos filhos (copilotos, todos formados no ARGS, também na Varig). No topo da página, em letras garrafais, estava o seguinte ditado: “FILHO DE PEIXE, PEIXINHO É!” (…)

Isso revela como essa história de contratar filho de piloto (ou de funcionário) em empresa aérea é “tradicional” na aviação. Mas… É legal? Ou ético? Ou mesmo, “desejável”?

Em princípio, uma empresa aérea privada (como a Gol) pode contratar quem ela bem entender, é claro. Mas há limites, também: nada é assim tão livre nas relações trabalhistas. Se a companhia colocasse no seu comunicado que só poderia se candidatar quem fosse heterossexual, vocês imaginam a gritaria da comunidade LGBTXYZ? E se ela dissesse que a vaga era exclusiva para católicos, o que os evangélicos, judeus, muçulmanos, etc., iriam falar? Muito provavelmente, todos iriam invocar o inciso XXX do artigo 7o. da Constituição Federal, que diz o seguinte (grifos meus):

Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:

(…)

XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

Se orientação sexual e religião, que não estão explícitos na letra da Lei, poderiam ser equiparados a “sexo, idade, cor ou estado civil”, então por que não o critério de ser (ou deixar de ser) filho de funcionário? Não seria discriminação do mesmo jeito? “Ah, mas as empresas fazem seleção interna o tempo todo, e…” ‘Peraí’! Na seleção interna, o sujeito já foi admitido previamente na empresa! Na verdade, um comissário ou um funcionário administrativo ser selecionado para ser copiloto está mais para uma promoção, e isso é lícito. A idade também é um problema em alguns processos seletivos, mas não se impede que alguém com mais de X anos se candidate ao processo: o sujeito pode simplesmente não ser o escolhido, o que é diferente também. O que questiono é a legalidade de se publicar um processo seletivo que restrinja a participação de candidatos à admissão. Mas isso é problema para os advogados, então prossigamos.

Para o RH, abrir um processo seletivo exclusivo para filhos de “colaboradores” pode soar como uma espécie de “benefício” para quem trabalha na empresa: “Bem, eu ganho pouco, meu chefe é um carrasco, mas pelo menos eu facilito a vida do meu filho…”. Também pode ser que eles achem que um filho de funcionário já tem a “cultura da empresa” correndo nas veias (pensamento clássico dessa turma), ou que se tenha como saber da “índole” desse funcionário, alguma coisa assim. Se você perguntar para o pessoal do RH da Gol, é bem possível que estas sejam as justificativas para esse critério de seleção. Mas será que eles também pensaram que, agindo dessa maneira, não contribuem para selecionar os melhores profissionais do mercado?

Pode haver bons pilotos entre os filhos de “colaboradores”? É claro que sim! Mas se não houvesse esta restrição, será que a concorrência não iria aumentar? Quantos bons (ou ótimos) pilotos não estariam impedidos de concorrer só porque não tem papai ou mamãe na folha de pagamentos da empresa? Óbvio, não é? Na verdade, essa política de contratação é o que de mais anti-meritocrático existe – mas o que é “meritocracia”? Acho que a definição do Wikipedia está razoavelmente simples, concisa e íntegra:

Meritocracia (do latim meritum, “mérito” e do sufixo grego antigo κρατία (-cracía), “poder”) é um sistema de gestão que considera o mérito, como aptidão, a razão principal para se atingir posição de topo. As posições hierárquicas são conquistadas, em tese, com base no merecimento e entre os valores associados estão educação, moral, aptidão específica para determinada atividade. Constitui-se uma forma ou método de seleção e, num sentido mais amplo, pode ser considerada uma ideologia governativa.

Entenderam onde quero chegar? Evidentemente, não há nada de meritório em ser filho de funcionário da Gol – muito embora o processo seletivo devesse, em tese, selecionar o “melhor filho de funcionário da Gol” possível (ou os melhores). Mas se o sujeito é realmente bom, por que não concorrer com a ‘tigrada’ sem sangue azul? Será que o sujeito contratado nesse processo também o seria numa concorrência mais ampla? Percebam como, de maneira análoga ao que acontece nos vestibulares que adotam o sistema de “cotas”, também aqui não se tem como saber se o candidato é mesmo bom, ou se só foi selecionado pela colher de chá que lhe foi dada?

Então, seja pelas questões legais ou éticas, ou mesmo pela ineficiência intrínseca do processo, acho essa atitude da Gol tremendamente equivocada. Sei que eles não mudarão uma vírgula devido ao que escrevi aqui (se é que alguém do RH da empresa irá ler esse post), mas nem é esse o meu objetivo: como este é um blog sobre empregabilidade, não poderia deixar de comentar o fato. Então, comentado está.

54 comments

  1. arthur
    3 anos ago

    Oque importa e o ICAO…..voar e opcional…muito bom pra seguranca

  2. Neiva
    3 anos ago

    As empresas trabalham com indicações o tempo todo. Porque na Gol seria diferente? O que a empresa pediu foi que seus colaboradores, não somente comandantes como comentado anteriormente, indiquem seus filhos. O que não significa vaga garantida, afinal os requisitos estão bem claros.
    Vejo a posição da Companhia apenas como uma forma de valorizar e motivar seus colaboradores.

    • Skynet
      3 anos ago

      Infelizmente é um tanto difícil de acreditar nesse rigor de seleção, afinal esses requisitos quase todo mundo tem…..acredito que para muitos ali seja vaga garantida sim. E não é só na Gol, já vi isso na Azul também, e de indivíduo entrar com 150 horas de voo [com jet , multi e ca], pois era filho de funcionário da empresa e já trabalhava lá em uma função burocrática que o pai o colocou. Parece que essa prática em tempos de excesso de profissionais no mercado vem funcionando bem para cias, mas infelizmente é uma tristeza para aqueles que se esforçam muito mais e não são lembrados.

  3. Chumbrega
    3 anos ago

    É por isso que eu repito: por que alguém, em sã consciência, ia querer trabalhar nessa empresa?

  4. Lucas
    3 anos ago

    Raul, tenho mais de 12 anos de Aviação, posso dizer com certeza, que esse é o melhor espaço dedicado ás verdades da Aviação Civil, Parabéns!!!!!

  5. Kadu Lemes
    3 anos ago

    No CR postaram um trecho de um documento interno da empresa que apresenta como mínimos 1000/500 horas de voo. Neste processo além da restrição a filhos de colaboradores, os mínimos foram reduzidos pela metade. Será que na próxima seleção externa estes mínimos serão mantidos?

  6. Southpilot
    3 anos ago

    Primeiramente eu gostaria de parabenizar você Raul pelo post e por dar sua opinião. É por isso que o Paraserpiloto é a melhor ferramenda para discussão de temas relacionados com a aviação da atualidade. Só pra ilustrar, esse mesmo assunto começou a ser discutido lá no CR e em um determinado momento, todos os posts contrários a tal seleção foram apagados pela moderação sob a alegação de estarem desvirtuando o tópico.
    Agora, falando da seleção especificamente. Pode até ser que a empresa tenha o direito de contratar quem ela queira mas ao segregar a possibilidade de seleção (que é externa) a um determinado grupo em específico, é ético? Falamos tanto no dia a dia da desunião dos aviadores, de como as coisas seriam melhores se existisse mais ética entre os colegas, etc..etc..E para meu espanto, vejo várias pessoas defenderem tal medida sob as mais diversas alegações. Quem tem o pai dentro da empresa cuidará melhor dela…(Sério mesmo? Quem não tem pai lá dentro vai destruir?) Ah, sempre foi assim, não sei pra que perder tempo discutindo isso…(Pois é, então deixa tudo do jeito que tá porque deve estar muito bom) Olha, mas eles farão uma prova mais difícil…(Se alguém trouxer a público a prova dessa seleção e de uma externa normal podemos comparar).
    Essas coisas faz quem está a um certo tempo na aviação buscando um lugar ao sol dar uma desanimada. Imagino como deve ficar aqueles que tem carteira de 737.
    Em tempo, ao ver esse tipo de medida da Gol, tentando trazer benefícios a “certos” grupos internos, a faz parecer muito com a velha e finada Varig. O problema é que hoje tem um gringo comendo pelas beiradas, tentando implantar um plano de aviação regional que muito beneficiará a sua empresa, já conseguiu vários slots em Congonhas, é a única empresa que lucrou nos últimos tempos, etc…acho que a Gol deveria gastar mais “energia” com o que realmente interessa.

  7. Skynet
    3 anos ago

    Esse negócio de restringir o conjunto universo de candidatos a vagas de copiloto a um subconjunto de parentesco de funcionários da empresa de certa forma acaba por diminuir a qualidade da mão de obra para algo que exija um alto conhecimento técnico. Tenho por comparação, diria não ser tão apropriada mas serve de exemplo, certos concursos onde há vagas especiais[cotas, deficiência e outros] e se compararmos as notas de quem concorre com o “bolo” todo e quem está nas vagas especiais, as notas dos primeiros colocados chegam a ser absurdamente maiores em relação aos candidatos das vagas especiais. Resumindo: não diria que essa comparação seja tão boa, mas mostra bem o efeito que poderia ocorrer de restringir o número global de candidatos de uma seleção. Cias aéreas, de certa forma, começaram há pouco tempo estabelecer critérios de competências para contratação de copilotos, como curso superior, icao, jet,pla e mlte. Acredito que há um longo caminho para se achar uma fórmula mais justa e que seja benéfica para candidato e empregador, e se isso está gerando bons resultados para a Gol, só o tempo será o senhor de todas as verdades.

  8. Juliano Rangel
    3 anos ago

    Boa noite Raul, quanto a legalidade não vejo problema nenhum, pois a gol não é uma empresa Pública e o processo de seleção é ela quem determina, se fosse talvez uma empresa pública, OS, OSCIP poderiamos dizer que ela está errada, mas nesse caso não vejo problema algum, se o cara preenche os requisitos acho louvável pois 250 horas mais o treinamento necessário para a formação e ainda considerando que vai ser copila, não vejo problemas, pois quando eu terminar o meu PC e tiver minhas 150 horas e se tiver uma chance dessa não vou desperdiçar por ter pouco hora, vou abraçar com as duas mãos e não deixar q escape, pois acho que a maioria faria isso. Não penso assim como você, prefiro ver a galera subindo pra aérea para liberar espaço aqui na base da pirâmide…

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Permita-me reproduzir um trecho do post, Juliano:

      Em princípio, uma empresa aérea privada (como a Gol) pode contratar quem ela bem entender, é claro. Mas há limites, também: nada é assim tão livre nas relações trabalhistas. Se a companhia colocasse no seu comunicado que só poderia se candidatar quem fosse heterossexual, vocês imaginam a gritaria da comunidade LGBTXYZ? E se ela dissesse que a vaga era exclusiva para católicos, o que os evangélicos, judeus, muçulmanos, etc., iriam falar? Muito provavelmente, todos iriam invocar o inciso XXX do artigo 7o. da Constituição Federal, que diz o seguinte (grifos meus):

      Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
      (…)
      XXX – proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil;

      Se orientação sexual e religião, que não estão explícitos na letra da Lei, poderiam ser equiparados a “sexo, idade, cor ou estado civil”, então por que não o critério de ser (ou deixar de ser) filho de funcionário? Não seria discriminação do mesmo jeito? “Ah, mas as empresas fazem seleção interna o tempo todo, e…” ‘Peraí’! Na seleção interna, o sujeito já foi admitido previamente na empresa! Na verdade, um comissário ou um funcionário administrativo ser selecionado para ser copiloto está mais para uma promoção, e isso é lícito. A idade também é um problema em alguns processos seletivos, mas não se impede que alguém com mais de X anos se candidate ao processo: o sujeito pode simplesmente não ser o escolhido, o que é diferente também. O que questiono é a legalidade de se publicar um processo seletivo que restrinja a participação de candidatos à admissão. Mas isso é problema para os advogados, então prossigamos.

    • Southpilot
      3 anos ago

      Acho que você está um pouco equivocado. Talvez ainda não tenha muito tempo de aviação. Em seu argumento, você diz “…vai ser copila…” , você sabe pra que serve um copiloto? Você sabe que ele pode enfrentar um pilot incapacitation?
      Você diz que tal medida libera espaço na base da pirâmide. Pode até liberar, mas de maneira totalmente torta, já que tem gente mais voada e com mais experiência no mercado.

  9. Nicolas
    3 anos ago

    Experiencia : Não exigida.

    pra q experiencia ne??

    Qualquer PP em um “Pilot Incapacitation” assume tranquilamente um 737 com 187 pax dentro.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Na verdade, “experiência” nesse contexto é relativa a empregos anteriores, e não a horas de voo – que se requer 500/250h para candidatos sem/com nível universitário.

  10. Andrey
    3 anos ago

    Se fosse uma empresa pública, seria obrigatório a prestação de concurso público e dentre 200 ou mais candidatos, os melhores passariam, e seria garantida a mão-de-obra melhor qualificada e de forma mais meritocrática.
    Esse é um dos males das grandes empresas privadas, reclamam tanto de nosso governo, assim como nós, e ao invés de darem exemplo, promovem mais injustiça social.
    Talvez algum dia a GOL acabe como a VARIG: falida e com um monte de “peixes” sem aposentadoria.

  11. Julio Petruchio
    3 anos ago

    Calma galera!

    A partir do ano que vem o critério de contratação de pillotos vai se tornar mais amplo se o Aécio não ganhar:

    BASTA SER PTRALHA!

  12. José Carlos
    3 anos ago

    Petmitam-em discordar da maioria. Mas não vejo qualquer problema na forma como a Gol está fazendo essa seleção, muito pelo contrário, pois a regra é os critérios de admissão estão claros e definidos para todos.

    São várias empresas que atuam assim, tanto no Brasil quanto no exterior, sendo companhias aéreas, empresas de tecnologia, serviços ou indústria.

    Não há mal nenhum em utilizar esse critério (que está claro e é público).

    Se eu fosse pleitear uma vaga dessas e se fosse admitido, eu me esforçaria muito mais para não haver a chance de alguém dizer que o filho de fulano de tal não é um bom funcionário.

    Essa é minha opinião.

    • Rogério Barreto - BOTUCATU-SP
      3 anos ago

      Não há problemas, desde que as indicações fossem abertas para TODOS os funcionários da empresa, e não exclusivamente para COMANDANTES. Copilotos também tem filhos, as pessoas do escritório também tem filhos, os clientes do Chech-in também tem filhos. E acreditem, eles também SONHAM em entrar. Se a oportunidade é aberta para TODOS, os comandantes também poderiam indicar seus filhos. ISTO É SER JUSTO E CORRETO.

      • Igor
        3 anos ago

        Posso estar errado, mas acredito que a seleção não seja exclusiva para indicação de comandantes. No comunicado a palavra COLABORADOR fica bem explícita e permite que a indicação venha de qualquer parte da empresa, desde que sejam cumpridos os requisitos estabelecidos.

  13. George
    3 anos ago

    Não gosto de jogar areia no sonho de ninguém… mas aviação pra mim já passou a ser plano B… não é mais prioridade. Ralei muito pra pagar minhas horas de vôos pp..pc..multi…ifr icao4 tirei todas as carteiras suei bastante e nada… nadaa, várias pessoas próximas disseram q ajudariam.. mas não consegui.
    Quando vejo uma publicação desse porte só reforça minha alegria em ter me reencontrado em outra área! Abraços a todos

    • Lucas
      3 anos ago

      Parabéns amigo, eu após 12 anos, e todas as carteiras checadas, e muuuita ralação, não tive Pai rico para pagar, nao cheguei a lugar algum, lutei muiiito, lavei muuuito avião, só promessas e mais promessas, conheci muito bem a realidade da aviação nesses 12 anos, abandonei e nao recomendo a ninguem, no Brasil não há futuro na aviação.
      E cada dia que mais, conheço outros pilotos que como eu lutaram e não chegaram a lugar algum.

  14. Fred Mesquita
    3 anos ago

    A nível do Brasil da atualidade, não vejo problema algum com o que a GOL está fazendo, já que em um passado não muito distante a forma de entrar na empresa era bem parecida com essa, só que envolvia alguns mil reais para comprar o passaporte. Mudou só a forma das novas contratações mas o “esquema” é bem parecido….

  15. Walter
    3 anos ago

    Então quem sabe, o caminho para quem está ingressando na aviação seja enviar currículo do pai e da mãe para a GOL?!?

  16. luiz
    3 anos ago

    tinha que ser essa merda de GOL!!

  17. Marcio Moraes
    3 anos ago

    Absurdo!!!

  18. Pedro
    3 anos ago

    As empresa aéreas tem muito o que aprender com o mercado, grandes corporações atualmente (Vale, Andrade Gutierrez, CSN, e etc…) proíbem qualquer tipo de contratação de parentes.

  19. Ernesto Lippmann
    3 anos ago

    Acredto que o Misntério Publico do Trabalho deve avaliar a legalidade desta forma de contratação

  20. Beto Arcaro
    3 anos ago

    A Varig nem precisava de aviso interno! Kkkk
    Devo ter a propaganda do ARGS dos anos 80. Hoje em dia, seria extremamente politicamente incorreto.
    Mas…Se a Varig podia colocar isso numa revista, a Gol pode, sem nenhum problema.
    Só não é “Simpático”!
    Justo?
    Acho que já perdi esta medida na Aviação.

  21. Marcelo
    3 anos ago

    Depois de expulsar (sim, expulsar) sem a menor cerimônia os tripulantes da WebJet, publicar isso é uma ofensa.

  22. David Banner
    3 anos ago

    Um verdadeiro chute de bico nos ovos dos aspirantes a piloto que não tem padrinho na aviação. Lamentável

  23. José Luís
    3 anos ago

    Bom dia,

    Quanto a esta exclusividade pode se falar duas coisas:

    1) Estamos no país das cotas e a Gol criou uma;
    2) Se esse virar o processo padrão de seleção, ‘PODE” (entendam que disse pode) criar um problema de segurança de vôo pois o CRM entre pai e filho, ou entre colega de pai e filho, poderia gerar algumas liberalidades ou cabrestos que não contribuiriam para a segurança de voo.

    Mas eu queria mesmo é comentar um ponto que se fala muito nesse blog chamado de formação superior.

    Para quem leu além do “… exclusiva para filhos …” pode ver que são solicitadas 500 hs de experiência para quem tem ensino médio e 250 hs de experiência para quem tem curso superior e sem especificação de curso. Será que vale veterinária ??? (RS de Humor Negro).

    Resumindo, isso pode se tornar um padrão para toda e qualquer contratação nesta e em outras empresas. Não que curso superior te faça voar melhor ou pior mas as empresas estão procurando pessoas, para todos os níveis, que saibam articular melhor com idéias, contextos, realidades etc; e esse ao meu ver é talvez o maior mérito de um curso superior com o mínimo de aproveitamento.

    Então fica a observação para deixar na lista de melhorias ao currículo.

  24. Gustavo
    3 anos ago

    Antes de seleção externa, antes de seleção interna, antes de seleção para filhos de funcionários antes de qualquer outra coisa, essa cia, deveria chamar os comandantes e co-pilotos que ela, covardemente, demitiu da Webjet. Completo Absurdo.

  25. Raul, concordo plenamente com suas palavras. É muito triste (como tudo aqui no Brasil) que o esforço, capacidade e dedicação não sejam fatores contribuintes para a realização dos nossos objetivos como pilotos. Assim como o companheiro Rogério, trabalhei em uma grande empresa que tinha sim essa “mentalidade”de família, filhos, sobrinhos ou familiares eram indicados e entravam no mesmo processo seletivo de quem não tinha “padrinho”. Provas, entrevistas e outros métodos de seleção eram aplicados sempre de forma objetiva. A empresa ganhava muito, principalmente porque quem estava lá independente de parentesco, estava porque lutou, porque estudou e foi o melhor. Me assusta e me entristece este comportamento seletivo assim tão “aberto” (é sabido que paternalismo existe). A própria natureza ensina, quanto maior a competição, melhor serão os vencedores, melhor serão os pilotos … sejam os filhos, sejam, parafraseando o companheiro Daniel os: “Zé-sem-pai-na-Gol”.
    Só quem “rói o osso” de verdade, sabe o sabor de estar onde sempre sonhou e planejou. Nos resta perseverar como sempre você coloca em seu blog!
    Parabéns pelo trabalho!

  26. Kadu Lemes
    3 anos ago

    Já li várias vezes que na aviação o QI é fator determinante e não devemos lutar contra isso e sim investir em uma rede de relacionamentos.
    Pois bem, existindo o QI a meritocracia acaba sendo prejudicada e este post é um exemplo claro disso. O que a GOL está fazendo não é nada diferente do que já é feito no mercado, a única diferença é que desta vez foi emitido um comunicado oficial.
    Particularmente eu abomino a utilização do QI para a contração de funcionários para cargos operacionais, para cargos de confiança, diretoria, etc. entendo que a “coisa” seja diferente. Este post serve para uma reflexão de quem defende o QI, mas não é filho de funcionário da GOL.

  27. Spiandorelli
    3 anos ago

    Na boa …. Isso sempre existiu,,, agora fazer essa analise tãoooooo profunda sobre o tema, é bobagem!!!!!!

    para os desesperados de plantão, haverá novas seleções externas!!!!!!

    • David Banner
      3 anos ago

      Ou não.

    • Carlos
      3 anos ago

      Concordo com você! E tem mais…. O material publicado me parece aviso interno da empresa e como tal de caráter sigiloso.

      A exposição do mesmo fora da empresa já é infração de qq maneira.

      E sobre a seleção especial, é preferível desta forma, do q chamar a dita “tigrada” toda só pra compor e passar somente os filhos de colaboradores…

      • Raul Marinho
        3 anos ago

        Caro Carlos,

        Se vc quer dar a sua opinião, dê – qualquer que seja ela, eu respeito. Mas fazer ilações sobre ilegalidades que eu possa ter cometido é uma outra história, e quanto a isso eu preciso responder.
        Em primeiro lugar, eu não obtive essa mensagem por meios ilícitos – aliás, ela está circulando livremente pelo Facebook já há algum tempo. Em segundo, não há qualquer menção de confidencialidade na mesma. E, em terceiro, ela não revela nenhum plano secreto da empresa, algum segredo comercial da Gol, etc. Assim sendo, não vejo como a publicação deste post poderia ser ilegal, como você sugere.

        Ats,

        Raul Marinho

    • Lucas
      3 anos ago

      Desesperados, ops, na minha opinião existem pais de famílias desesperados, não te conheço mas se vc teve sorte, ou pegou uma época boa na Aviação ou ainda teve um QI forte, parabéns pra vc, mas dizer que esse tema é bobagem…

  28. Hubner
    3 anos ago

    O Grupo Votorantin adota essa mesma prática há décadas, são gerações de famílias que trabalham quase inteiras nas empresas do grupo, nas mais variadas funções.
    Devemos levar em consideração que o Constantino Jr. é 2a geração no ramo de transportes, tendo o suporte do Grupo Áurea, criado por seu pai.
    São valores e marcas familiares presentes em uma empresa que nasceu familiar. Faz parte do jogo e não há o que se combater.

  29. João Carlos Meno
    3 anos ago

    Amigos o choro é livre.

    Abs

    JCM

    • David Banner
      3 anos ago

      É. Nem precisa ser filho de piloto da Gol pra chorar. Basta ter um FIES pra pagar e não ter perspectiva nenhuma de arrumar emprego na aviação tão cedo. rssss

      • Julio Petruchio
        3 anos ago

        É. Está havendo e ainda haverá muito choro e ranger de dentes…

  30. Rogério Barreto - BOTUCATU-SP
    3 anos ago

    Li essa matéria com extrema tristeza, estou DECEPCIONADO, a quanto tempo luto por uma oportunidade, estudo, me esforço ao máximo, vendi meu carro, meu terreno, dedico todo a minha vida por uma oportunidade dessas e não consigo.
    Esta empresa tem mesmo GESTÂO de pessoas? Mais uma vez digo, estou extremamente triste com esta noticia, de verdade.
    Tenho certeza de que muitos que assumirão estas vagas não se esforçara, nem 10% do que eu esforcei.
    A IMAGEM DA EMPRESA FICARÁ BASTANTE PREJUDICADA NO MEIO AERONÁUTICO…
    SERIA JUSTO ABRIR PROCESSO SELETIVO PARA QUEM JÁ TRABALHA NA EMPRESA, MAS FILHO DE COMANDANTE EXCLUSIVAMENTE, AI É TOTALMENTE AMADORISMO.

    DECEPCIONADO.

  31. Mario
    3 anos ago

    Alguém pode me dizer porque precisa de Mult pra voar Boeing ?

    • David Banner
      3 anos ago

      Deve ser porque as aeronaves da boeing tem mais de um motor. Só acho.

      • Mario
        3 anos ago

        Pode ter 500 Motores debaixo da Asa. Tipo não precisa de Mult.

  32. Daniel Cunha
    3 anos ago

    É Raul, eu gosto de 99,9% das suas colocações e publicações aqui no Blog. Inclusive encaminho internamente aqui para quem possa interessar muitas publicações. Agora tenho que dizer que acho demais essa analise complexa do fato da Gol querer contratar filhos de funcionários. O mercado da aviação é extremamente fechado. São poucos os pilotos que conseguem colocação sem Q.I., então qual o problema em uma empresa tentar tornar-se parte das famílias de seus empregados valorizando e priorizando o que se tem dentro dessas famílias?.

    Entendo essa atitude da Gol como sendo uma tentativa de aproximar a empresa das famílias dos empregados e com isso conseguir que os mesmos “cuidem” mais da Gol. Acho uma questão muito simples e lógica, alias acho muito positiva e entendo que não vai de forma alguma de encontro ao que se pratica no mercado.

    Exatamente o mesmo se faz na United, na Delta, na KLM, na Singapore, na Qantas, na TAM, na Avianca, na Azul, na Gol, nos táxis aéreos Brasil a fora, nos aeroclubes e escolas, na Aviação Geral, e arrisco dizer, em quase todos os segmentos do mercado de trabalho mundial.

    Outro ponto a ser colocado é o de que o crivo técnico (a meritocracia acima relatada) não está de forma alguma prejudicado, pois o que importa nessa meritocracia é exatamente quem entra, e não quem se aplica a entrar, ou seja, com certeza essa seleção terá uma amostra muito menor de aplicantes, porém os que passarem pela avaliação serão qualificados tecnicamente tanto quanto o “Zé-sem-pai-na-Gol”.

    Por fim, é óbvio que mesmo em uma crise, a rotatividade de pilotos no quadro da Gol não será suprida por essa seleção especifica e obviamente a Gol terá que abrir seleção para os “Zé-sem-pai-na-Gol”.

    Enfim, nada de mais pra mim nessa seleção….

    Abs

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Daniel, eu não sou o dono da verdade. Vc tem todo o direito de ter uma opinião diferente da minha. Da qual não concordo, mas respeito… E segue o baile!
      ;-)

    • Rogério Barreto - BOTUCATU-SP
      3 anos ago

      Daniel, exatamente por isso. A Gol não é uma empresa fundo de quintal, é uma empresa grande, podem haver sim indicações dos comandantes, que por consequência indicariam seus filhos. Mas restringir EXCLUSIVAMENTE a filhos de comandantes, acho totalmente incorreto. Creio que muitos tem outros parentes a indicar, ou amigos etc. Atualmente trabalho em uma empresa de grande porte, cerca de 13.000 funcionários, comentei sobre este caso com uma colega do RH e eles ficaram perplexados. ( AMADORISMO)
      Eu que não tenho parentes na aviação, NUNCA VOU CONSEGUIR ENTRAR???
      Com todo respeito, mas essa noticia me deixou extremamente triste, confesso que com lagrimas nos olhos. As grandes empresas, precisam saber que tem responsabilidade social perante a sociedade.

  33. Pedro
    3 anos ago

    Enquanto isso, conheço pais de família com carteira de Boeing 737 desempregados!!!!! Parabéns Gol linhas Aéreas…..Inteligentes????

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