Sobre a “parte IFRH” do curso de PCH: como (não) ficou no “novo” RBAC-61

By: Author Raul MarinhoPosted on
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No “novo” RBAC-61 (o que consolida as alterações da EMD004), há uma novidade sobre a “parte IFRH” dos requisitos de experiência para obtenção da LPCH, que é a seção 61.101-a-2-C, a saber:

“A partir de 22/9/2014, 10 (dez) horas de instrução de voo por instrumentos, das quais no máximo 5 (cinco) horas podem ser substituídas por instrução realizada em FSTD aprovado pela ANAC”.

Esta regra, que não significa que o PCH esteja habilitado IFRH, está gerando uma série de dúvidas tanto entre alunos quanto entre instrutores e dirigentes de aeroclubes e escolas de aviação, como a redigida pelo leitor Pedro nos comentários ao post “[RBAC-61] ANAC regulamenta o “voo sob capota” para helicópteros“, que segue abaixo:

(…) de acordo com a emenda 4 do RBAC-61 agora é obrigatório 10h IFR para checar PCH, podendo ser 5h em simulador e 5h sob capota. Porém, anteriormente a essa emenda, para se voar o IFR o piloto precisaria ter sido aprovado na banca teórica de IFR. E agora a dúvida é: “antes de fazer essas 10h IFR exigidas para o check de PCH o aluno deverá ser aprovado na banca teórica? Ou pode-se fazer essas 10h sem teórico nenhum!?”
Essa é apenas uma das tantas dúvidas que estão impedindo a escola onde estou voando de iniciar a instrução no R-22 IFR sob capota!
Estamos todos nessa incerteza da necessidade da banca teórica pra se fazer essas 10h IFR. E por esse motivo, pelo menos na escola onde estou voando, não está sendo realizado nenhum voo de instrução IFR no R22, e por consequência nenhum piloto está sendo checado PCH até que se tenha uma resposta.
Outra dúvida que surgiu é em relação a uma informação, que também não sei se procede, de que as escolas que não tiverem algum helicóptero homologado para IFR não poderão mais dar o curso prático de PCH, somente PPH e INVH.

(…)

Para respondê-la, eu solicitei a ajuda do Cmte Bosco, da EFAI, cuja resposta segue reproduzida abaixo:

Pedro,
Uma das suas perguntas é, também, a minha desde que surgiu pela primeira vez a obrigatoriedade das dez horas de IFR do PCH. Como após várias consultas, não chegamos a qualquer conclusão sobre o que incluir no PC Teórico ou qual seria o objetivo das tais dez horas de IFR, passamos a incluir alguma coisa por nossa conta para que o aluno pudesse aproveitar melhor a instrução.
Respondendo a sua pergunta:
Não é necessário ter a banca de IFR para fazer as horas de IFR do PC.
Agora, vamos à sua segunda pergunta: na última reunião que tive com uma Superintendência (não me lembro exatamente qual) da ANAC no Rio, foi dito que as escolas que não estivessem preparadas iriam perder a homologação do curso prático de PCH.
Agora, a situação “surreal” que nos encontramos todos. Segundo o mesmo gerente que nos falou isso, existem apenas seis escolas com cursos de IFRH prático homologados. Isto significa que essas escolas estão preparadas para dar as horas de IFRH do PC, certo?
Infelizmente, NÃO!
O manual de curso diz que, se a aeronave não for aprovada para a operação IFR, ela deve ter instalados os equipamentos previstos no RBHA 91.205. Se estão instalados, devem estar em condições normais de aeronavegabilidade. Parece-me óbvio, mas não é assim que a ANAC está tratando o problema porque determinou que as aeronaves têm de ser vistoriadas e avaliadas em voo TODO ANO, o que me parece um absurdo. Na minha ignorância, acredito que seria suficiente que a aeronave fosse avaliada por tipo e que se obrigasse a incluir na FIEV (Ficha de Instrumentos e Equipamentos de Voo) que é emitida na ocasião da realização da IAM (Inspeção Anual de Manutenção) que a aeronave possui os equipamentos previstos.
Pois bom, como dizia o Pantaleão do Chico Anísio, o mesmo gerente que falou que iria fechar os cursos de quem não estivesse preparado, disse, também, que, atualmente, nenhuma das tais seis escolas está em condições de fazer as dez horas sob-capota porque a ANAC não tem avaliadores para renovar as qualificações das aeronaves. E todas estão vencidas! Não é estranho? Vivem reclamando, até para quem não interessa, que o efetivo, hoje, está 30% menor do que o do DAC quando foi extinto e continuam fazendo coisas que não tem ou tinham finalidade há muito tempo e ainda inventam outras.
Uma aeronave qualquer, avião ou helicóptero, para operar IFR tem de possuir os equipamentos previstos e apresentar características (qualidade de voo) adequadas, especialmente Estabilidade Estática e Estabilidade Dinâmica de acordo com os regulamentos aplicáveis. Isto é verificado uma vez durante o processo de certificação. A continuidade da aeronavegabilidade é assegurada entre outras coisas pela IAM. Como o voo sob capota não é assunto de certificação, é natural que essa avaliação venha a ser feita em algum ponto do processo. Teria de ser feita uma vez e por pessoal qualificado em Ensaios em Voo. Então, se alguém, mesmo não qualificado, verificou que é possível voar sob capota com o Schweizer 300, Robinson 22 ou 44, não tem lógica ficar verificando cada matrícula de um mesmo TIPO porque, por definição, têm de ser iguais. E, pior, não vai mudar de um ano para o outro. É mais ou menos como no meu caso que, a cada seis meses e há QUARENTA E NOVE ANOS, tiram umas gotas do meu sangue para verificar se continuo “A Positivo”.
Resumindo…
Não precisa banca de IFR para fazer as dez horas de IFR do PC.
Pelo menos até duas semanas atrás, não havia NENHUMA escola em condições de fazer as dez horas de IFR do PC.
Respondendo a mais algumas perguntas que você não fez:
Ninguém sabe, ou melhor, não conheço ninguém que saiba o motivo oficial das dez horas de IFR do PC.
Fomos a primeira escola a ter um curso prático de IFR homologado (em agosto de 2006) e há dois meses estou impedido de oferecê-lo porque a ANAC não tem gente para fazer uma coisa que não precisa ser feita.
Deus nos ajude!
Grande abraço

Deu para entender a confusão? Na prática, não há como checar a LPCH atualmente!!!

Para encerrar, eu gostaria de complementar com algumas informações que foram passadas pelo Ruy Flemming numa reunião da ABRAPHE de que eu participei dias atrás. Segundo ele, a intenção da ANAC seria a de liberar a instrução IFRH para fins de cumprimento da “parte IFRH” do curso de PCH em helicóptero full VFR. Mas quem realizasse essa modalidade de treinamento não poderia utilizar as respectivas horas para cheque da habilitação IFRH posteriormente. Entenderam? Vou tentar explicar de uma outra maneira:

Para cumprir com a seção 61.101-a-2-C do início deste post, o aluno do curso de PCH poderia realizar as manobras de treinamento IFRH num equipamento full VFR/R-22 “comum”, ou IFRH sob capota/R-22 com instrumentação básica IFRH (ou, ainda, num helicóptero homologado para voar IFRH real – ex. Agusta-109 full IFRH, embora essa alternativa seja economicamente inviável). Se ele optasse pela 1a. alternativa, porém, essas horas não poderiam ser contadas para a obtenção posterior da habilitação IFRH (nas outras alternativas, sim). Só que isso ainda não está sendo permitido, então aguardem!

18 comments

  1. J C Medau
    3 anos ago

    O requisito de 10hs de instrução IFR já existia para PCA há muito tempo. O objetivo, creio eu, é dar noções básicas de voo por instrumentos para que o piloto possa “sobreviver”, caso encontre e/ou entre em condições IMC inadvertidamente, quando voando VFR.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Exatamente, Medau! Só que tem um pessoal na ANAC que, segundo informações passadas pelo Flemming, tem medo de que os pilotos de helicóptero com alguma noção de IFR acabem se arriscando mais em IMC…

      • Amgarten
        3 anos ago

        Raul, parece ser aquilo que sempre digo sobre o “Estado Paisão”, aquele que impõe comida ao filhote mesmo sem este estar com fome, impõe grossas roupas de frio mesmo com temperaturas de 30 graus positivos, enfim, Ele é quem sabe das nossas necessidades, fraquezas, etc, e nunca saberemos caminhar (no caso, voar) por nossos meios.

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          Exatamente! Eles partem do princípio que somos todos suicidas, só eles para nos salvar!

      • J C Medau
        3 anos ago

        Mas, em função desse medo, há alguma tendência de se remover essas 10hs IFR ou o medo continua e as horas tb? Eu vejo o treinamento como uma coisa boa e não um perigo. É como uma arma: em si, não é perigosa. O perigo está no uso…

        • Raul Marinho
          3 anos ago

          O medo continua e as horas tb… É claro que vc está certo! Quer dizer, para os anaqueanos, não tão claro assim…

    • Paulo Kattah
      3 anos ago

      Boa colocação JC Medau. As 10 horas são realmente importantes pelo risco de se entrar em condições IMC inadvertidamente. O que é difícil compreender é porque a Anac não usa para o helicóptero os mesmos critérios, com as devidas diferenças, do voo sob capota que já utiliza para o avião. Porque tudo têm que ser tão simples e lógico para nós pilotos e tão complicado para eles? Acredito que a resposta esteja na profissionalização das agências reguladoras, nesse caso a Anac. A Anac precisa de pessoas estudadas para concursos sim, mas precisa urgentemente de profissionais da aviação, sejam eles da ativa ou aposentados. Creio que eles deveriam abrir um concurso com ensino médio e superior para esses profissionais com um contingente muito maior do que o que eles fazem atualmente. Até quando vamos ficar aqui discutindo essas coisas e eles cada vez mais empurrando um abacaxi pro nosso lado? Nós respeitamos eles como instituição, mas e o respeito que eles deveriam ter por nós profissionais da aviação, onde está? Seria muito bom se a Anac nos desse a oportunidade de discutir aqui coisas realmente novas para o mundo da aviação. Essas coisas que estamos vendo serem discutidas agora, foram vistas, aliás creio eu, com muito mais critério e propriedade na criação dos RBHA’s pelo então Departamento de Aviação Civil na época, com o apoio do Instituto de Aviação Civil. Qual é o instituto que respalda as decisões da Anac? Porque se alguém souber, por favor me leve para conhecer, estou curioso. Será que o Instituto dela são esses bate-papos informais com a sociedade perguntando a cada um o que pensa para tomar suas decisões? Vão me desculpar, mas aviação não se resolve assim, vamos ser mais humildes então, se não querem dar o braço a torcer para ouvir melhor os militares do extinto DAC e outros profissionais experientes da área, que se encontram na ativa em diversas companhias e empresas no Brasil e no mundo, ao menos importem por certo período de tempo profissionais da FAA e da EASA e por favor vamos acabar com essa bagunça! Ninguém aguenta mais isso.

  2. Cmte Bob
    3 anos ago

    Infelizmente estou sentindo que a tal da Anac está querendo acabar com a aviação do Brasil. A única alternativa (incerta) que vejo é o 45 ganhar, extinguir este órgão inimigo dos aeronautas e começar tudo do zero. Caso contrário, o 45 perder, estaremos todos fud…….,. A que ponto chegamos ! E pensar que a aviação já foi boa um dia.

    • Amgarten
      3 anos ago

      Bob, a idéia de Agências Reguladoras surgiu durante a era FHC, costumavam dizer que fazia parte da política neo-liberal. Se analisarmos bem, a idéia é boa, desde que conduzida adequadamente e sem aparelhamento político.
      Acredito que é preciso entao um choque de gestão, tendo pessoas competentes de fato a frente das AR, com isso poderíamos ter um serviço de qualidade aos cidadãos, incluindo os aviadores.

  3. João
    3 anos ago

    Tenho uma duvida eu sou PCA com IFRA checado, tenho hora de simulador e fiz horas sobre capota no meu curso de PCA. Pois bem EU PRECISARIA FAZER ESSAS 5 HRS DE SIMULADOR MAIS 5 HORAS SOBRE CAPOTA, UMA VEZ QUE EU JA SOU PCA COM IFRA CHECADO?

  4. Nico
    3 anos ago

    Para dar instrução IFRH, segundo o RBAC 61 EMD04, no seu item 61.233 (a) (5) (iii) diz que:

    “(iii) para as demais categorias de aeronaves: até 21/9/2015, o solicitante deve possuir a experiência requerida para a concessão de uma licença de piloto comercial apropriada à categoria de aeronaves corresponde à licença na qual será averbada a habilitação de instrutor de voo, exceto para a habilitação de instrutor de voo por instrumento, quando, então deve comprovar, adicionalmente, possuir experiência mínima de 50 (cinquenta) horas de voo IFR real em comando. A partir de 22/9/2015, o solicitante deve possuir 200 (duzentas) horas de voo como piloto em comando na categoria de aeronave para a qual requeira sua habilitação de instrutor de voo, sendo que, pelo menos 15 (quinze) dessas horas devem ter sido realizadas nos 6 (seis) meses precedentes a sua solicitação; (Redação dada pela Resolução no 344, de 17 de setembro de 2014)”

    Ou seja, além da habilitação de INVH, o piloto deve comprovar que possue experiência de voo de 50 horas IFR Real na função de comando (não especificando que seja na categoria helicóptero).

    E no item 61.237 (a) e (b):

    ” (a) Observado o cumprimento dos preceitos estabelecidos neste Regulamento e as condições do parágrafo (b) desta seção, as prerrogativas do titular de uma habilitação de instrutor de voo são:
    (1) supervisionar voos solo de alunos pilotos; e
    (2) ministrar instrução de voo para a concessão das licenças de piloto privado, comercial, de linha aérea e das habilitações de classe e de operação. (Redação dada pela Resolução no 344, de 17 de setembro de 2014)

    (b) Para poder exercer as prerrogativas estabelecidas pelo parágrafo (a) desta seção, um instrutor de voo deve:
    (1) ser titular de licença de piloto de graduação igual ou superior à licença para a qual a instrução estiver sendo ministrada;
    (2) ser titular de habilitações válidas para as quais a instrução estiver sendo ministrada; e
    (3) ser habilitado como piloto em comando da aeronave a ser usada para a instrução de voo.

    Ou seja, o piloto tem que estar com as Habilitações de INVH, TIPO e IFRH válidas para poder dar instrução de IFRH (capota ou real).

    Resumindo:

    Tem que ter ashabilitações INVH, TIPO (helicóptero que for dar instrução ) e IFRH válidas.
    E além disso tudo comprovar a experiência de 50 horas IFR Real na função Comando.

    Isto é o que eu entendi do RBAC 61 EMD 04.

  5. Giordano
    3 anos ago

    O RBAC 61 na subparte M, que se refere ao INV, fala:
    “exceto para a habilitação de instrutor de voo por instrumento, quando, então deve comprovar, adicionalmente,
    possuir experiência mínima de 50 (cinquenta) horas de voo IFR real em comando.”
    Ou seja, o instrutor da parte de IFR, deverá ser um instrutor com a habilitação de IFR e no mínimo 50 horas de voo em comando.

  6. César Bona
    3 anos ago

    Há ainda outra pergunta… Quem seria o instrutor?
    Alguém com IFRH checado?
    Alguém que checará o PCH com as horas de IFR sob capota e que depois fará o INVH?

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