Novas informações sobre a “parte IFRH” do curso de PCH: como (não) ficou no “novo” RBAC-61

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Em referência ao post “Sobre a ‘parte IFRH’ do curso de PCH: como (não) ficou no ‘novo’ RBAC-61“, reproduzo a seguir novas informações que me foram enviadas pelo Caio Pompêo, INVH na Vertical Helicópteros. O Caio preparou um FAQ que, acredito, será bastante útil para os PCHs em formação – que, aliás, permanecerão “em formação” por algum tempo, mesmo que estejam prontos para o cheque, já que a ANAC ainda não resolveu o nó da”parte IFRH” do curso de PCH… Bem, mas pelo menos com as dicas do Caio, muita coisa sobre o assunto poderá ser esclarecida:

(…)

Vi o seu post “Sobre a “parte IFRH” do curso de PCH: como (não) ficou no “novo” RBAC-61” e como leitor do blog e instrutor em uma escola prática de helicópteros estou lhe enviando este texto para ajudar na divulgação das poucas informações que conseguimos como escola na última semana sobre o tema.

Na semana passada tivemos a oportunidade de fazer uma reunião com o setor de escolas da ANAC – RJ e esclarecer uma série de questionamentos com relação as novas implementações do RBAC 61. Como sempre, fomos muito bem recebidos pela equipe e embora no “campo” essas novas implementações tenham gerado (e sempre é assim) um pandemônio de movimentações e uma anarquia generalizada, de uma maneira geral percebemos que estas mudanças resumem-se a boas intenções de servidores que com o intuito de resolver uma colcha de retalhos herdada do antigo DAC desenvolve melhorias diante de uma visão míope de mercado (leia-se “Mundo de Alice”).

Como somos uma escola de asas rotativas nosso foco principal foi nas questões que impactam na atividade de formação prática, principalmente o tema do treinamento IFR dentro do escopo de formação do PCH. Seguem portanto as informações no formato de FAQ, que foram exatamente as perguntas que formulamos como escola. Acredito que ficará mais claro para os leitores tanto escolas como alunos que devem ter as mesmas perguntas na cabeça. As respostas não condizem exatamente com as palavras ditas mas são uma explanação do diálogo que tivemos da forma mais fiel possível ao que foi discutido.

Enfim, vamos a elas :

1 – A IS61-002B ainda vigora ou caiu diante as últimas implementações do RBAC61?
Resposta: Negativo. A IS61-002B ainda vigora e o piloto em formação pode sim obter sua habilitação por instrumentos segundo o processo instituído nessa IS. O que ocorre é que pelo que sabemos escola alguma até hoje possui os requisitos e cumpriu o programa conforme disposto no regulamento.

2 – Existe programa de missões/manobras referente as 10 horas IFRH para inclusão no programa do PCH ou mesmo um programa novo de PCH completo recomendado pela ANAC?
Resposta: Ainda não mas estamos trabalhando nisso e deveremos apresentar um em breve. O que podemos adiantar é que este programa será básico e não deverá conter procedimentos IFR complexos como cartas de aproximação e de saída. O aluno de PCH ao finalizar o programa não estará habilitado para o voo por instrumentos mas poderá abater estas horas do programa da IS61-002B de 40 horas para a habilitação IFR.

3 – Quais são os pré-requisitos para as escolas cumprirem as 10 horas IFR previstas no programa de formação PCH?
Resposta: Como ainda não existe definido o programa de treinamento sugerido para a parte IFR não temos como precisar os pré-requisitos neste momento. O que sabemos sim e temos um levantamento é que de 37 escolas homologadas hoje no país para ministrar a formação do PCH apenas 6 possuem aeronaves homologadas IFR sob capota.
Vale ressaltar que 5 das 10 horas poderão ser realizadas em simulador de helicópteros AATD homologado pela ANAC. Caso a escola possua a aeronave mas não o simulador poderá cumprir o programa integralmente na aeronave.

4 – Após definidos os pré-requisitos para a realização da parte IFR do programa de PCH o que acontecerá com as escolas que não os possuírem, haverá um prazo de adequação?
Resposta: Ainda não sabemos ao certo mas provavelmente estas escolas terão seus cursos práticos de PCH revogados.

5 – Temos alunos atualmente em meio a sua formação de PCH, alguns com menos e outros com mais de 90 horas já cumpridas do programa de PCH antigo. Estes poderão finalizar sob o programa da escola atualmente homologado ou precisarão já cumprir as 10 horas de IFR exigidas ?
Resposta: Este caso não dependerá diretamente do setor de escolas pois quem defere ou indefere habilitações é a GCEP (antiga GPEL). O que sabemos é que processos enviados sem as devidas 10 horas IFR serão indeferidos. Alunos que voaram menos de 90 horas deverão fazer as 10 horas de IFR ainda antes de finalizar sua formação e alunos que já voaram mais de 90 horas fatalmente deverão desembolsar mais horas para conseguir cumprir as 10 horas previstas.

6 – Existe alguma regra ou está escrito em algum lugar que as horas práticas e de simulador da parte IFR devem ser realizadas obrigatoriamente na mesma escola?
Resposta: O que ocorre é que tanto no plano de IFR (10 horas) dentro do programa prático de PCH quanto no programa de 40hs para habilitação IFR para pilotos de helicóptero, as horas em simulador e práticas devem ser realizadas concomitantemente (o programa é condicionado) pois são consideradas parte do mesmo curso. Isso inviabiliza a execução do mesmo programa em escolas diferentes. Seria como um aluno querer voar em duas escolas diferentes ao mesmo tempo e ter que pedir transferência de uma para outra a cada hora voada.

7 – O aluno é PCA/IFR checado ao fazer o treinamento de PCH estará isento das horas IFR do programa ?
Resposta: Negativo, deverá cumprir normalmente o programa. Continuam somente as isenções já previstas com o cumprimento do programa reduzido em um total PPH+PCH = 60 horas.

8 – Com a implementação de IFR no programa de PCH prático vocês pensam em realizar alguma alteração na ementa do PCH teórico com vistas em contemplar o conteúdo IFR ?
Resposta: Sim, precisamos verificar isso também.
Nossa retórica: Não! Se a ideia do novo programa prático não é conter procedimentos complexos de chegadas e saídas por instrumentos, o programa teórico atual de PCH já atende perfeitamente já que neste se estuda instrumentos VOR (to, from, radiais, posição relativa, bloqueio e etc) NDB (QDM, QDR, bloqueio e marcações diversas), entradas de órbita (paralela, direta, deslocada) e etc que pelo que foi dito já vão além do proposto. No teórico de PCH como está hoje a única diferença para o PC/IFR é que se sobe e desce em rota, sem a utilização das cartas de saída e chegada mas em cartas de rota, sob aerovias, radiais e tudo mais. Se tiverem que alterar algo no teórico de PCH que se inclua por completo o IFR nele então. Isso apenas formalizaria o que muitas escolas já realizam que é ministrar o IFR junto do curso de PCH aplicando provas de PCH e IFR separadas para cumprir com os manuais.

Após respondidas nossas perguntas e diante ao exposto quanto a intenção deles do quão básico deverá ser o programa IFR fizemos uma sugestão que poderá em um curto prazo ajudar a todos.

Nossa sugestão é que nestas 10 horas sejam realizadas as missões básicas do programa de IFR atual da IS61-002B substituindo 10 das 30 horas sugeridas para navegação no programa atual da ANAC descrito no manual de cursos de PCH. São as missões que envolvem curvas cronometradas, utilização dos instrumentos para manutenção de atitude, velocidade e proa, saída de atitude anormal, saída de entrada inadvertida em IMC, ilusões visuais causadas em voo noturno, voo sobre espelho d’água e etc dentre outras que não são poucas e podem ser bem exploradas antes mesmo de se falar em rádio-navegação. Para essas missões/manobras basta que a aeronave contenha bússola magnética e/ou giro-direcional, horizonte artificial, indicador de curvas com indicação de derrapagem e cronômetro com controle de segundos o que caracteriza exatamente os pré-requisitos de uma aeronave autorizada para realização de voo visual noturno. Bom né? Até fiscalizar fica fácil….

Esta sugestão se aceita tornará muito mais escolas aptas a concluir o programa do PCH, facilitando a vida (ou não conturbando) dos alunos com PCH em curso e sendo bem realizado também irá melhorar a capacitação dos alunos formados no quesito segurança. Também não precisará ser ministrada por INVH´s habilitados IFR já que a proposta não é habilitar os alunos para tal.

Nos adiantamos, desenhamos e enviamos ao setor de escolas um programa completo construído com base em nossa sugestão. Isso mesmo, fizemos o trabalho por eles. Agora é aguardar !

Esperamos ter contribuído de alguma forma.

Forte abraço !

Caio Pompêo – INVH – Vertical Helicópteros

4 comments

  1. José Roberto
    4 anos ago

    dizer q a atual Anac está “concertando” os erros do antigo DAC, é o mesmo que dizer q o PT é bem intencionado…. Tá de sacanagem!!!!

  2. Resende
    4 anos ago

    O DAC poderia voltar, pois era administrado pela Aeronaútica e pelo menos esses militares entendem de Aviação e são disciplinados a entregarem com qualidade o serviço prestado e fazerem a coisa certa! Ou fazer uma fusão de ambos, porém com profissionais formados em Aviação Civil e não com “macacos” de outros galhos.

    • Cadu
      4 anos ago

      Nunca fui bem atendido pelo DAC!!!!!!!!

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