Exame.com: “Como sobreviver a um período sem emprego”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Não tem muito segredo para superar uma fase desempregado: é manter a cabeça erguida e correr atrás, sem se desesperar. “Cobra que não anda não engole sapo”, já dizia o meu avô! – e o networking não pode ser descuidado jamais, principalmente numa hora dessas!

Mas também acho importante levar em conta o conselho da reportagem da Exame.com “Como sobreviver a um período sem emprego” sobre não aceitar qualquer proposta… Que, na aviação, tem um significado especial. Não que um piloto de jato não deva aceitar pilotar uma aeronave a pistão: isso é bobagem! Mas aceitar empregos com um nível de segurança operacional abaixo do mínimo tecnicamente recomendável, ou enveredar pelo mundo da ilegalidade (como o TACA e demais irregularidades) não pode nem ser cogitado pelo piloto desempregado. Mesma coisa quanto a trabalhar sem registro ou por salários aviltantes: isso prejudica não só a si mesmo, quanto a toda a categoria. Se ir por esse caminho for a única opção na aviação, acho que é a hora de começar a considerar opções fora dela.

6 comments

  1. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Pois é …
    Como fazer?
    Tô “fazendo”, não sei bem como.

  2. Até entendo o intuito do post, mas – por experiência própria e tendo presenciado situações (dramáticas) de colegas e amigos ao longo de quase 35 anos de Aviação – digo que vai muito da situação pessoal de cada um, da batalha pessoal de cada um ao longo da carreira. Já fiquei desempregado algumas vezes. Pelo fato de a minha formação ser bem diversificada, sempre consegui me virar, felizmente (i.e. voando de freelancer, vendendo aviões/motores/peças, fazendo translados internacionais, trabalhando em treinamento de simulador lá fora etc.; foi sempre difícil como aliás ainda é, mas – por outro lado – ganha-se muito, principalmente em versatilidade e em conhecimento). Agora, este sou eu. A grande maioria não pulou de galho em galho, como ocorreu comigo. Muitos ficaram 20, 30 anos num só emprego 121, fazendo sempre a mesma coisa, naquela rotina que a gente sabe (quem diria – lá nos anos 90 – que nenhuma das “3 tradicionais” existiria hoje?) de sorte que – numa dada altura do campeonato, só sabem fazer aquilo, ou teriam grande dificuldade para aprender / se adaptar em outra ocupação (mudar de segmento, como da linha aérea para a aviação geral, já é um desafio para muitos, imagina mudar de ofício; aviação não é Direito ou Administração, que serve para quase tudo). Nesse meio tempo, muitos já são pais / avôs, os fundos de pensão foram pelo ralo etc…as contas, por sua vez, não sabem que a gente está desempregado. Elas continuam chegando pontual e implacavelmente à caixa de correspondência. Quem sou eu, então, para dizer a alguém que já está quebrado, afundado em dívidas e não muito longe de passar fome, que não abrace o subemprego “A” ou “B” ? Vale lembrar também que – fora da operação 121 – contam-se nos dedos quem cumpre à risca a legislação trabalhista brasileira (a Pejotização é uma realidade cada vez mais presente, o SNA e o MPT são omissos e/ou ineptos quanto ao problema, não sei; afora isso, não é tema para discutir em entrevista de seleção, se é que me entendem). Se a gente tivesse o critério de só trabalhar para quem anda 100% na linha, nem 10% de nós estaria ainda na Aviação Geral. Pelo menos não neste país.

    • Raul Marinho
      3 anos ago

      Quem sou eu, então, para dizer a alguém que já está quebrado, afundado em dívidas e não muito longe de passar fome, que não abrace o subemprego “A” ou “B” ?
      Muito menos eu, Fábio! Quem está se afogando não escolhe bote, não é mesmo? O problema é quando essa “fase” de subemprego se pereniza, e o cara acaba se tornando cronicamente subempregado… O que não é raro de se ver na aviação, infelizmente.

      • É verdade, mas entendo que cada caso é um caso. Após o “1o. Grande Tremor” em 1992 (na VASP, por conta do episódio Collor-PC Farias-Canhedo e que eu senti na carne), foram poucos dentre nós os que não tiveram (tivemos) que encarar uma “carne de pescoço” esperando a chuva passar, fosse dentro ou fora da Aviação. Realmente, não é fácil se manter altivo e/ou “high-standard” num subemprego, mas de toda a maneira:

        1)- O mercado sabe muito bem quem é quem, muito mais do que se possa imaginar. Quem já exerceu cargo de chefia em Operações sabe do que estou falando (“Os OCC’s se falam”). A gente ficava sabendo lá na Ásia (para bom e para ruim) o que aconteceu aqui ou no Oriente Médio, quase em “real time” e apesar do fuso horário. É um Mundo surpreendemente pequeno, conquanto o mercado de trabalho seja global;

        2)- Então, se você teve que temporariamente aumentar a sua “margem de pelada” (por assim dizer) para se manter num emprego ruim ou num subemprego, no sentido de comer e pagar as contas, o mercado vai relevar, no momento em que você estiver manobrando para retornar aos segmentos “premium”, pois esse era o contexto da operação que você – por razões várias – teve que encarar (bancar o master da Lufthansa numa operação a pistão na Amazônia é suicídio político; nego manda você passar no RH na 1a. semana…enfim, cada um sabe onde se lhe apertam os calos). O que pega mal – e muito mal – é certos arautos da moralidade (enquanto no 121) que vão para o subemprego e aí “chafurdam na lama mais do quem é cria do chiqueiro” e com gosto (com o perdão pela alegoria), revelando assim a sua verdadeira “natureza”. O mercado também fica sabendo disso, acreditem;

        3)- Já participei de recrutamento e seleção, quando desempenhava cargos de chefia e/ou de treinamento, lá fora e esse tipo de coisa é sequer ventilado. Só se quer saber – sujeito a comprovação documental – qualificações / experiência / referências que podem ser contactadas / razões pelas quais saiu de cada emprego / se sofreu algum acidente nos últimos anos / se tem alguma restrição no certificado médico 1a. Classe / se responde ou já respondeu a processo criminal / “current on type” ou não / “recent on type” ou em algum outro tipo etc….como esses últimos dois ítens estão entre os que mais pesam (principalmente para um operador 121), o fato de ser excessivamente “choosy” numa fase de desemprego é que pode sim constituir um sério entrave para regressar do subemprego ao bom emprego, quando o mercado volta à situação de demanda (como está agora, no exterior). E é claro, como você bem mencionou, Raul, o “networking” correto, bem montado e articulado é sempre um recurso bastante valioso, nessas horas. É o momento em que você irá descobrir – em meio a colegas e ex-colegas – quem é realmente seu amigo, também.

        Então – respeitados os limites do bom senso – sempre que possível voe qualquer coisa, mas voe!!!

  3. David Banner
    3 anos ago

    Não ter vergonha de trocar de profissão ajuda muito.

    Por exemplo: Conheço MUITO sacoleiro que ganha mais do que muito piloto que voa “em troca de marmita”. Chegam a tirar 5, 6 mil livre vendendo roupa.

    Tenho um amigo que sem loja física, vendendo só a vista, tá tirando em torno disso. De 4 a 6 mil, dependendo do mês. E antes sabe o que fazia? Era “analista de sistemas”. Ganhava 2.800,00 Em carteira. Tem formação superior, diversas certificações Microsoft, trocentos cursos, vivia varando noite implantando sistema, trocentas horas de crédito no banco de horas…. pergunta se pagaram essas horas… claro que não.

    Resolveu dar um belo pé na bunda da aérea de TI e foi vender roupa. Tá juntando grana e vai começar a investir em imóveis. O melhor de tudo, segundo ele, é que agora lhe sobra tempo pra “ganhar dinheiro”.

    É como diz aquele ditado: “Quem trabalha demais não tem tempo pra ganhar dinheiro”.

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