Como é um ‘disclaimer’ sobre ‘endorsements’ para voar um MNTE de alta performance nos EUA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Um amigo me enviou a imagem abaixo, que foi fotografada de um manual de uma aeronave MNTE turboélice de alta performance (ele me pediu para omitir qual é, especificamente – daí os trechos com tarja negra) que, atualmente, ainda é experimental (está em fase de homologação na FAA). Achei bastante interessante, e por isso resolvi compartilhar aqui, como “cultura geral”, a quem interessar. Percebam como as recomendações estão redigidas, explicando a diferença entre o que a FAA exige e o que eles, os fabricantes, entendem como o correto em termos de treinamento. Será que isso daria certo aqui, ou nós enfiaríamos o primeiro piloto de Paulistinha (PP com 35h) num aviãozaço desses, e mandaríamos ele se virar, “afinal ele está habilitado pela ANAC para tal”? Será que, se não fossem as autoridades aeronáuticas (ANAC, CENIPA, etc.) para tomar conta da gente, a gente vai sair barbarizando por aí? No fundo, não é essa a discussão?

Sempre vai haver piloto voando na cabine de passageiros para se exibir no Youtube. Assim como há médico ginecologista que estupra paciente desacordada, também há piloto que desonre a profissão: lamentavelmente, o mundo não é perfeito, nunca foi, e jamais será. Mas a maioria é consciente, e impor dificuldades a estes não seria, na prática, premiar os maus profissionais. Porque a escória, se quiser, sempre vai conseguir burlar as regras, e no processo irá acabar corrompendo o sistema. Então, não faria mais sentido ter um mecanismo eficiente de fiscalizar e punir os maus, do que sobre-regulamentar todo mundo?

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8 comments

  1. ziobellox
    4 anos ago

    otima consideraçoes

  2. Felipe
    4 anos ago

    Tenho alguns endorsements no logbook da faa se o Raul quiser dar uma olhada, e se for o caso postar aqui. Só preciso de um email pra mandar.
    Abs

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Obrigado, Felipe, mas acho que não é o caso. Minha intenção foi justamente mostrar que os ‘endorsements’ são irrelevantes; o que importa mesmo é a recomendação do fabricante para a operação da aeronave.

  3. Beto Arcaro
    4 anos ago

    A pergunta que eu faria:
    Algum Piloto sairia do Paulistinha do Aeroclube para um Matrix com motor biturbo e G1000 no painel?
    Não, né ?
    O Cara sai do Senequinha I da escola para voar um Navajão em comando?
    Também não !
    Só que pode!
    E pode sem endorsement nem nada!
    Se acontecer, muito provavelmente vai virar estatística.
    E daí ?
    Aí fica até fácil pro CENIPA.
    Só pra ilustrar:
    O Sujeito brevetou no Aeroclube, num Cessna 172.
    Passou no vôo de cheque.
    No dia seguinte, comprou um 172.
    Pediu pra voar com um amigo meu, pra ter uns duplos.
    Ele não sabia pousar o 172!
    Entenderam?
    É o “clichê dos clichês”, mas o buraco sempre é mais embaixo aqui nesse País, especialmente com relação à aviação.

    • Raul Marinho
      4 anos ago

      Na verdade, o cara não sai nem do C152 para o C172 sem um mínimo de treinamento…

      • Beto Arcaro
        4 anos ago

        No caso, o sujeito saiu de um 172 pra outro 172!
        E precisou (ainda precisa) de muito treinamento!

  4. Juliano Rangel
    4 anos ago

    Concordo com o Fábio, e unica justificativa pra essa masturbação mental é poder justificar um monte de servidor público pendurado no cabide do estado procurando pelo em ovo.

  5. E de mais a mais, de que adianta “sobre-regulamentar”, se não há gente para “sobre-fiscalizar”? Acho isso um desperdício de energia e uma encheção de saco em cima de quem trabalha direito. E no fim das contas, o efeito é o mesmo, só fiscalizam quando há denúncias de irregularidades, ou então quando o sinistro já se consumou. Auditorias com data marcada, a gente sabe bem como funcionam (o auditado toca um barata-voa, para estar tudo bonitinho quando os INSPAC’s chegam)…

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