Piloto Policial: “EASA provoca controvérsia com regra para Helicópteros Monomotores”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Vejam só que interessante o raciocínio da EASA, conforme reportagem da AINonline reproduzida e traduzida neste post do portal Piloto Policial – “EASA provoca controvérsia com regra para Helicópteros Monomotores“:

Ninguém pode garantir que os helicópteros monomotores oferecem um nível aceitável de segurança para os passageiros e os moradores de áreas densamente povoadas.

E os helicópteros bimotores, alguém garante? Pergunte para a tripulação e os passageiros do biturbina Agusta-109C matrícula PT-YFP, acidentado em jan/2009 – vide RF. Na aproximação para o pouso, um motor explodiu, e os destroços cortaram a tubulação que levava o combustível para o motor remanescente. Resultado: um morto, quatro feridos, e o helicóptero destruído. Será que, sabendo disso, a EASA garantiria que “os helicópteros bimotores oferecem um nível aceitável de segurança para os passageiros e os moradores de áreas densamente povoadas”?

Aqui, nós reclamamos diariamente da ANAC, mas ao que parece não é só a agência brasileira que padece da falta de entendimento do que seja a atividade aeronáutica. É claro que ninguém pode garantir segurança para nenhuma operação! Mas proibir que se voe é a alternativa? “Ah, mas a EASA só está proibindo que se voe sobre áreas densamente povoadas…”. Que ótimo! E helicópteros voam aonde!? Fora a operação offshore – que, por sinal, requer que utilize modelos biturbinas (pelo menos, no Brasil) -, é justamente nos grandes centros urbanos que os helicópteros fazem sentido. Em São Paulo, por exemplo, a PM possui mais de 30 aeronaves monoturbina voando todos os dias, nas condições as mais complicadas. Quantos caíram na cabeça dos paulistas?

O problema é outro! Helicópteros biturbina até podem fazer sentido na operação off-shore, uma vez que as distâncias voadas sobre o mar são muito extensas, e a quantidade de pessoas em cada aeronave é muito elevada. Mas na operação urbana, com as aeronaves voando em altitude adequada, a tripulação corretamente treinada, e a manutenção rigorosamente fiscalizada, o risco da operação monomotora fica mitigado. É isso o que tem que ser focado, senão o que ocorrerá são helicópteros biturbina caindo na cabeça das pessoas, muito mais do que os monoturbinas com manutenção, operação e treinamento adequados. Tomara que a ANAC entenda isso, e não vá na onda da EASA…

4 comments

  1. José Luís
    4 anos ago

    Pergunta.

    Alguém já ouviu essa justificativa: “A EASA insiste que a indústria teve anos para se preparar e o período de transição é contínuo para operações não-comerciais, voos circulares e trabalhos aéreos” ?

  2. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Tenho um conhecido na Alemanha que trabalha com certificações.
    Eles odeiam a EASA!
    Principalmente, pelo fato de ela estar sendo “tocada”, por dirigentes de países com pouca experiência em Aviação Geral.
    Aliás, foi de lá que saiu a “Pérola” do MPL, não ?
    Se a ANAC pensa assim?
    Ouvi, outro dia, daquele famoso SPO da digníssima agência, que as aeronaves CLASSE seriam mais “PERIGOSAS” que as aeronaves TIPO.
    Acho que a ANAC foi a percursora desta filosofia.

  3. Victor hugo gotuzzo
    4 anos ago

    Entao porque eles nao exigem dos fabricantes, linhas de tubulcao blindadas com mais eficiencia para utilizacao aeronautica, e nao penalizar os monomotores,isso me cheira vendas futuras de helicop.bi turbina…

  4. Alexandre Marton
    4 anos ago

    Se tivessemos esses “reguladores” desde Santos Dumont estariamos ainda voando biplanos …. Anac fazendo escola…

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