Porque pilotos mais experientes são melhores – um experimento neurológico

By: Author Raul MarinhoPosted on
271Views2

Que pilotos mais experientes são, na média, melhores que os menos experientes, ninguém duvida – tanto é que toda a regulamentação aeronáutica do planeta está construída em cima dessa premissa. Mas como isso se dá no nível neuronal? Ou seja: quais são as diferenças no funcionamento cerebral dos pilotos conforme eles adquirem mais experiência?  É isso o que uma neurocientista de Stanford resolveu investigar, e as conclusões de seu estudo estão publicados neste artigo: “Expert pilots process multiple visual cues more efficiently, Stanford and VA scientists find“.

Resumidamente, é o seguinte. Os pilotos foram solicitados a realizar pousos num simulador de voo enquanto seus cérebros eram escaneados por uma máquina de ressonância magnética funcional – aquela em que aparecem as áreas do cérebro trabalhando em tempo real -, e as condições de visibilidade na MDA/DH eram alteradas aleatoriamente. O resultado foi que o acerto na tomada de decisões foi de 80% entre os mais experientes e 64% entre os novatos, o que confirma o senso comum de que os pilotos mais experientes tomam melhores decisões. Até aí, nada demais. O interessante do experimento foi o fato de que os pilotos com mais horas de voo utilizaram cerca de metade da capacidade cerebral para realizar a tarefa, em comparação aos menos experientes. Ou seja: para obter um nível mais elevado de acertos, os pilotos mais experientes gastaram muito menos capacidade de processamento! Interessante, não?

2 comments

  1. Fred Mesquita
    3 anos ago

    Um grande fator para essa resposta está no processo de cognição diferenciado que os pilotos mais experientes têm em relação aos menos experientes. Também não se pode confundir a idade entre os mesmos, pois temos pilotos mais idosos com pouca experiência por exemplo. A forma da construção do conhecimento é o que muito influencia nas tomada de decisão. Pilotos mais experientes que têm o hábito de sempre estar estudando, iguais aos menos experientes, mas o primeiro já possui mais tempo na cognição e conhecimento não se perde, só aumenta o conhecimento. Também outro influenciador nesse processo é a forma como se constrói esse conhecimento, pois a ciência já provou por esse mesmo “escâner cerebral” de que a leitura junto com a escrita corresponde à uma maior capacidade e um ganho substancial no processo de aprendizagem (cerca de 80%), ficando os meios auditivos e televisivos com a menor capacidade de aprendizagem (20%), ou seja, muitos pilotos que usam o método de estudo na leitura e na escrita, em sim, tem um melhor aproveitamento no processo de cognição para este fim, o de poder absorver mais experiência em vida e em voo. Ter o costume de sempre estar lendo os manuais, na companhia de um borrão e caneta, é o mais indicado a quem pretende obter conhecimento mais rápido. Fica aí a dica…

Deixe uma resposta