Flying Magazine: “Are Copilots’ Days Numbered?”

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Um recente artigo da Flying Magazine – “Are Copilots’ Days Numbered?” – retoma a velha questão da eliminação da função do copiloto nas aeronaves comerciais. Fala dos estudos sobre automação da NASA e de diversas universidades e empresas do setor, mas no fim das contas, ninguém responde às três perguntas que considero fundamentais sobre esse assunto:

  1. Como lidar com uma ‘pilot incapacitation’ (o que não se restringe ao piloto ter um infarto e morrer em voo, basta uma crise de labirintite ou um desarranjo intestinal mais sério)?
  2. É possível haver um processo decisório tomado isoladamente de qualidade semelhante ao tomado em conjunto, especialmente em situações de emergência? E, principalmente:
  3. Como é que se vai formar comandantes sem que o piloto passe, antes, por um período como copiloto?

Não basta dizer que “ah, mas antigamente também havia engenheiro de voo, navegador, etc., e é inexorável que o copiloto também desapareça”, porque isso não responde adequadamente a nenhuma das perguntas acima. Reduzir a tripulação técnica de 5 para 4, de 4 para 3, ou de 3 para 2 é muito diferente de reduzir de 2 para 1. Nas reduções anteriores, era somente uma questão de tecnologia mesmo; agora, o problema vai além, e os desafios são totalmente diferentes. Pode parecer absurdo, mas acho que faz mais sentido haver um avião sem piloto a bordo do que uma aeronave ‘single pilot’ operando em linha aérea. Porque uma aeronave não tripulada já teria resolvido as três questões apontadas acima, só restando a questão tecnológica (principalmente de perda de contato entre a aeronave e o controle em terra), e o “detalhe” do desconforto psicológico dos passageiros. Enquanto que o avião ‘single pilot’ jamais conseguirá resolver adequadamente aquelas questões, especialmente a terceira.

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O artigo da Flying discute uma outra questão relativa á operação ‘single pilot’ que eu acho que também merece alguma reflexão. Trata-se do post do Dick Collins “Phenom jet v. house – everyone loses in terrible tragedy“, que trata do recente acidente com um Phenom 100 nos EUA (o primeiro com vítimas para este modelo de avião). Na realidade, em termos práticos para a operação aérea de hoje no Brasil, esse artigo é que é verdadeiramente importante!

O que o Dick fala é, resumidamente, o seguinte: as autoridades aeronáuticas não deveriam certificar a operação de jatos ‘single-pilot’ sem autothrottles. De acordo com o autor, tanto o recente acidente com o Phenom, quanto diversos outros que ele cita no texto, tem relação direta com esse fato. Um caso interessante para se pensar, não?

2 comments

  1. 1)- A melhor maneira de se condicionar para fazer frente a uma “pilot incapacitation situation” é manter crew coordination e situational awareness no mais alto grau (sterile cockpit, standard callouts, deviation callouts) etc. Minha humilde opinião se baseia em experiência própria, b.t.w.;

    2)- Particularmente, sou contra certificação Single-Pilot em jatos, sejam de porte normal, VLJ’s etc…é só alguma coisa sair fora do “script” (não precisa nem uma pane grossa; um “barata-voa” com arremetidas múltiplas, numa TMA congestionada é o quanto basta para o avião deixar o aviador comendo poeira). Economia de palito em banquete. Quem não tem dinheiro para pagar um salário de copiloto é melhor andar de TAM ou de GOL etc…

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