Os acidentes aeronáuticos caem, segundo a ANAC (em termos absolutos e relativos) – Então porque a nossa percepção é a inversa?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A ANAC publicou hoje em seu portal uma nota – “Índice de acidentes aéreos tem redução de 14,5% em 2014” – comemorando uma redução significativa nos índices de acidentes de acidentes aeronáuticos em 2014. “Ah, mas os dados são sobre linha aérea!”. Negativo: logo no subtítulo, a nota já esclarece que o referido índice “representa a aviação geral”. “Ah, mas o índice não considera a redução da operação ocorrida no ano da Copa, e…”. Negativo também: “A redução de acidentes ocorreu em cenário de expansão do número de movimentos de aeronaves da aviação geral, que cresceu 5,2% em 2014, segundo informações do Sistema DCERTA” – diz a nota. “Ah, mas e quantos morreram? Certamente foram mais que nos anos anteriores!”. De acordo com o texto do portal da Agência, “O Brasil também se manteve abaixo da média móvel de acidentes fatais na aviação regular em comparação ao restante do mundo. Foram 0,19 por um milhão de decolagens em 2014, enquanto a média mundial está em 0,39 por um milhão de decolagens.”. Ou seja: admitindo-se como correto o que está escrito no site da ANAC, houve um aumento, de fato, na segurança da aviação, seja por que ponto de vista você queira enxergar a questão. Lindo, não?

O problema é que a percepção de quem atua na aviação geral brasileira é exatamente a oposta! Pilotos e operadores são unânimes em afirmar que voar nunca foi tão inseguro – basta conversar com esses profissionais em qualquer hangar. Mais do que isso, um dos fatores de insegurança apontado por este público é justamente a falta de fiscalização por parte da ANAC – que a nota também cita, só que positivamente (!?).

Então, como explicar esse paradoxo? Alguém tem alguma sugestão?

13 comments

  1. Augusto Fonseca da Costa
    3 anos ago

    www2.anac.gov.br/rab/arquivos/categoria.xls

  2. Augusto Fonseca da Costa
    3 anos ago

    Mais acima Raul Marinho pergunta se alguém tem alguma sugestão sobre a falsa diminuição de acidentes publicada pela ANAC.
    Tenho sim, perdi meu filho de 19 anos em acidente com um Super Petrel LS há 70 dias e desde então só tenho pesquisado sobre esta categoria experimental que vem tendo grande expansão. No sul do Brasil, em 2012 os 941 PET (experimentais) já quase igualavam os 1.034 aviões certificados privados (TPP), como se vê no site www2.anac.gov.br/rab/arquivos/categoria.xls . Hoje o número de PETs já deve ter ultrapassado o número de TPPs. Muita gente que poderia comprar um avião e contratar um piloto, opta pela economia de adquirir um experimental (mais baratos) e voar ele próprio com uma “carteirinha” de CPD ou CPR (mais fáceis de obter), diminuindo de fato o mercado de trabalho para pilotos profissionais.
    Grande parte desta distorção na tal estatística da ANAC, se deve ao fato de que os acidentes dos milhares de experimentais não são investigados pelo CENIPA e por isso não entram na estatística. Segundo a NTSB, (http://www.ntsb.gov/news/press-releases/Pages/PR201200522.aspx) só em 2011 nos EUA houve 224 acidentes com experimentais. 54 dos quais FATAIS. De 2001 a 2011 a taxa de acidentes com experimentais nos EUA era mais que o DOBRO da taxa dos certificados e houve o TRIPLO DE MORTES. Aqui no Brasil essas proporções deverão ser no mínimo iguais, ou piores.
    Lá se investiga, lá se publica…

  3. Fred Mesquita
    3 anos ago

    Considero a necessidade de fiscalização diretamente proporcional ao nível educacional. Fiscalização de todos os tipos só existem porque há quem sempre deseja burlar a lei. Se cada um fizer a sua parte, sem necessitar do famoso “jeitinho brasileiro”, não seria necessário fiscalizar nada. Como em muitos países da Europa, muito se vê regras que não são quebradas, e sem a necessidade de ser fiscalizada, porque a população respeita a lei. Se o povo brasileiro fosse 50% mais educado, se parasse de reclamar dos políticos, seríamos uma nação mais séria, e sem a necessidade de fiscalização.

    Enfim, colocar culpa nos outros sempre é o melhor caminho. A culpa é da ANAC, mas o que você tem feito para mudar esse paradigma? Só reclamar não resolve….

  4. Jean
    3 anos ago

    Os acidentes considerados são publicados em:
    http://www.anac.gov.br/Conteudo.aspx?slCD_ORIGEM=26&ttCD_CHAVE=178
    Ainda devem publicar os de 2014.

    Pra mostrar q estariam falsificando dados, bastaria achar um acidente que não esteja nas tabelas (lembrando q o CENIPA pode reclassificar ocorrências…).

  5. Hubner
    3 anos ago

    É relativamente simples compreender o que acontece, sobretudo pela percepção que é mais realista do que a ANAC.

    A ANAC foi criada com a finalidade de regular e fiscalizar, o que acabou sendo subvertido por fazer política e punir.

    A ANAC e a SAC são meros braços políticos com poupudos orçamentos nos quais os políticos e os partidos metem suas mãos grandes ao invés de promover reais benefícios.

    Sendo assim, a percepção só seria ratificada pela transparência. E transparência não é exatamente algo que ANAC tenha alguma afeição.

    • raulmarinho
      3 anos ago

      Ok. O problema é que os dados sobre os acidentes são do CENIPA.

      • saco cheio
        3 anos ago

        Todos farinha do mesmo saco.

      • Hubner
        3 anos ago

        Isso é verdade, os dados são do CENIPA, mas eu não duvido que a ANAC meta o dedo no meio Raul.
        Uma coisa é prevenir acidentes, outra coisa é publicar estatísticas, sobretudo em um governo que tem tara por distorcer números.

      • Hubner
        3 anos ago

        Você não se lembra que no ano passado a ANAC usou RELPREV para punir tripulações?

  6. Helder Britto
    3 anos ago

    Bom… como a ANAC é subordinada ao atual governo e a gente já sabe o histórico de mentiras e manipulações de dados deste atual governo, inclusive no IBGE que sempre foi idôneo nos governos anteriores!! Então, na minha opinião tem “9 dedos” de alguém nessa história!!

    • saco cheio
      3 anos ago

      Helder, vc foi perfeito no seu comentário. Anac, SAC, IBGE, Sindicatos, etc…tudo e todos paus mandados e bando de tangas frouxas.

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