O Petrolão e os empregos na aviação geral

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Nesse conjunto de escândalos denominado Petrolão – que envolve o pagamento de propinas bilionárias pelas empreiteiras ligadas à Petrobras, com o envio de recursos pela rede de doleiros comandada pelo sr. Adalberto Youssef para políticos e altos executivos da petroleira -, estamos vendo dois segmentos econômicos seriamente envolvidos: o do petróleo e o da construção civil. Ocorre que, tanto um quanto outro são grandes usuários de serviços da aviação geral, tanto no transporte de pessoas em helicópteros nas plataformas, quanto no de executivos das empreiteiras (asa fixa e rotativa). No caso do petróleo, ocorreu a infeliz coincidência de o preço desta commodity ter desabado no mercado internacional, o que deverá diminuir ainda mais o ritmo da exploração do chamado Pré-Sal.

Com isto, deveremos ter em 2015 menos contratações (e, possivelmente, mais demissões) tanto nos táxis aéreos com contratos junto à Petrobrás, quanto na aviação executiva das aeronaves de propriedade das empreiteiras – e também dos doleiros e demais agentes que orbitavam esse esquema de corrupção. E, para piorar a situação, tanto os táxis aéreos que atuam nas plataformas quanto as aeronaves executivas das empreiteiras estão no estrato superior da aviação geral, ou seja: os empregos afetados deverão ser justamente os mais bem remunerados. Daí, deverá ocorrer aquele velho problema: o piloto de Gulfstream desempregado vai pilotar Citation, o do Citation vai para o King, o do King para o Seneca, e o do Seneca volta para o aeroclube, diminuindo as chances de emprego do recém-formado – vide a explicação mostrada aqui.

(Desculpem o banho de pessimismo já no início do ano…).

 

 

5 comments

  1. Marcelo Busana
    3 anos ago

    Raul, vale comentar que esta previsão pessimista nada mais é do que o reflexo do que deveria ter ocorrido em tempos anteriores, se não tivesse existido o Petrolão, existiriam menos executivos com o bolso forrado para ficar viajando, existiria uma maior concorrência e consequentemente um menor gasto com supérfulos! Ou seja os táxis aéreos e aviação geral teria uma menor crescimento do que realmente teve, então se hoje houver uma queda na aviação por este motivo, é um ajuste a realidade.

    Agora se não tivesse existido o Petrolão talvez operações produtivas como offshore estivessem mais aquecidas, afinal com recursos melhores investidos, teria um aumento de movimento, preços mais competitivos, maior venda e por ai vai. Sem contar a própria aviação que sofreu muito em 2014 com os aumentos abusivos, pelo menos do Avgas que eu acompanho.

  2. Hubner
    3 anos ago

    Aquela música do Cazuza, interpretada pela Gal Costa, tema de uma de novela….

    “Não me ofereceram
    Nem um cigarro
    Fiquei na porta estacionando os carros
    Não me elegeram
    Chefe de nada
    O meu cartão de crédito é uma navalha”

  3. cleverborges
    3 anos ago

    Sem contar também Raul, às outras grandes obras que podem ser paralizadas por terem algumas empreiteiras do petrolhão envolvidas!!!

  4. Lembrando que existe uma alternativa (muito válida, ainda mais agora que o dólar não pára de subir e o petróleo não pára de descer): sair do Brasil e ir para lugares onde a gente é mais bem pago, mais bem tratado, prestigiado e respeitado como profissional. Se você me permite, Raul, deixo aqui o link do nosso site com uma listagem de portais de empregos no exterior (http://www.lhtaviationconsultant.com/264873273). Obviamente há vários outros e não são empregos só para linha aérea regular. Há posições para Aviação Executiva (jatos, turboélices, helicópteros etc), Regionais (ATR, Saab, ERJ’s, E135/45 etc) e por aí vai. Quem estiver considerando uma carreira no exterior, tenho 10 anos como expatriado e estou à disposição para ajudar a sanar as dúvidas que sempre surgem.
    Boa Sorte para todos nós.

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