Ainda a investigação do acidente com o PR-AFA: já se sabe praticamente tudo o que se precisava saber, o que vier de agora em diante só interessa aos envolvidos com a aviação!

By: Author Raul MarinhoPosted on
946Views1

Como disse no post anterior, uma onda de histeria tomou a imprensa ontem, e tal como o Bambi gritando “fogo na floresta! fogo na floresta!”, jornalistas saíram bradando internet afora: “os pilotos não eram habilitados! os pilotos não eram habilitados!” – ou “o piloto e o copiloto (sic) não eram habilitados!”, para ficar mais de acordo com a maneira como foi noticiado. A questão é: os pilotos eram, sim, regularmente habilitados; o que aconteceu é que, um mês antes do acidente, a ANAC criou uma nova habilitação para o XLS+, diferente da do XLS, que os pilotos deveriam obter quando da renovação. Mas, na data do acidente, eles não precisariam ter realizado o treinamento e cheque no XLS+; e, principalmente, não está provado que essa falta de treinamento tenha relação direta com o acidente, mesmo porque os pilotos já haviam realizado dezenas de operações com o PR-AFA – logo, na prática, eles estavam familiarizados com a aeronave. Mas isso não é o foco deste post, então vamos ao que interessa.

O acidente, como se sabe, vitimou um candidato á presidência, que estava em campanha, e com possibilidades concretas de, talvez não de ganhar o pleito, mas de, pelo menos, influenciar decisivamente nos resultados. Portanto, a grande dúvida na época do acidente era: foi um atentado, ou tratou-se de um acidente “normal”? Várias hipóteses foram levantadas, como:

  • Sabotagem: será que alguém manipulou algum mecanismo do avião para que ele se chocasse com o solo?
  • Bomba/míssil: corroborado pelos relatos de testemunhas que “viram” fogo na aeronave no momento da queda, será que algum artefato explosivo foi detonado à bordo, ou algum míssil foi lançado contra o PR-AFA?
  • Colisão com drones: havia rumores de que VANTs operavam no local; será que isso teve algo a ver com o desastre?

Ocorre que, pelas investigações, nada disso ocorreu e, na verdade, tratou-se de um acidente mesmo, como qualquer outro. Portanto, o que realmente importa informar ao público em geral é isso: não foi um atentado, não houve sabotagem, não houve bomba/míssil, e não houve colisão com drones. Desse ponto em diante – entender os fatores contribuintes do acidente -, as questões são muito técnicas, difíceis de serem entendidas pela população, e também de pouso interesse. “Ah, mas a imprensa tem que informar se houve alguma falha em treinamento, etc.”. Sim, concordo, mas isso só será possível quando o Relatório Final do CENIPA for publicado, pois especular sobre isso agora só vai desinformar o público. Que, por sinal, hoje tem certeza de que os pilotos simplesmente não sabiam pilotar a aeronave… É isso o que a imprensa conseguiu fazer até agora: induzir a população a achar os culpados – os pilotos. E ninguém mais se lembra de que, na verdade, revelou-se uma informação importantíssima ontem.

One comment

  1. Fred Mesquita
    4 anos ago

    A má informação repassada pelos órgãos de imprensa à população deve ser encarado como um repúdio. Mas, não querendo colocar mais lenha na fogueira, vou dar um exemplo bem prático.

    Numa causa judicial onde houver a possibilidade de o Juiz desta ação ter alguma relação com o Réu ou com algum fato ou indício que possa trazer prejuízo ao processo, o próprio Juiz deve se declarar incapaz, ou seja, ele abandona o prosseguimento do caso e passa a um Juiz substituto que não tenha vínculo algum com os autos do caso em questão.

    Pegando um gancho no exemplo citado acima, considero o CENIPA incapaz na investigação, já que tem tudo ha ver com o aeródromo em questão – uma base aérea militar da FAB. Ora pois, se o CENIPA é composto por militares da FAB e a pista de Santos é uma base militar da FAB, seria de se notar que a FAB não iria divulgar um possível erro da FAB. Então, o CENIPA estaria com a incapacidade de investigar o caso, mas como no Brasil só temos eles, algo pode ficar encoberto debaixo do tapete…. E tudo iria virar no futuro um livro com o título: Acidente em Santos – Uma Conspiração.

    É minha opinião Raul. Se eu sou réu em um processo não posso ser a testemunha de defesa.

Deixe uma resposta