Notícias sobre o mercado de trabalho internacional de pilotos

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Recentemente, a imprensa internacional veiculou duas matérias que, acredito, são de interesse para o piloto brasileiro entender melhor o que se passa no resto do mundo da aviação:

AirNation: “The Coming U.S. Pilot Shortage Is Real

Esta reportagem retoma o tal do “apagão de pilotos” americano com alguns fatos novos:

  • Um aumento verificado nos salários de pilotos de linhas regionais dos EUA, de U$20mil/ano para US$30mil/ano – que ainda é pouco para os padrões americanos, mas já representa 50% de aumento na renda deste segmento, o que é significativo;
  • O esforço da RAA-Regional Airline Association no sentido de estimular a formação de novos pilotos americanos, com um programa de subsídios aos instrutores recém-formados que tenham diploma de graduação;
  • O estudo da FAA para reduzir a quantidade de horas de voo necessárias para que pilotos com diploma de graduação possam checar o certificado de ATP (equivalente ao nosso PLA) – hoje, o piloto da FAA com nível superior tem este requisito reduzido de 1.500h para 1.000h; e
  • O esforço das companhias aéreas e dos sindicatos de aeronautas no sentido de criar normas para equilibrar o nível salarial dos profissionais em início e fim de carreira, permitindo que se ganhe mais no começo em troca de reduções salariais no final da carreira.

Bloomberg Business: “Budget Airlines Shop the World for Cheaper Pilots

Já esta reportagem trata das estratégias heterodoxas de recrutamento de pilotos de duas companhias europeias, a irlandesa Ryanair e a norueguesa Norwegian Air Shuttle (além de quatro outras companhias europeias de menor porte, que não tiveram seus nomes citados). De acordo com a matéria, baseada em estudos da Universidade de Ghent, na Bélgica, estas companhias estariam criando estruturas legais alternativas, baseadas em diversos países fora de suas bases, para diminuir os custos dos contratos de trabalho de pilotos – uma mistura de ‘pejotização’ com parísos fiscais trabalhistas.

 

9 comments

  1. Bruno
    4 anos ago

    Uma dúvida, aproveitando o gancho do Fábio e Felipe. Vocês acham que alguma cia asiática contrataria com menos de 500h de comando?

  2. Batistaca
    4 anos ago

    Um passarinho verde de dentro da TAM me disse que se esse programa do governo de estimular a aviação regional der certo, vai ser um dança das cadeiras enormes podendo faltar pilotos, oq os senhores acham disso concordam??

    • raulmarinho
      4 anos ago

      Mais fácil faltar água salgada no Oceano Atlântico…

    • gustavocarolino
      4 anos ago

      Olá Batistaca:

      Aonde houver ética e respeito, haverá estabilidade e bom juizo. Não tenha duvidas que há profissionais trabalhando para transformar a aviação no Brasil (e servir de exemplo para o estrangeiro).
      Todavia, observe que a formação acadêmica na formação profissional, aliada às habilidades motoras, vem, não apenas no Brasil, sendo fruto de grande valorização.

      O profissional deve valorizar sua formação, pois, o equipamento mais importante na prevenção de acidentes aeronáuticos é o equipamento humano.

      Devemos valorizar a formação e não permitir sermos tratados como componentes descartaveis. Há solução clara e lógica para isso, mas a união é e será fundamental para vivermos estaveis, promovermos máxima eficazia na promoção de segurança operacional de voo e sermos devidamente valorizados.

      • gustavocarolino
        4 anos ago

        *eficácia

    • Marcos Véio
      4 anos ago

      Are you fucking kidding me?

  3. Enquanto a China (e boa parte do “Far East”) mais o Golfo Pérsico funcionarem como “aspirador de pilotos” do planeta e a China e a Ásia Central continuarem a pagar os salários que pagam, as low cost/low fare/low respect/no benefits podem fazer os malabarismos que quiserem, que continuarão sendo a “escolinha” das empresas orientais. Nego entra, pega o type rating, junta 500 horinhas e vaza na braquiária. E eu – se fosse novo – faria a mesmíssima coisa (de novo!).

    • felipe pens
      4 anos ago

      Boa tarde Fábio, o que é “type rating”? e essas 500 horas seriam em comando? seriam as necessárias em media em termos de experiência pra tentar entrar em alguma cia asiática?

      • Desculpe, Felipe, só vi a pergunta agora.

        “Type rating” é habilitação de tipo (ex.: B737, A320 etc).

        “Class rating” é habilitação de categoria, ou seja “monomotores terrestres”, multimotores terrestres” (lá nos EUA chamam de M.E.L.-Airplane, i.e. “multi engine land – airplane) etc., sendo que – para quem tem PLA (ou ATP, nos EUA) o IFR não figura entre as qualificações, porque o FAA considera que é inerente à licença. Faz mais sentido, não?

        “500 P.I.C.” = 500 horas, Piloto em Comando, quando é para entrar diretamente de comando. É o padrão mínimo atual de exigência dos operadores 121 da Ásia e outros mercados de alta demanda, sem prejuízo de outras marcas também aplicáveis, como total de horas X, total de horas Y em jatos acima de um certo peso máximo de decolagem certificado, etc…depende da empresa, da autoridade aeronáutica local e até de companhias de seguro, às vezes.

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