CENIPA informa que houve redução de 12% nos acidentes aeronáuticos em 2014

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O CENIPA publicou hoje uma nota dizendo que a Taxa de acidentes aeronáuticos reduziu 12% em 2014. Que bom! Mas, embora o texto não especifique qual foi a redução RELATIVA da referida taxa (ou seja: levando-se em conta as horas voadas em 2014 sobre 2013, essa redução foi maior ou menor que 12%?), eu acho que o trecho abaixo reproduzido precisa ser mais bem explicado:

A redução no número total de acidentes é resultado do trabalho de prevenção realizado pelo CENIPA com a participação do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e outros órgãos do Estado Brasileiro com responsabilidade na segurança da aviação em suas campanhas educativas.

Quer dizer então que as “campanhas educativas” das autoridades aeronáuticas reduziram os acidentes? Será que é tão simples assim? Será que, por exemplo, o acidente com o PR-AFA, que matou o então candidato Eduardo Campos, ocorreu porque os pilotos daquela aeronave não participaram das “campanhas educativas” do CENIPA?

Eu tenho sérias desconfianças de quem “se auto-parabeniza a si mesmo”. Gostaria muito que as autoridades do setor levassem mais a sério os estudos sobre o contexto dos acidentes aeronáuticos em nosso país, e evitassem esse tipo de auto-bajulação simplista. Acho que a comunidade aeronáutica merece explicações mais detalhadas e sérias sobre este assunto – mesmo que, em princípio, um determinado índice pareça apontar para uma melhora nas condições de segurança de nossos ares. Não se reduz uma questão tão complexa a um mero percentual, e nem se explica isso de maneira tão primária.

 

 

9 comments

  1. gustavomcarolino
    5 anos ago

    Dizem o seguinte: A prevenção de acidentes aeronáuticos é uma tarefa ingrata. Pois, você nunca irá conhecer o quanto de vidas você salvou por ter feito determinada ação.

    Compreendo a crítica, pois, justamente não se consegue a principio verificar se tratar de companhas educativas a redução a que se referiu ou uma baixa de circulação de aeronaves de dadas categorias, como as privadas, que costumam se envolver em numero mais expressivo em ocorrencias como um acidente…

    Considero os trabalhos do CENIPA importantes, mas que precisa de melhorias. Sou a favor de uma agencia de segurança dos transportes nem totalmente militar, nem totalmente civil. Mas autonôma. Mas isso é outra história.

    Acredito que a propria investigação é uma campanha educativa, através de laudos com rigor ciêntifico e de engenharia, traz ao conhecimento de todos os riscos da presença de varios e varios fatores.

    Inclusive, sobre a fadiga, que foi relatada por um dos pilotos do PR-AFA. Mas agora, tudo bem: ele relatou estar “cansadaço”. Mas e ai? Que autonômia teria ele de se afastar do voo sem sofrer duras penas capitalistas?

    Eu diria ser tema muito complexo. Jornada de trabalho de tripulante simples 11 horas? 9 horas e meia de voo…(?). Em voo domestico? É adequado isso?

    O tema “ações educativas” é muito mais complexo que pude pensar. Agora, vejo.

    Educação é o pilar que sustenta a tomada de decisão de cada um. Que não nós permite ignorar o que percebemos. Pois há, como foi o caso, devida educação, porém não a percepção… o que mudaria tudo.

    Então, quantos acidentes foram evitados, por o CENIPA ou quem for (elo-sipaer: você, passageiro, seu vizinho, seu amigo… seu colega) informou a outra pessoa sobre o risco da automedicação?

    Dos riscos em voar IMC não estando ou o tripulante ou aeronave ok?

    Quantos acidentes foram evitados, pelas ações lá na Manutenção, como foi o caso daquelas 10 horas que tivemos de “CENIPA fala que eu te escuto” no hangar da GOL em 2014? Das imagens, da transmissão de conhecimento sobre o principio Manutenção Estéril, CRM?

    Sei que o Brasil merece campanhas melhores, a educação aeronáutica peca com força. Muita força.

    Mas compreendo que há um lado ingrato na prevenção (não saber quantas vidas ou materiais se salva por elevar a percepção da sociedade sobre os mais variados temas). E de outro, a baixa dimensão dos trabalhos no Brasil em Safety para comunidade Geral…

  2. Antonio Macedo
    5 anos ago

    Campanha para 2015.
    Crise + AVGAS na alturas + restrições ao vôo da aviação geral = acidentes que queda.
    Simples. Não voa, não cai !!
    Ai o crédito é do CENIPA?? Não, é do PT !!!
    Tá tudo errado …..!!!

  3. Hubner
    5 anos ago

    Esse texto mais parece uma peça publicitária de auto-laureação do que uma nota pública sobre a redução de acidentes.

    O que mais me entristece é que, além de não darem transparência à metodologia, eles excluem completamente a comunidade da aviação civil, como se os órgãos da aviação estivessem em um panteão exclusivo de sabedoria. Pura hipocrisia.

    Mas sobre qualquer coisa relacionada à isso, lamento pelo papel ao qual o CENIPA se presta. Ainda tenho o CENIPA em alta conta, mas ao que me parece, também estão cedendo à marketagem política barata.

  4. Rodrigo Edson
    5 anos ago

    Estimado Raul

    Muito bom dia!

    Uma coisa garanto, 2015 teremos menos acidentes ainda, graças à crise economica e não aos investimentos prometidos na aviação.

    Um abraço

    Rodrigo

    • raulmarinho
      5 anos ago

      Pelo andar da carruagem, 2015 vai ser o melhor ano da história em termos de segurança de voo!

      • Southpilot
        5 anos ago

        Imagina o texto da divulgação dos dados de 2015 no ano que vem.

  5. Gustavo
    5 anos ago

    sem a metodologia para saber se a redução é real ou meramente estatística… é nada mais nada menos que apenas um bom “parabéns a mim mesmo”

    e advinha, em ano eleitoral teve redução no número nacional de horas voadas. ainda mais na copa…

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