O que realmente deve ter influenciado na redução de acidentes aeronáuticos em 2014

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Conforme informado neste post de ontem, o CENIPA creditou como sendo seu próprio mérito (junto com as demais autoridades aeronáuticas vinculadas ao Governo Federal, é claro!) a redução da quantidade de acidentes em 2014, comparativamente a 2013: seriam suas “campanhas educativas” as responsáveis pelo feito. Ok, é direito do CENIPA publicar o que quiser em seu portal, assim como é direito meu não acreditar em explicação de tamanho simplismo e carência de dados que a justifiquem (quantas ações de caráter educativo foram realizadas a mais em 2014, que expliquem essa afirmação, por exemplo?). E eu também posso escrever o que acho que teve verdadeira influência nessa redução de acidentes, que é o objetivo deste post.

O que houve de extraordinário na aviação em 2014? Alguém se lembra do fato marcante do ano passado? As eleições? Não… Isso acontece ano sim, ano não, e nunca se provou haver correlação de eleições com acidentes aéreos – muito embora pelo menos um acidente tenha acontecido no contexto de uma campanha eleitoral, o do Eduardo Campos, o que mostra que, se for para haver influência no índice de acidentes, ela é para mais. A canonização do Papa João Paulo II? Bem, isso foi um evento único, muito importante para a Igreja Católica, mas não tem nada a ver com a aviação brasileira. Na realidade, o evento extraordinário de 2014 que teve correlação direta com a aviação foi a Copa do Mundo de Futebol da FIFA, que praticamente paralisou a aviação geral por mais de um mês – sem contar o absurdo aumento da fiscalização da atividade aeronáutica no período. Ora, se voou-se menos e com muito mais fiscalização em parte do ano de 2014, parece-me evidente que este fato, por si só, pode ter tido maior influência na redução de acidentes aéreos no ano passado do que as tais “campanhas educativas” do CENIPA. Ou não?

 

10 comments

  1. Humberto Branco
    4 anos ago

    Raul, como já tivemos a oportunidade de comunicar à Anac e Cenipa, várias vezes, até que se tenha um mínimo de humildade para começar a copiar o The Nall Report (http://www.aopa.org/Pilot-Resources/Safety-and-Technique/Accident-Analysis/Joseph-T-Nall-Report), no Brasil, esses dados divulgados pelo Cenipa nunca vão passar de insumos insuficientes para se tirar conclusões erradas. Desculpe-me mas não vejo sentido nenhum em sequer debater tendências de segurança e acidentes com órgãos que nunca trabalharam para apresentar dados de acidentes por volume de horas voadas, classificados adequadamente. A APPA, com o IAOPA, ofereceu acesso irrestrito à base de dados do Air Safety Institute aos órgãos reguladores brasileiros. Nunca houve interesse algum nisso. Lamentável não haver sequer bases de dados e análises minimamente confiáveis para se começar o debate…

    • raulmarinho
      4 anos ago

      Na falta de dados… Se o resultado é bom: “fui eu””; se é ruim: “foi vc”. Este é um comportamento até compreensível no âmbito da política, mas numa entidade de caráter estritamente técnico, como o CENIPA, é absolutamente reprovável. Como um órgão de PREVENÇÃO de acidentes não se aprofunda no estudo de suas causas?

  2. Andre Goulart
    4 anos ago

    O que aconteceu de fato foi que, a Anac, Cenipa e outros inúteis más, tiveram uma atuação tímida em relação a outros anos! Ou seja quando o trabalho da Anac e sua fiscalização quase não acontece os acidentes diminuem…Por que eles não estão atrapalhando o trabalho de quem sabe trabalhar…Qualquer interferência deles a título de fiscalizar ou organizar protocolos e procedimentos acaba resultando e fatores que favorecem acidentes…Acreditem é isso mesmo!

  3. Pacelli Francesco
    4 anos ago

    Prezado Raul Marinho, também acho que uma estatística tem que levar em consideração vários fatores antes de mostrar números, Por isso pergunto com toda humildade de ser somente um PPA Teórico, O clima não foi um dos fatores que reduziu esse número não? Tivemos um ano mais seco e com isso mais voos visuais não?

    • raulmarinho
      4 anos ago

      A quantidade de acidentes pode ter a ver com meteorologia, sim, mas não acredito que seja o caso. O que mais atrapalha o voo visual são os nevoeiros, não as chuvas.

  4. Daniel
    4 anos ago

    Sem falar no absurdo que está o preço da manutenção, avgas/qav e também que é impossível passar plano por telefone nas principais salas AIS do país.

  5. Anonymous
    4 anos ago

    No Brasil me parece que os números são mais importantes do que qualquer outra coisa.
    A ANAC está buscando o índice de zero acidente e vão conseguir isso! Do jeito que estão tratando a aviação em breve não terá mais piloto nem aeroporto nem aeronave.
    Zero voos zero acidentes.
    Parabéns ANAC. ;)

    • Southpilot
      4 anos ago

      Isso me lembra aquela política do Ministério da Educação um tempo atrás de aprovação compulsória. Todo mundo era aprovado não importasse a nota e as nossas autoridades saíam comemorando de que nunca tiveram tanta gente “aprovada”, “estudando” e diminuindo a evasão escolar. É a mesma estratégia da incompetência.

    • Leitor
      4 anos ago

      comentário perfeito.

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