Sobre as dificuldades para conseguir ter a inscrição aceita no Curso Básico de Prevenção a Distância do CENIPA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O CENIPA oferece um Curso Básico de Prevenção a Distância para toda a comunidade aeronáutica, civil e militar – que, de acordo com o próprio órgão, é “pré-requisito para realização de outros cursos promovidos pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa)”. Ainda de acordo com o Centro, “serão oferecidas mais de 500 vagas com o objetivo de capacitar profissionais que atuarão como auxiliares na prevenção de acidentes aeronáuticos na aviação brasileira”. Neste blog, inclusive, foi publicado um post convidando os leitores  ser inscrever.

Pois muito bem: acabou de sair o resultado de quem foi admitido no curso, e adivinhem? Muita gente ficou de fora, e ninguém sabe exatamente quais foram os critérios de seleção. Um leitor, inclusive, me enviou a mensagem que reproduzo abaixo, que ilustra bem o sentimento de quem foi preterido neste processo seletivo:

Sou piloto de helicóptero e chefe de instrução na XXX Escola de Aviação. Venho aqui expressar minha indignação com relação à ANAC e ao CENIPA no que se refere à seleção de candidatos para o curso CBPAA-EAD ministrado pelo CENIPA. Este curso foi ministrado, se não me engano, apenas uma vez no ano de 2014, e tem a previsão de ser realizado mais uma vez em 2015. Em 2014, eu tentei, sem sucesso, a matrícula, cujo os candidatos foram selecionado pelo CENIPA. Em 2015, a seleção passou a ser feita pela própria ANAC. Segui todas as instruções contidas no site do CENIPA e fui respondido pela ANAC dizendo que aguardasse a divulgação da lista. Quando essa foi divulgada, com quase 15 dias de atraso, meu nome não estava ali, porém o que mais me incomodou não foi a falta de oportunidade de realizar o curso, foi a maneira como divulgaram os candidatos. Em 2014 foi divulgado junto com nome do candidato, qual era a organização que solicitara a matrícula, (pode conferir no link: http://www.cenipa.aer.mil.br/cenipa/Anexos/article/1005/Matriculados%20CBPAA%20EAD%202014.pdf). Porém, em 2015, não: apenas os nomes desses foram divulgados, o que me incomoda bastante, visto que em 2014 são poucos os nomes relacionados a empresas particulares, e não consegui identificar nenhuma escola de aviação que tenha conseguido matricular alguém para esse curso que é a base para o treinamento de um Elemento Credenciado. Nossa empresa tem uma enorme preocupação com a segurança de voo, e estamos tentando melhorar o nível de nossos profissionais, porém o acesso a treinamento específico se torna bem complicado com essas políticas de recrutamento, onde, ao meu ver, não estão favorecendo o acesso a todos os interessados.

Ao que parece, faltou transparência no processo. Vou entrar em contato com o CENIPA e a ANAC, enviando o link deste post, para que os órgãos possam responder à comunidade aeronáutica o que realmente aconteceu.

10 comments

  1. Roberto
    5 anos ago

    Tentei junto ao safety da empresa que trabalho (laranja) a indicação para fazer o curso e nem isso consegui. Me foi dito que 80% das vagas (do total das 500) era destinada para militares e que os outros 20% são divididos para os simples mortais. A moça do safety abriu uma planilha no computador e mostrou uma lista de espera para indicação da empresa de quase cem nomes e o pessoal do safety além disso teria preferência (compreensível) para tal indicação. É a peneira antes da peneira.

  2. Marcius
    5 anos ago

    Pelo quarto ano consecutivo tento, sem sucesso, participar do CBPAA-EAD através das indicações das empresas onde trabalho atuando, especificamente, na área da Segurança Operacional.
    Acredito na seriedade do CENIPA, mas esse modelo de promoção/seleção de curso de prevenção está a cara da nossa aviação: inoperante.

  3. Pedro Santos
    5 anos ago

    Eu tenho outro exemplo sobre esses cursos.
    Há 4 anos eu me inscrevo, e sempre fico de fora.

    Percebo que é dada preferência a participantes de organizações, mas mesmo assim não entendo a restrição de 500 inscritos.
    Se o curso é EAD, não há limitações físicas, qual é a dificuldade em permitir 5.000 participantes?

    A forma centralizada e não transparente nos deixa pensando se não é uma forma de “criar dificuldades para vender facilidadesä…

  4. Vitor
    5 anos ago

    Pois bem, atuo na área de instrução de voo e também fui indicado pela minha instituição para ser matriculado no curso. Aparentemente na ótica do CENIPA, pessoas que atuam diretamente na formação inicial de pilotos não necessitam de especialização na área de segurança de voo. A frustração em não conseguir a matrícula não diminui em nada minha vontade de atuar na área de segurança de voo. Quem sabe na próxima o CENIPA não reveja seus conceitos. Bola pra frente!

  5. projetoaviador
    5 anos ago

    Reprodução e-mail ao CENIPA
    ================================
    Ao Exmo. Sr. Chefe do Cenipa:

    Assunto: Comunicação de equívoco e sugestão de incorporação filosófica de âmbito SIPAER

    Por ocasião de equivoco interpretativo observado nos trâmites de capacitação SIPAER, em especial, relativo às condições exigidas para inscrição e matricula nos Cursos Básicos de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, escrevo, acreditando que a presente comunicação implicará em melhorias e que tal equivoco seja, então, eliminado.

    Ocorre que, para inscrição no supramencionado curso, pré-requisito para os demais – a exemplo, há recorrentemente equivoco que rege contra a elevação da segurança da aviação e do transporte aéreo. Segue:

    “A pessoa física, obrigatoriamente, vinculada a uma instituição, deve manifestar a sua vontade de fazer o curso ao chefe, diretor, comandante ou presidente da organização. Assim, deverá ser emitido um documento pela Pessoa Jurídica, indicando os profissionais que concorrem à matricula no curso” (Os grifos são meus)

    Tal interpretação, errônea, vem ainda complementada pela orientação normativa, correta e compreensível, NSCA 3-10:

    “Os cursos e estágios ministrados pelo CENIPA destina-se prioritariamente aos profissionais vinculados a pessoas Jurídicas (…)” ( Grifo meu)

    Observa-se aqui o sentido da palavra prioritariamente, que deriva de priorizar, no sentido de dar preferencia e não exclusividade. Então, verifica-se que por um equívoco de interpretação ocorrido, por diversas vezes, vários indivíduos estiveram sujeitos a privação de frequentar tais cursos, por não estarem, naquele momento, empregados.

    Ao recorrer nas filosofias SIPAER, verifica-se, em especial, a seguinte: “Na prevenção de acidentes não há segredos nem bandeiras”

    Sendo assim, verifica-se o grau de urgência necessário à correção do equívoco aqui reportado, uma vez que, ao privar demais operadores – inclusive privados, estudantes, pesquisadores e demais pessoas com forte motivação em atuar na prevenção, há prejuízo ao sistema SIPAER, que, na forma que se encontra agora, limita suas ações de capacitação, em grande parte, à operadores de bandeiras (linhas aéreas).

    Sugero, ainda, que seja estudada a possibilidade de ampliação filosófica SIPAER, onde faça valer o papel do homem no sistema, em contribuição, envio minha proposta: “O equipamento mais importante na prevenção de acidentes aeronáuticos é o equipamento humano”.

    Por reconhecer os trabalhos deste Centro, bem como sua competência, finalizo me colocando a inteiro dispor para outros esclarecimentos e/ou para ajudar a sanar tais questões.

    Respeitosamente,

    Gustavo Mateus Carolino
    gustavocarolino@ig.com.br
    (31) 9397-6xxx

    Ipatinga – MG

    Enviado às 15H29 (HBV). 19 de fevereiro de 2015.

  6. projetoaviador
    5 anos ago

    Olá Raul!
    Há uma falha de entendimento, semelhante a que reportou que ocorre na ANAC… interpretação de alguém que esta barrando todo mundo…. irei te enviar um documento (cópia de e-mail).

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