Esclarecimentos da ANAC e do CENIPA quanto às inscrições no Curso Básico de Prevenção a Distância do CENIPA

By: Author Raul MarinhoPosted on
1547Views7

Reproduzo abaixo os esclarecimentos da ANAC e do CENIPA quanto às inscrições ao Curso Básico de Prevenção a Distância do CENIPA, que me foi enviada pelas respectivas assessorias de imprensa daqueles órgãos – uma resposta ao discutido neste post. Comento em seguida.

Nota da ANAC:

Sobre o Curso Básico de Prevenção a Distância do CENIPA, a ANAC esclarece que a participação da Agência é contribuir com o órgão na seleção dos candidatos para um terço das vagas do curso, tendo em vista o público-alvo do evento. O trabalho da ANAC consiste na divulgação do curso para toda a comunidade da aviação civil brasileira e, posteriormente, na indicação para o CENIPA dos candidatos para essas vagas. O objetivo dessa indicação da Agência é dar prioridade na seleção, entre os inscritos, para os profissionais que trabalham ou que vão assumir funções relacionadas ao Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER), como Agente de Segurança de Voo (ASV) nos operadores 121,119, 135, 137, etc. Cabe esclarecer, ainda, que as inscrições são realizadas no site do CENIPA e o resultado de aprovação para realização do curso também é divulgado pelo CENIPA. Além disso, as demais vagas do curso passam pela seleção exclusiva do CENIPA. Ou seja, a ANAC apenas contribui na indicação dos candidatos para apenas um terço das vagas do curso, mas a aprovação da inscrição fica a cargo da seleção do CENIPA, bem como a divulgação do resultado.

Nota do CENIPA:

O Curso Básico de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos na modalidade a distância (CBPAA-EAD) é oferecido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) desde 2011, matriculando no mínimo 600 alunos por edição. A solicitação de matrículas é aberta a todos os interessados, chegando a 3000 por ano.

Sabemos que é interesse do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAER) a divulgação dos conceitos de segurança de voo para todos os que lidam direta ou indiretamente com a atividade aérea. No entanto, o CBPAA-EAD é pré-requisito para a maioria dos cursos ofertados pelo CENIPA e, mesmo ocorrendo em Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), exige o acompanhamento de um tutor. As vagas são limitadas em função do número de tutores disponíveis. Cada grupo de no máximo 25 alunos é orientado por um tutor que fica responsável por facilitar o aprendizado e provocar discussões sobre o conteúdo didático.

Essa seleção foi feita da seguinte forma: um terço das vagas foi preenchido por operadores e mantenedores da aviação civil brasileira regidos pelos RBAC 91, 135, 137, 145 e 121, indicados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Essa indicação é feita com base nas necessidades das empresas solicitantes.

Já o CENIPA é quem seleciona os dois terços, levando em consideração a necessidade das organizações solicitantes e com base nos seguintes critérios:
1.    Profissionais que atuarão nos processos de investigação de ocorrências aeronáuticas do SIPAER;
2.    Potenciais participantes/ contribuintes das investigações do SIPAER;
3.    Profissionais que pertençam a entidade oficial que realize prevenção e/ou investigação de ocorrências aeronáuticas;
4.    Profissionais de órgãos públicos que operem aeronaves;
5.    Profissionais da comunidade aeronáutica que não se enquadrem nos itens anteriores; e
6.    Membros da comunidade acadêmica ligados a atividades de aviação civil (dependendo do número de vagas).

A fim de ampliar o número de vagas e atender mais interessados em conhecer os conceitos de segurança de voo, o CENIPA estuda a criação de novos cursos de prevenção a distância, não limitados por tutoria.

Comento

Agradeço a ambas assessorias de imprensa pela gentileza em responder, mas eu acho que o principal não foi abordado. Tanto o autor do texto reproduzido no post acima citado, quanto os pilotos que o comentaram, são profissionais da comunidade aeronáutica (logo, no mínimo enquadrados pelo item #5 da nota do CENIPA) que tentam por repetidas vezes participar do Curso e não conseguem – enquanto que outros pilotos com as mesmas características conseguem. A principal reclamação diz respeito à transparência do processo seletivo, como cita o piloto que escreveu o texto citado no post:

Em 2014, eu tentei, sem sucesso, a matrícula, cujo os candidatos foram selecionado pelo CENIPA. Em 2015, a seleção passou a ser feita pela própria ANAC. Segui todas as instruções contidas no site do CENIPA e fui respondido pela ANAC dizendo que aguardasse a divulgação da lista. Quando essa foi divulgada, com quase 15 dias de atraso, meu nome não estava ali, porém o que mais me incomodou não foi a falta de oportunidade de realizar o curso, foi a maneira como divulgaram os candidatos. Em 2014 foi divulgado junto com nome do candidato, qual era a organização que solicitara a matrícula, (pode conferir no link: http://www.cenipa.aer.mil.br/cenipa/Anexos/article/1005/Matriculados%20CBPAA%20EAD%202014.pdf). Porém, em 2015, não: apenas os nomes desses foram divulgados, o que me incomoda bastante, visto que em 2014 são poucos os nomes relacionados a empresas particulares, e não consegui identificar nenhuma escola de aviação que tenha conseguido matricular alguém para esse curso que é a base para o treinamento de um Elemento Credenciado.

Ou seja: ninguém sabe “porque o Fulano foi escolhido e não eu”, e onde atua esse Fulano. Esse é que é o maior problema.

7 comments

  1. Fred Mesquita
    4 anos ago

    É de se lamentar esse tipo de transparência feita por uma parede. Um joga a responsabilidade para o outro e ninguém se assume. (em off): o Pessoal do CENIPA fala que hoje a indicação é da ANAC, e a própria ANAC fala que as indicações são feitas pelo CENIPA, e a coisa nunca anda.

    Já vi (e conheço) pessoas que são e estão na área operacional de muitas empresas aéreas, inclusive com curso de SGSO; e hoje vejo pessoas que nada tem ha ver com o setor, até mesmo um simples PP estava na relação dos “escolhidos”, enfim, sem querer desrespeitar o PP em questão, as indicações são feitas TAMBÉM na base do QI.

    É de se lastimar o ocorrido, provando que, até mesmo na esfera Federal da Segurança de Vôo, o “geitinho brasileiro” também impera.

  2. Luiz Mattos
    4 anos ago

    Realmente concordo que esse ano o Cenipa não divulgou os nomes vinculadas as entidades restringindo inclusive a seleção encaminha pela Anac (a mesma encaminhou com os nomes, função é instituição ) gerando muitas dúvidas, lembrando que a anac segundo Informações recebeu mais de 1000 inscrições para a seleção de um terço das vagas que mesmo assim ainda passam por uma segunda seleção, já que os nomes somente são indicados pela agência.

  3. AFabio
    4 anos ago

    Essa é uma resposta padrão do Cenipa! Infelizmente perderam o respeito que eu tinha por eles. O mais engraçado é que trabalho no setor de operações de um grande aeroporto e dps do curso básico teria que fazer o curso de investigação para autoridade aeroportuária. Minha pergunta é: em qual RBAC dos citados eu me enquadro? Então significa que não sou elegível para o curso?? #Cenipafail

  4. Bruno Aredes
    5 anos ago

    Realmente deixam muito a desejar na transparência, talvez mais do que na eficácia.

  5. pedropk
    5 anos ago

    Já que a limitação é a quantidade de Tutores disponíveis, para aumentar o número de vagas, poderia-se abrir vagas de Tutores.

    Estes Tutores poderiam ser formados por alunos egressos do próprio curso de Prevenção (se não do curso básico, poderia ser dos níveis posteriores).

    A Tutoria poderia até fazer parte dos níveis mais avançados dos cursos de Prevenção, formando uma cadeia de treinamento, tal qual é a Monitoria para alunos de Iniciação Científica nas universidades

    • Marcos Véio
      5 anos ago

      Cara,

      Achei sua sugestão muito boa. Porém, lá no CENIPA, ela foi lida Sexta-feira as 16:00. Então esqueça.

  6. Anonimo
    5 anos ago

    Rsrsrsrs peixada meu nobre….. Só os fortes entram rsrsrsrs

Deixe uma resposta