Ministro Padilha diz que a aviação vai triplicar nos próximos 20 anos. O problema é que no curto prazo estaremos todos mortos!

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O leitor Cristiano Moraes me enviou o link para a nota do Portal da Câmara dos Deputados com a declaração do ministro da SAC-PR, Eliseu Padilha, ocorrida nesta manhã, com o título “Expansão da aviação pode triplicar passageiros em 20 anos, diz ministro. Quase fui às lágrimas quando li as palavras do ministro abaixo reproduzidas:

Nenhum setor [da economia] tem o crescimento garantido que temos na aviação civil. Tudo aconteceu com muita velocidade. Temos, literalmente, que andar a jato!

Fico muito feliz com o futuro brilhante da aviação! Porém, acharia muito mais interessante que o ministro se voltasse preferencialmente aos problemas comezinhos do presente, tais como:

  • A paralisia da ANAC, que está perdendo mais um diretor neste mês e não terá mais condições de tomar nenhuma decisão importante de agora em diante (a diretoria colegiada requer três diretores, e a ANAC ficará com somente dois);
  • O problema das habilitações de TIPO, que inviabilizaram quase toda a aviação geral há quase um ano, e a falta de checadores que está em vias de gerar um colapso no segmento de asas rotativas;
  • O estado de miséria que se encontra nossa infraestrutura de controle de tráfego aéreo, associada ao anacronismo do DECEA na gestão dos serviços prestados à aviação;
  • A crescente politização do CENIPA, que está deixando de ser o órgão de excelência na investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos, conforme estamos vendo nas suas atitudes mais recentes;
  • O desmonte acelerado de nossa estrutura de formação de aviadores, com a maioria dos aeroclubes em estado pré-falimentar, e o anacronismo das regras que regem a atividade no Brasil;
  • A inviabilização financeira crescente da aviação geral, seja pelas tarifas aeroportuárias, seja pelos impostos embutidos nos combustíveis e insumos, seja pela burocratização absurda da atividade (em especial para os táxis aéreos);
  • A falta de uma estrutura para a inserção profissional de pilotos recém-formados no mercado de trabalho;
  • …E muito, muito mais!

Porque, num keynesianismo às avessas*, o problema é que no curto prazo estaremos todos mortos!

– x

*Para quem não está familiarizado com o pensamento do Lord Keynes, é o seguinte. Quando criticado pelas suas propostas intervencionistas na Economia – que, segundo seus críticos, poderiam até obter sucesso no curto prazo, mas que seriam ruinosas no longo -, o economista teria dito: “in the long run we are all dead” – “no longo prazo estaremos todos mortos!”. Ou seja: “vamos salvar o presente, porque no futuro a gente nem estará aqui para ver”, que é exatamente o contrário do que hoje acontece com a aviação, que jamais poderá ter um futuro grandioso, se afundar no presente.

6 comments

  1. joseluizdacosta@bol.com.br
    4 anos ago

    Em 2030/2035, quando tiver 270 aeroportos funcionando, já pensou me São Paulo, necessitará mais 4 aeroportos, e aí que quero ver como fica. Tem que quebrar o monopólio da Infraero e liberar a iniciativa privada para construção de novos aeroportos.

    • Fred Mesquita
      3 anos ago

      Os 800 novos aeroportos virou lenda mesmo. É a mentira que reina em Brasília….

    • Anonimo
      4 anos ago

      O último “slide” então… me fez chorar mais do que quando vi o E.T entrando na nave e indo pra casa…

  2. Marcos Véio (na retranca)
    4 anos ago

    O lado bom de todo brasileiro (sqn) é a tal memória curta. Daqui a 20 anos não falaremos mais disso. Alguns tantos estarão mortos evidentemente, mas outros sofrerão do mesmo mal que sofremos no presente. Num exercício de futurologia, prevejo novamente o papinho do “apagão” pelo menos umas dez vezes antes de 2035.

  3. Enderson Rafael
    4 anos ago

    Muito bom o título! Ruim é pagarmos esses 39 ministros pra fazerem piada com a gente toda semana…

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