Aviação executiva não é luxo. Mas, e se fosse, qual o problema?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A revista IstoÉ Dinheiro deste mês publicou uma reportagem muito interessante com o Sr. Rodrigo Pesoa, diretor-geral da Dassault para a América Latina: “O governo precisa entender que aviação executiva não é luxo“.  No título, repete-se o argumento-padrão da ABAG para defender o sub-segmento: o de que a aviação executiva seria uma “ferramenta de trabalho”. Ok, boa parte dos voos da aviação executiva são mesmo a trabalho, mas parcela considerável deste sub-segmento é, sim, voltado ao luxo – o que é inegável para quem conhece o métier. Mas… E daí? Se um ‘jatinho’ é usado para uma madame ir com as amigas passar um final de semana em Angra, qual o problema? Se esse luxo gera empregos, paga impostos, movimenta a economia, ele na verdade deve ser estimulado! Eu acho que está na hora de a aviação executiva parar de se envergonhar por estar relacionada ao luxo, pois quanto mais o país for amistoso a estas atividades, melhor para as camadas mais pobres da população: é justamente no mercado do luxo onde se paga os melhores salários e há as melhores condições de trabalho! Precisamos parar com esse pensamento medíocre de criminalizar o luxo, e estimular as pessoas a trabalhar com mais afinco para, um dia, também ter acesso a ele. É como eu penso, pelo menos.

 

10 comments

  1. Marcius
    4 anos ago

    Luxo é o nosso Chevrolet Celta. Tem até volante!!!!

    Infelizmente a maioria do povo brasileiro é medíocre e odeia quem tem dinheiro.
    Basta o Yahoo noticiar um “Lamborghini multado no estacionamento” e já nos deparamos com comentários do tipo: “Tem mais é que se lascar mesmo; aposto que o dono deste carro é mafioso; mereceu ser multado; tomara que a multa seja bem alta para esse bacana..” , e por aí vai.

    Quanto à aviação… precisa comentar?

    Ou seja, um país formado por um povo medíocre nunca conseguirá ser, sequer, segundo mundo!

  2. Eduardo Ruscalleda
    4 anos ago

    Doméstica sem patrôa… Vira mendigo!

  3. Marcos Véio
    4 anos ago

    O velho complexo de vira-lata.

  4. Bom, essa montanha de hipocrisia não se circunscreve à Aviação Executiva. É algo bem mais amplo, como a gente sabe. Sempre foi assim desde a colonização, por aqui, mas hoje em dia – com o viés “ideológico” que emporcalhou corações e mentes, via gramscização massiva e criminosa do Ensino Público (há até um movimento no âmbito da Câmara Federal junto ao MPF, no sentido de intimar o Ministro da Educação a explicar o tal do “doutrinamento nas escolas”), virou lugar comum. Ser rico é – em princípio – ser “ladrão”, “explorador”, “egoísta”, “fascista”, “opressor das classes trabalhadoras” e outras baboseiras que nem menciono. E paro por aqui, antes que me embrulhe o estômago. Por outro lado:

    1)- Deslocar um Airbus ACJ do GTE para passeios particulares, ou mesmo para fazer campanha política, tudo pago pelos ilustres contribuintes (inclusive para os que não votam no ParTido-Seita), pode;

    2)- Deslocar os E-190s do mesmo esquadrão para assistir a jogo da Copa, ir a casamento de filha de amigo, fazer implantes de cabelo, sem problema;

    3)- Um ex primeiro mandatário da república se deslocar em jatos executivos “cedidos” por empresas “amigas do ParTido”, valendo-se indevidamente da estrutura do poder público (i.e. pátios de bases aéreas, pavilhões de autoridades, procedimentos aduaneiros do tipo “fast-track”, carros e pessoal de embaixadas/consulados no exterior, adidos etc etc etc), tudo isso pode. Não sei quem falou que pode, mas pode, porque eu vi ser feito. Ninguém me contou.

    4)- Quem lava traseiro de elefante e/ou quem sempre viveu de “sindicalismo” acumular fortunas de mais de US$ 2 bilhões (tendo sido inclusive capa de notória revista de negócios americana por conta disso; e olha que sabem medir fortunas, lá no Hemisfério Norte) sem maiores justificativas do ponto de vista da coerência fiscal, eles também não acham constrangedor, de forma alguma.

    O pessoal supra mencionado hoje faz inclusive cara feia a tudo o que não esteja mais ou menos no nível de Gulfstream GIV/G450/G550, Falcon 900/2000/7X, BBJ etc etc etc…mas Deus o livre se os não-adoradores do ParTido-Seita se atrevem a usar e ostentar tais “luxos” do jeito que eles vermelhinhos o fazem.

    Afora isso – lamentavelmente -, não dispomos ainda de entidades como um NBAA ou um AOPA que – quando necessário – confrontaram o próprio presidente dos EUA e o Congresso com seus argumentos. Estamos ainda a anos-luz desse tipo de postura, ou mesmo da mentalidade “No Plane, No Gain”. É uma lástima.

  5. Southpilot
    4 anos ago

    Concordo Raul, isso advém de uma cultura de demonização do dinheiro e das riquezas provenientes de nossas esquerdas onde alguém com uma vida mais abastada é visto quase como um criminoso. É claro que existe a diferença entre o que enriquece através do trabalho honesto e o que enriquece através do roubo ao erário, o segundo caso deve ser combatido, sem dúvidas.

    • raulmarinho
      4 anos ago

      O problema é que não são só “as esquerdas” que são contra o luxo. No ambiente militar, o luxo tampouco é bem visto, assim como na Igreja (católica, ao menos). Enfim, eu acho que é “bacana” ser contra o luxo em praticamente qualquer ambiente no Brasil.

      • Carlos Santana
        4 anos ago

        Você pode viver no luxo sem problemas desde que para manter esse luxo não pague salários miseráveis a seus empregados, incluindo ai pilotos. Bens materiais não são como notas de escola em que se todos estudarem vão tirar a nota máxima. A natureza tem um limite de esgotamento. Se o mundo todo tivesse o nível de desenvolvimento dos 7 países mais ricos nós já teriamos entrado em colapso de esgotamento de recursos naturais. Para uns poderem ter luxo excessivo alguém tem que pagar a conta. Moderação é importante em tudo.

  6. Leitor
    4 anos ago

    Luxo??
    O PIB do país está a bordo da executiva ou apertados num Azul, Gol ou Tam, comendo barrinha de cereal ou batata fritas?

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