Caso Germanwings: a chance para discutirmos a “fábrica de loucos” que é a aviação

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O texto deste artigo encontra-se publicado em https://paraserpiloto.org/blog/2018/03/27/recordar-e-viver-o-caso-germanwings-e-a-depressao-em-pilotos/

 

 

 

 

 

17 comments

  1. Carlos Camacho
    3 anos ago

    Quando uma investigação é propositalmente ‘acelerada’ ocorre o que vem acontecendo: perda de credibilidade. Dois links abaixo apontam noutro sentido. Fixar na memória do público em geral que realmente o copiloto SUICIDOU-SE, pode ser conveniente para muitos. O Airbus acidentado tinha mais de 24 anos de idade. Isso pode ter contribuído? Sim e não. Só uma investigação altamente TRANSPARENTE é que nos mostrará isso. As autoridades investigadoras utilizam-se de protocolos originados na ICAO. Entretanto, o que temos visto por aí, não segue bem a linha da confidencialidade e dos devidos cuidados com dados e informações.

    http://www.sott.net/article/294482-Germanwings-crash-Not-the-full-story

    http://www.ibtimes.co.uk/germanwings-a320-plane-crash-explosion-smoke-before-airbus-plunged-into-french-alps-1493351

  2. Carlos Camacho
    3 anos ago

    Bom texto. Claro como água. FOQA: tomamos – aeronautas – uma bolada nas costas. Não era para ser o que é!?! Deveríamos ter evoluído de um simples PROGRAMA DE AQUISIÇÃO E ACOMPANHAMENTO DE DADOS DE VÔO (PAADV) para algo mais e melhor elaborado tipo, algo muito parecido com o FRMS – Sistema de Gerenciamento de Risco de Fadiga norte americano (EUA). Um protocolo legal. Ponto. Não existe a tal CONFIDENCIALIDADE dos dados colhidos ao longo da aquisição dos dados deste ou daquele vôo. Uma ou outra empresa RESERVA um pouco mais isso. Mas de concreto, tomamos uma rasteira. O PGRF – Programa de Gerenciamento de Risco de Fadiga estará indo pelo mesmo caminho??? Receio que sim. Alterar-se a Lei que regulamenta a profissão do aeronauta com indicativo de PROGRAMA para algo que deveria estar fora do alcance-controle das AÉREAS é o mesmo que darmos um tiro no pé. A ANAC já tinha um estudo praticamente pronto para apresentá-lo no formato de RESOLUÇÃO ou coisa parecida. Mas quando as empresas viram que poderiam apostar em um documento no qual tivessem ”’algum”’ controle, foram por essa linha: o PGRF. Darei uma passada d’0lhos no que está tramitando no Legislativo para conhecer as alterações do texto até onde acompanhei. Fui (meio que sozinho) até onde minhas forças permitiram-me. Fiz mais um balde de inimigos…! As always…!!! Formato PROTOCOLO no corpo de uma lei para o Gerenciamento do Risco de Fadiga, acho eu, é FRIA. Pois assim como no PAADV (FOQA) nossas garantias da não punibilidade é quase ZERO. Ainda mais se tiverem FEITORES como alguns que conheço na cabeça do Negócio.

  3. Wilson Santos
    3 anos ago

    muito bom o texto.
    realmente reflete o que se passa entre o sonho e a realização de um piloto.
    Parabéns Raul.

  4. Porto
    3 anos ago

    As vezes fico assustado com o tanto de coisas que leio ou vejo por aí. Desde que entrei pro ramo, em 2012 (ingresso na faculdade, aeroclube e prático) sempre escuto tal conversa de jornadas longas, pilotos cansados, estressados ou qualquer característica do gênero. Sendo que ao mesmo tempo, tem milhares de pessoas com situação semelhante a minha. Carteiras na mão superior no ramo, mas está no chão. Aí na geral, ficam esses patrões mão de vaca, que deixam o piloto como “freela” o sujeito tem que voar 3 ou 4 aviões para ter um salário razoável, e ao mesmo tempo fica uma fila estagnada de pessoas entrando no mercado. E as vezes esse mesmo camarada que voa 3 ou 4 aviões empurra o amigão que nem é checado PC para voar com ele e aí ?
    Acho com toda minha ignorância, que o problema é um pouco mais voltado para a cultura (maneira de pensar e agir, nem sei se é o termo correto) do que qualquer outra coisa. Aí fica nesse ciclo vicioso e ainda não entendem porque tem tanto acidente de avião.
    Conceito single pilot, é até interessante, agora queria ver num voo ifr pau quebrando, o camarada tendo que fazer um NDB para pousar numa pista ruim, como são a maioria das pista daqui. E aí ? Como fica ? Ou fazer isso tudo com um cara que não sabe o que é QDR ou QDM e ainda o motor começa a pipocar ?
    Até onde esse conceito single funciona ? Até onde o ser humano suporta essas pressões que são normalmente impostas nesse ramo ? Um piloto seria suficiente para conduzir uma aeronave em segurança com mais de 5 passageiros a bordo ? É seguro, colocar um pax no assento do copila ?

    • Carlos Camacho
      3 anos ago

      Eis o texto que está no link deixado pelo Raul:

      SNA e SNEA fazem a 3ª reunião da comissão de estudos sobre a CCT

      27 de março de 2015

      O Sindicato Nacional dos Aeronautas e o SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias) fizeram na sexta-feira (27), em São Paulo, a terceira reunião da comissão paritária que discute um termo aditivo para a CCT (Convenção Coletiva de Trabalho).

      A formação da comissão de estudos foi definida em acordo mediado pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho) e tem a missão de criar regulamentações que dizem respeito ao gerenciamento de fadiga e segurança de voo.

      Mais uma vez foram discutidos itens como conceito de madrugada, limites de madrugadas trabalhadas consecutivas e por período, sobreaviso e reserva, folgas, diárias internacionais, tempo em solo e limites de jornadas.

      Houve avanços nas negociações, mas ainda não foi formalizado um texto final.

      De acordo com a proposta do ministro Ives Gandra Filho, vice-presidente do TST, a comissão tem até 1º de junho para apresentar ao Tribunal uma proposta de termo aditivo.

      Tão logo uma proposta esteja formalizada, uma assembleia será convocada para deliberação pela categoria.

      COMENTÁRIO: ADITIVO à CCT – Convenção Coletiva de Trabalho? Se com uma Lei publicada temos grande dificuldade em fazer com que as empresas (não todas) cumpram a REGULAMENTAÇÃO DO AERONAUTA, no formato CCT vão deitar e rolar.

      Acham que estou dizendo bobagens? Deem uma ‘passeada’ no Face Book do SNA: (https://www.facebook.com/sindicatonacionaldosaeronautas?fref=ts) e vejam:
      MAIS UMA VEZ lá vai o SNA prá dentro do MPT pleitear que a empresa em tela CUMPRA A LEI.

      Sindicato Nacional dos Aeronautas
      25 de março às 12:51 ·
      SNA propõe ao MP interposição de ação contra a TAM
      O SNA propôs ao Ministério Público do Trabalho a assinatura conjunta de ação civil pública contra a TAM, diante da manutenção de irregularidades no cumprimento da regulamentação do aeronauta e legislação, que já são debatidas desde 2010.

      Depois, quando acidentes/incidentes graves acontecem, os culpados são os pilotos. E, pior, isso não foi dito na AFA não, foi dito na Mìdia… e mais de uma vez.

      Poderia ir longe com esse comentário. Melhor parar por aqui; já tenho inimigos o suficiente.

      Abs

    • Moacyr
      3 anos ago

      Olá colega, concordo com o que escreveu sobre a Cultura…é descepcionante!
      Apenas discordo na questão do nr de pax X nr de pilotos tornarem o voo mais/menos seguro.
      Pense o seguinte: Vc é responsável pela Segurança do voo! Na sua(nossa) profissão, não estude para responder ao Checador, ao Controlador, ao Comandante, ao Dono do avião, aas perg da galera, pra voar o Aero-Boero solo ou com a namorada(se ela tiver CMA pode) ou o A380 superlotado…
      Por exemplo: vc possui o Inglês ICAO? Se afirmativo, qual nível? Se é o 4, se esforce pra atingir o 5! Por que falo isso? Antigamente, saber inglês era desejável. Depois de Março/08(se não me falha a memória…)tornou-se obrigatório! Daqui a pouco, só quem tiver 5 fará voos internacionais. Esse controle não está nas nossas mãos. A Legislação muda…
      Estude, busque informações, foco na atividade quando a tiver exercendo-a, e humildade pra ouvir e aceitar novas informações porque sua(nossa) bunda estará a bordo! Responsabilidade não é determinada pela massa…., assim, acredito que quem pilota com Responsabilidade um Aero-Boero, o fará também num Gulfstream 650 ou 777!

      Ahh, sem esquecer, tenta achar um piloto que esteja satisfeito com as três (todas) coisas juntas: Salário, Escala e Aeronave! Vc vai perceber que reclamação é quase sempre o que se ouve,num ou noutro aspecto.

      O meu comentário, logo após o seu, não tem nada a ver com crítica! Foi apenas a exposição de um ponto de vista, blz!

      Abrc e bons voos!

  5. Mario
    3 anos ago

    Raul, estamos sendo dizimados por um mercado que só visa o Lucro e não o Ser humano. O departamento de RH das empresas aéreas só serve de álibi num processo seletivo de cartas marcadas. Entra quem tem o tal do QI e quem não tem não passa na Entrevista… BALELA ! Psicologo em Empresa aérea não presta pra NADA! TRABALHEM! Sejam os Lideres que vcs tanto cobram nas Entrevistas. Sejam proativos e busquem junto a diretoria da empresa Meios e Maneiras de ajudar esses profissionais que trocam suas Vidas pessoais pra serem apenas um nome na escala e um numero numa Planilha. Nenhum sistema será 100% Infalível mas claro que podemos melhorar antes de perdemos espaço. OU cuidam do bem estar, Saúde Mental dos Tripulantes ou Sistemas FULL AUTOMATICS irão gradativamente excluir a necessidade de 2 e até mesmo de 1 tripulante na cabine de um avião.

  6. Josue Carillo
    3 anos ago

    Corrigindo, o termo correto é delírio de perseguição.

  7. Josue Carillo
    3 anos ago

    Essas alucinações, visões, ouvir vozes, ou até mesmo fantasiar (na mente dele, ele tem extrema certeza) que o cmte é um terrorista como citou o colega, acontece na depressão do tipo grave. Nesse estágio da depressão, acontece a síndrome do pânico e a mania de perseguição que creio que não é o caso dele, pois esse comportamento seria facilmente percebido pelo cmte durante o tempo de conversa que os 2 tiveram, revelado pelo áudio registrado na caixa preta…

  8. Augusto Fonseca da Costa
    3 anos ago

    Caro Raul Marinho
    Este seu blog é ativo mesmo, parabéns. Além de piloto sou médico psiquiatra e assim mesmo tenho dificuldade de entender o que se passou na cabeça deste co-piloto suicida e homicida. Quando puder colaborar peço licença para tentar ajudar nessa compreensão.
    O que posso por hora adiantar é que, apesar de na psiquiatria não haver linha divisória muito precisa entre as diferentes patologias, (aquela frase “de perto somos todos loucos” define bem), basicamente há dois tipos de episódios depressivos:
    Episódio depressivo grave SEM sintomas psicóticos: CID F-32.2 (não tem confusão mental, idéias de perseguição, etc.. É o mais comum e NÃO DEVE interditar nenhuma atividade profissional, mesmo a de Pilotos de Linha Aérea.
    Episódio depressivo grave COM sintomas psicóticos: CID F-32.3 (pode ter confusão mental e/ou idéias de perseguição, etc.. É menos comum e DEVE INTERDITAR certas atividades que envolvam riscos com a de pilotos em geral.
    Por isso que não se deve estigmatizar automaticamente quem tem ou teve depressão com um selo de incapacidade. Cada caso é um caso.
    Já perdi um amigo PLA que foi meu paciente também e que não aceitou minha sugestão de afastamento temporário por depressão bipolar grave.
    Por fatores ligados à onipotência da fase eufórica saiu de São Paulo com autonomia apenas para o destino, sem reservas para alternativa e sobrevoo e teve que tentar pouso em condições IMC sem apoio e bateu numa árvore matando o co-piloto e ferindo os passageiros.
    Abraços, Augusto F. Costa

    • raulmarinho
      3 anos ago

      Vc teria mais informações sobre este caso do seu amigo PLA? (RF ou matrícula da aeronave?).

      • Augusto Fonseca da Costa
        3 anos ago

        Caro Raul Marinho
        Meu amigo era o PLA Nelson Figueiredo, acidente em 1998 ou 1999 com um EMB-810C matrícula PT-REZ segundo o RAB. Faleceram ele, o co-piloto e 1 passageiro, sobreviveu apenas o proprietário da aeronave.
        Abraços
        Augusto Fonseca da Costa

  9. Beto Arcaro
    3 anos ago

    Se colocarem um “Terceiro” no cockpit, vai ser mais um com alta probabilidade de ficar louco.
    Na verdade eu acho que a depressão do sujeito era mais um sintoma de alguma psicopatia.
    O suicida tem consciência de que quer se matar sozinho!
    Um esquizofrênico/Psicopata pode ter alguma distorção da realidade, como por exemplo, criar uma imagem de que o Cmte era o terrorista, trancá-lo pra fora e iniciar uma descida para algum aeroporto imaginário para um pouso de emergência.
    Seres Humanos podem ter esses “Tilts”.

  10. Se forem remover desse ofício todo o mundo que tem tristeza, raiva, frustração, depressão etc., é melhor se prepararem para viajar por outros modais (trem, navio, carro, lombo de jegue etc), porque 99,99% tem esse perfil, hoje em dia. Afora isso, se “apertarem” nos processos de recrutamento e seleção, só irão piorar o que já é um problema monumental, principalmente nos mercados de alta demanda, como Ásia e Oriente Médio. Ainda essa semana que passou me pediram para indicar gente “qualificada e experiente” em uma empresa da Ásia onde há apenas (pasmem!!!) 42 aeronaves novinhas em folha, com as capas nas turbinas e nas sondas, por falta de aviadores. Morro de rir das “solucionáticas” sugeridas pelos “especialistas” da chamada “grande mídia”. Nessas horas é que fica ainda mais evidente que eles não sabem patavina sobre o que discorrem.

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