Ainda a questão da saúde mental de pilotos – Além da depressão: o caso dos pilotos que se agrediram na cabine

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Em O Globo de ontem, há uma reportagem sobre um caso de agressão ocorrida na cabine de uma aeronave, durante os procedimentos de pré-voo – vide “Piloto e copiloto brigam antes de voo na Índia e são afastados“. É impressionante, mas não é tão raro quanto se pensa: eu conheço casos semelhantes ocorridos no Brasil, tanto na aviação geral, quanto em linha aérea – o que mostra que, além da depressão, outras questões comportamentais/psicológicas estão precisando ser mais bem avaliadas em relação aos pilotos.

Fora isso, há a questão de CRM no caso indiano. De acordo com o relato da reportagem acima indicada, depois da briga a aeronave decolou para o voo não ser cancelado… Ora, e o que é preferível? Um cancelamento, ou um risco aumentado de acidente?

One comment

  1. Fred Mesquita
    3 anos ago

    Hoje em dia, estudando psicologia, olho para trás e vejo o quanto é verdadeiro o que me falaram em sala de aula: muitas empresas dão pouca importância à presença de um bom profissional da área de saúde mental nas empresas. Basicamente só pensam no Psicólogo unicamente no setor de RH, um profissional apenas, quando sabemos que a quantidade de profissionais em muitas empresas é grande. Quem não se preocupa com o fator humano na empresa, pode colher frutos ruins no futuro. De certo, problemas existem, mas não podemos se dar ao direito de arriscar em algo tão importante dentro de uma organização.

    Também, os altos índices de acidentes aeronáuticos nos últimos anos, aqui no Brasil, já é um reflexo de que algo muito sério está acontecendo. Em algum setor da sociedade há uma lacuna aberta. Muitos podem estar negligenciando uma área extremamente importante. Quase não vejo falar (ou nunca vejo) nos encontros do CENIPA a temática do fator humano nas abordagens dos relator de acidentes aéreos. Será que o fator humano tem pouca importância nesse quesito?

    Também não vejo uma saída em cobrar mais dos pilotos, que os exames psicológicos tenham mais peso, ou que sejam mais rigorosos. Defendo sim uma política da presença de mais profissionais da área de saúde mental nos aeroportos e empresas aéreas. Que as empresas possuam um olhar mais clínicos a seus profissionais. Que um psicólogo fique constantemente avaliando o comportamento dos profissionais, fazendo a abordagem necessária nos momentos em que seja necessário, não só nos exames admissionais. Em fim, falar do fator humano na área de aviação, é também fazer valer uma melhor política de segurança operacional.

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