Um comentário revelador sobre a realidade dos exames psiquiátricos para obtenção de CMA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O texto deste artigo encontra-se publicado em https://paraserpiloto.org/blog/2018/03/27/recordar-e-viver-o-caso-germanwings-e-a-depressao-em-pilotos/

10 comments

  1. Rodrigo Alves
    3 anos ago

    Fiz o exame de 2ªClasse recentemente e notei que ao falar sobre ‘problemas psicológicos’ antigos (como a morte do meu pai e extrema indecisão profissional por estar sempre tentando fazer algo que não me agradava) o examinador insistiu em perguntar diversas vezes : “mas você já ta melhor né? não vai mais no psicologo né?”

    Claro que sou leigo no assunto mas, na minha visão, frequentar um psicologo significa o mesmo que frequentar um nutricionista. Da mesma forma que você precisa manter seu corpo saudável, você também precisa manter sua mente saudável. Entretanto, já percebi que para tirar o exame de primeira classe, terei que abandonar o psicologo ou mentir.

  2. Marcos Véio
    3 anos ago

    Vocês esqueceram do “Dunha”. Aquele sujeito que não tem “tempo” na agenda para fazer os exames. E que paga uma propina para não ter que passar pelos mesmos.

  3. Camila Rocha
    3 anos ago

    Raul, fiz meu CMA inicial no HFAB a poucos dias e confesso que percebi também o outro problema oposto ao do amigo ´´Zé“ se tratando da psiquiatria. Quero dizer que no meu caso me vi numa avaliação onde nem cheguei a conversar com a psicóloga separadamente, e os testes não passaram de desafios de raciocínio e uma ficha -bem longa no entanto- a ser preenchida com perguntas pessoais. De fato todos temos que assinar um termo afirmando sinceridade durante todo o teste, mas a questão é que ao ver perguntas óbvias como ´´ você já pensou em suicídio?“, fica claro que marcar o ´´não“ significa passar e ´´sim“ reprovar. E assim, com poucas ressalvas, ao longo do teste qualquer um pode formar o perfil de aprovação sem ser questionado. No segundo dia de exames perguntei com incômoda curiosidade à psicóloga como ela fazia o julgamento com testes como o que temos que desenhar traços na folha e nada muito mais que isso. Ela disse que montava da melhor maneira possível o perfil do candidato. Bom, não achei aquilo muito eficiente, mas me preocupei mais em passar naquele momento. Reconsidere novamente que fiz o CMA na junta especial de Brasília (cidade coração da anac), portanto aquele hospital deve ser o destino de milhares de aeronautas durante o ano.
    Agora com o tema em discussão, como você já pautou aqui nos posts me parece que se por um lado temos um sistema que ´´criminaliza“ uma das doenças mais características da profissão, por outro também há consideráveis falhas para julgar quem é apto e quem não é. São pessoas saudáveis ou com problemas controlados sendo reprovadas, e loucos como o piloto alemão pilotando normalmente.
    O testes não devem se tornar apenas mais rígidos, mas de fato eficientes. E acima de tudo precisamos de um sistema que aceite que a depressão é sim uma realidade entre os pilotos e reprimi-los só os fará esconder o problema e abrirá uma brecha para que o pior aconteça. Uma vez aceitando o problema será mais fácil criar os parâmetros que permitirão tantos ´´Zés“ seguir o seu sonho com segurança, e deverão barrar com eficiência os malucos que possam estar entre nós.
    Depois de um grande acidente aéreo sempre temos as mudanças de procedimentos que devem garantir que nada igual se repita certo? Eu só espero que parem convergir para a ideia de modificar a porta dos pilotos ou inserir um terceiro tripulante na cabine, essa não é a solução. Que não sejam aplicadas as correções erradas para um problema maior…

    • raulmarinho
      3 anos ago

      Na verdade, o que vc relatou é o mesmo problema que eu escrevi, só que, ao invés da Ritalina, está a pergunta sobre o suicídio… Se vc, num momento difícil da vida – qdo tomou um chifre da namorada, perdeu o emprego, e morreu o cachorro -, chorou e pensou que não valia mais a pena viver, e citar isso na entrevista, pronto, será taxado para todo o sempre como um suicida em potencial; igual ao sujeito cujos pais deram Ritalina na adolescência porque era um “moleque levado”, entende?

  4. Hubner
    3 anos ago

    Tem aquele sujeito, gente boa, o Tonho, que não passou no CMA porque disse que bebia cerveja de vez em quando e o avaliador classificou ele (sei lá qual o código) como pessoa que abusa de álcool.

  5. Marcius
    3 anos ago

    Tem também o “Jão” (amigo do Zé acima) que nunca teve nada de errado. Sempre foi um cara normal, sociável e interessado pela vida.
    Até um dia decidir tornar-se piloto.
    Á partir daí o Jão foi conhecendo a ANAC e, aquele rapaz que era saudável psicologicamente e cheio de planos, acabou ficando louco.

  6. Marcos Véio
    3 anos ago

    “consulta com psiquiatra, mas também de um exame com uma psicóloga clínica, aplicando baterias de testes psicotécnicos.”

    Mas isso acontece. Ou não mais? Faz dois anos que não revalido minha licença médica.

  7. Augusto Fonseca da Costa
    3 anos ago

    Caro Raul Marinho
    Como você sabe sou médico psiquiatra além de piloto e gostaria de dar uns pitacos:
    O ideal seria que o exame de sanidade para CMA fosse feito não só através de uma consulta com psiquiatra, mas também de um exame com uma psicóloga clínica, aplicando baterias de testes psicotécnicos.
    A ANAC em 2010 iniciou junto ao Conselho Federal de Psicologia uma pesquisa entre os psicólogos para credenciá-los para esse fim, mas não sei no que resultou – ver em http://site.cfp.org.br/anac-realiza-pesquisa-com-psiclogos-que-atuam-no-sistema-de-aviao-civil/.
    Valeria a pena incluir o exame psicodiagnóstico nas avaliações para CMA, evitando inclusive a injusta estigmatização de profissionais da aviação sem critério técnico.
    Quanto à Ritalina, é de fato um escândalo mundial a hiper-prescrição ainda com o absurdo aval da Associação Americana de Psiquiatria, certamente cooptada pelos laboratórios farmacêuticos.
    O Rivotril (Clonazepan) tem tido o mesmo problema: hiper-prescrição, uso abusivo, dependência e tolerância (doses cada vez maiores).
    É o que chamo de programa de milhagens que alguns laboratórios e alguns médicos praticam: Quanto mais o médico prescreve determinado medicamento, mais ganha viagens pagas a congressos com hotel incluído.

    • Erich
      3 anos ago

      Caro Dr. Augusto, testes psicotécnicos JÁ SÃO aplicados em todo exame inicial para nova licença!!
      O sr. Não disse que é piloto? Como não sabe disso?

      Está se fazendo um carnaval sobre um ato isolado colocando toda uma profissão em dúvida, apesar do já pesado nível de controle e observação.
      Não existe, nem sequer na medicina, sua prática, um profissional mais controlado, testado, xixi em copinho, mechas de cabelo, testes teoricos e praticos a cada 6 meses, basicamente o sujeito se “requalifica” a cada 6 meses.
      Sem falar em todos os métodos de controle e monitoramento inerentes à atividade de transporte aereo, que é por isso mesmo uma das mais seguras maneiras de ir de A para B.
      Se há algo errado, é o excesso de zêlo causado por reações exacerbadas por algum evento de grande cobertura na mídia, que daqui alguns meses ninguém mais se lembra, mas que todos os profissionais acabam tendo que carregar mais um peso nas costas.

      • V
        3 anos ago

        Concordo com o Erich

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