Não fez check-list; sete morreram

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Muito se falou contra pilotos com pouca experiência depois do acidente da Germanwings, cujo copiloto tinha pouco mais de 6ooh de voo. Então, vejam este acidente ocorrido em maio do ano passado, com um Gulfstream G-IV cuja tripulação era composta por dois pilotos com 18.500h e 11.250h de voo (2.800h/1.400h no TIPO) – dados do Relatório Preliminar da NTSB. Motivo do acidente: a tripulação negligenciou o check-list, e as travas de comandos não foram retiradas, impedindo que a aeronave efetuasse a rotação após atingida a respectiva VR; e como a V1 também havia sido ultrapassada, não foi possível parar a aeronave nos limites da pista, e o avião se incendiou após cair numa ribanceira 600m após a cabeceira oposta. Vejam a imagem da aeronave após o acidente (imagem retirada do post do NewsAvia do link acima):

gIV

Pois é, né? Quase 30mil horas de experiência total, e ainda cometendo erros básicos como não efetuar um checklist? E olhem que, de acordo com o relatório da NTSB, ambos pilotos haviam passado por treinamento e cheque no TIPO em set/13 (o acidente se deu em mai/14). Agora imaginem se os pilotos tivessem pouca experiência e/ou falhas no treinamento, o que os “especialistas” estariam gritando na imprensa…

6 comments

  1. anonimo
    3 anos ago

    Gostaria de ouvir a gravação do CVR desde o “cockpit preparation” para saber se foi falta ou falha na execução dos check-list.

    Alguem teria o link com a gravação do CVR?

    abs…

  2. Como nós postamos certa vez, em uma tirinha lá no Canal Piloto, “A vida é muito curta pra fazer todo o checklist. Mas se você não fizer, ela pode ser mais curta ainda”.

    Não há experiência que nos permita negligenciar itens básicos como o checklist. Afinal, ninguém tropeça em montanha.

  3. Pensei a mesma coisa, Beto Arcaro. Os caras sairam de manhã cedo de ILG (Wilmington, Delaware, onde era a base de operações deles), foram para ACY (Atlantic City, NJ) e depois para BED (Lawrence G. Hanscom Field, em Bedford, MA). Pousaram lá às 15:45 e ficaram no avião, esperando o retorno dos pax. A lenha só ocorreu às 21:40. Aí nego quase dá à luz um jumento, quando – num vôo executivo ou de táxi aéreo – a gente vai para o hotel e lavra jornada interrompida no Livro de Bordo, conf. Art. 21, § 1º da Lei 7183/84: “Nos vôos de empresa de táxi aéreo, de serviços especializados, de transporte aéreo regional ou em vôos internacionais regionais de empresas de transporte aéreo regular realizados por tripulação simples, se houver interrupção programada da viagem por mais de quatro horas consecutivas, e for proporcionado pelo empregador acomodações adequadas para repouso dos tripulantes, a jornada terá a duração acrescida da metade do tempo de interrupção, mantendo-se inalterado os limites prescritos na alínea “a” do art. 29 desta Lei.” Tudo bem que os flight duty periods do FAA são um pouco diferentes dos daqui (conquanto seja previsto split journey também), mas esse negócio do controle de fadiga é algo para ser observado com seriedade. Justamente numa dessas ocasiões – ao retornar para o Rio (SDU) – tive um “non-normal” esquisitíssimo (disparo de estabilizador) no Lear 60 e fomos obrigados a alternar para o Galeão, no meio de tráfego pesado, nego buzinando no ouvido etc etc…imagina se estivéssemos em condição de fadiga. O artigo do Boston Globe a respeito desse acidente dá conta de que o aviador falou que a “Gust Lock” (4o. ítem do “Starting Engines Checklist”) estava aplicada 7 (sete) vezes, durante a corrida de decolagem. E no entanto, ninguém fez um “Abort Call”, em nenhum instante. Em tempo: tenho umas 700 e poucas horas em Gulfstream GIV-SP. É o freio mais animal que eu já vi num avião. Eles fritaram pneus desde 1,300 ft antes da cabeceira oposta e mais 1,000 ft ao longo da área de escape. Me arrepiou só de ler o RF (http://www.ntsb.gov/investigations/AccidentReports/Pages/ERA14MA271.aspx) e o artigo (http://www.bostonglobe.com/metro/2015/04/08/ntsb-reports-reveal-hanscom-crash-tragic-last-moments-before-seven-people-perished/zGGFJ2cEHJpd7nqlFrXoEM/story.html)…

  4. Beto Arcaro
    3 anos ago

    O problema não foi não fazer o Checklist.
    O problema foi não fazer “NADA”!
    Esses caras deviam estar dopados.

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