TWR à distância

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Alguns anos atrás, visitando a TWR do Campo de Marte, fiquei sabendo que, devido à proibição da poda das árvores do entorno da pista (se as árvores fossem podadas, isso atrapalharia a reprodução da corujinha que lá habita, segundo uma ação civil pública movida pela associação dos moradores do bairro…), não era mais possível enxergar o ponto de espera da cabeceira 30. Mas, segundo o oficial que me explicou o problema, isso já estaria sendo corrigido com uma licitação para a construção de uma nova TWR, mais alta e bem posicionada – coisa que até hoje não aconteceu, diga-se de passagem, mas isso é outra história. Foi aí que eu, com filho recém-nascido e acostumado com o uso de babá eletrônica, sugeri solução semelhante: “Capitão, por que vocês não instalam uma câmera filmando o ponto de espera da 30? Não daria para monitorar as aeronaves por vídeo, como se faz com uma babá eletrônica?”. Bem… Nem preciso dizer que minha sugestão foi prontamente desqualificada naquela linha do “olha o cara, que ingênuo, coitado, não sabe o tamanho da bobagem que está falando” (e embora seja, de fato, leigo no assunto, também não ouvi nenhum argumento sólido refutando a “bobagem” que eu falei).

Por isso, gostaria de ver a reação do tal capitão se ele lesse esta matéria sobre uma primeira experiência de uma TWR à distância na Suécia, integralmente funcionando como uma gigantesca babá eletrônica – e, ainda por cima, posicionada a 150km de distância da localidade a ser monitorada. Coitados desses suecos, povo ingênuo que não sabe o que faz…

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Aliás, falando em TWR, lembro que o DECEA até agora não respondeu minha mensagem protocolada em 09/04 sobre a questão do “RELPREV que não é comigo”.

7 comments

  1. No auge da Guerra do Iraque, os gringos controlavam o Aeroporto de Baghdad (BGW / ORBI) remotamente, de dentro de uma fragata ou destroyer e que – segundo me disseram à época, quando a gente sobrevoava lá – ficava fundeado no Norte do Golfo Pérsico, por questões de segurança. Só posteriormente, quando o “anel de proteção” foi criado (para evitar que o pessoal tomasse um míssil, como ocorrera com aquele A300B4 da DHL, em 2004) é que o ATC realmente se transferiu para o aeroporto propriamente dito. Quanto ao ATC no Brasil, faço minhas as palavras do Beto Arcaro, na íntegra. Minhas experiências têm sido igualmente traumáticas e extremamente irritantes. O que se vê no Brasil hoje em dia é algo muito grave e que sugere uma deterioração sistemática da infraestrutura, do marco regulatório, do treinamento, da cadeira hierárquica etc etc etc…nunca vi nada parecido, nem nos lugares mais pobres pelos quais tenho passado, seja nas Américas, África ou Ásia. Fico me perguntando como é que o Brasil ainda não tomou uma inclusão em lista negra. Só pode ser por conta do interesse comercial, acho eu.

    • * Errata: Onde se lê “cadeira” hierárquica, leia-se “cadeia” hierárquica. A essas horas da madruga, meu EVS começa a pipocar, rsrs…

  2. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Então lá vai:

    RELPREV?
    Decolei hoje de SDAM para SDTK com plano de voo “Zulu”.
    Minhas intenções eram voar Morungaba, ainda pelas REA’s, já solicitar ao controle SP “Visual” em 129,50, proa de Bragança (BGC) onde eles já me pediriam para coordenar a subida para o FL090 em 135,75. Tudo de acordo com o “Plano”, no horário, e como de costume.
    Monitorando a frequência dos corredores, naquele setor em 135,675, chamei o APP SP em 129,50 para a coordenação da subida, tudo “as usual”, como sempre faço para Paraty.
    Ocorre que a “Controladora”, de forma nada simpática, me informou que eu não seria autorizado à modificar as regras e que eu teria que manter as REA’s até o destino, mantendo a altitude das mesmas (5000 Ft)
    Minha resposta:
    Como assim?
    Então ela me passou o transponder e simplesmente repetiu a mesma ladaínha.
    Então eu respondi que meu plano era “Z” preenchido com a AIS KP por telefone, etc.
    De nada adiantou!
    Mantenha as REA’s e chame o controle SP em 124,15 ou 134,15 para cruzamento da terminal de São José dos Campos e mantenha a frequência dos corredores.
    Então, à revelia, chamei o APP SP na frequência do setor, em 135,75.
    Repeti toda a história da minha chamada inicial, e o controlador me pediu para chamar em 119,75.
    Achando aquilo tudo já meio “Surreal” chamei na frequência indicada, pensando que minhas súplicas finalmente seriam atendidas. Eu já estava na posição “CRUZEIRO”, través de Atibaia.
    Repeti de novo aquela “Reza” para o controle e para o meu espanto, o “Sujeito” me respondeu da seguinte forma:
    Ah, mais se eu autorizar você à mudar de regras, vai interferir com outros tráfegos.
    Tem muito “Jato Grande”
    aproximando pra Guarulhos.
    Não acreditando no que eu acabava de ouvir, respondi:
    Meu amigo, “EU NUNCA VÍ ISSO ANTES NA MINHA VIDA”!
    Aí, como realmente existia uma camada, logo após Atibaia, que se estendia quase até SBSJ e eu já estava voando no topo (mesmo que fosse mentira, ainda seria uma prerrogativa minha, prevista no meu plano) disse ao controle que não tinha mais referências visuais, e que estava solicitando mudança de regras e ascenção ao 090.
    Então ele autorizou, finalmente, me transferindo para 120,80, na qual me deram proa direta de Paraty, sem maiores problemas, cancelei em KEVUN, desci, e tudo bem.
    Tudo isso, ficou “gravado”, eu espero.
    Tudo isso, demonstra a falência completa do sistema de controle de tráfego aéreo na TMASP.
    Ah! Tem “Jato Grande” em aproximação pra Guarulhos?
    O problema é seu, meu caro!
    Você é o “Controlador de Tráfego Aéreo”.
    É o que se supõe!
    Eu sou piloto, só isso!
    Vergonha alheia dos “Picas das Galáxias” que afirmam que os problemas da TMA SP se resumem a “má padronização da fonia”, e ficam saboneteando em cima dos “Veja bens”.
    Estou sendo profissional, estou fazendo a minha parte.
    Não é nada pessoal, nem pode ser.
    Senhor Controlador de voo “dos Jatos Grandes”:
    Seja Controlador, ou então, explique, vá à imprensa, diga o porquê de não poder sê-lo.
    Vocês sabem o que isso significa?
    Todos os horários estão registrados, todas as frequências, etc.
    Eu tenho uma família pra quem voltar e gosto de saber o tipo de gente do qual eu estou nas mãos.
    Aí é pessoal…

  3. Francisco Acioli
    4 anos ago

    excelente dica comandante Raul. .pena que esses funcionarios publicos andam sempre na contra-mao

  4. Marcius
    4 anos ago

    No Brasilquistão, o caminho mais curto entre dois pontos é uma linha curva, principalmente na aviação.

  5. Beto Arcaro
    4 anos ago

    Aliás, o DECEA está mostrando sua ineficiência e sua, me perdoe o termo, “Vagabundagem”, ultimamente.
    A gente sabe que sempre foi assim, mas costumava ficar oculto com aquela política de que “depois do caos aéreo” as coisas melhoraram.
    No fim de semana passado, senti na pele algo que não via há muito tempo.
    Cê viu meu post lá no FB?

    • raulmarinho
      4 anos ago

      Vi. Aliás, quer republicar aqui?

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