Como foi o Seminário Nacional Asas Rotativas Offshore 2015 – Macaé

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Muitos leitores estão me cobrando informações sobre o Seminário Nacional Asas Rotativas Offshore 2015, ocorrido em Macaé-RJ no último dia 29/04 – então vamos lá, falar sobre o evento.

A participação dos aeronautas da aviação offshore de Macaé foi substancial: não só o auditório esteve lotado, como também houve uma grande adesão ao SNA Itinerante – um balcão de atendimento a aeronautas que funcionou no aeroporto da cidade na tarde do dia do evento. O principal objetivo do Seminário, que foi a mobilização dos profissionais do setor para a discussão do Projeto de Lei da regulamentação do aeronauta, ora em trâmite no Congresso, também foi atingida. Na verdade, eu alterei o tema da minha palestra, e mudei a discussão da ANAC para a questão do treinamento nas folgas, que é um assunto polêmico no segmento; e, no final, o presidente do Sindicato (Cmte. Castanho) fez um repasse de todos os pontos de interesse para a categoria no Projeto de Lei, o que resultou num ótimo feed-back para que seja possível aprimorar a redação do texto legal antes de sua aprovação final.

O convidado do DECEA não pode comparecer, e por esta razão foi convidado o chefe do SERIPA-III para falar sobre segurança de voo, que foi uma ótima palestra. Foram discutidos alguns casos específicos da operação offshore, um deles relativo a um incidente recentemente ocorrido com um S-92 cujo trem de pouso entrou em pane. Neste vídeo sobre a ocorrência (é a gravação real do incidente) vê-se uma movimentação meio atabalhoada para lidar com o problema, com seis mecânicos embaixo da aeronave para tentar baixar o trem com o helicóptero pairando, e a discussão foi: será que este procedimento foi correto? No final, a operação teve sucesso, o trem foi baixado, a aeronave pousou em segurança, e ninguém se feriu. Mas, apesar disso, parece que houve um certo improviso na operação, e este foi o foco da discussão.

Infelizmente, o economista convidado para palestrar sobre “O Cenário Econômico e Político do Setor de Óleo e Gás” também não pôde comparecer, e o palestrante convidado para o substituir (o secretário municipal de desenvolvimento econômico) tratou de temas muito específicos da administração municipal – que, em minha opinião, não é de grande interesse dos leitores (embora talvez seja de quem já trabalha em Macaé). Então, para suprir essa demanda que, acredito, seja a principal por parte dos leitores, que querem saber quais as perspectivas do setor, vou dar os meus pitacos baseado no que tenho lido sobre o assunto e o que conversei com profissionais do setor e residentes de Macaé (motoristas de táxi, funcionários do hotel, etc.).

Sendo sucinto, é o seguinte: a situação não é boa, e deve piorar antes de melhorar. Estão ocorrendo demissões em praticamente todas as empresas da cadeia produtiva do petróleo da Bacia de Campos, em todos os segmentos, e com as empresas de táxi aéreo não é diferente. O país está em recessão, o petróleo está barato, a Petrobras está passando por graves dificuldades, e boa parte das empresas privadas que atuam no segmento estão sendo afetadas pela Operação Lava Jato. Mesmo assim, os trabalhadores vão continuar precisando se deslocar do continente para as plataformas, e alguém vai ter que fazer isso. Não dá para ir de carro ou de metrô, e os barcos são anti-econômicos (levam muito tempo, estão mais sujeitos à meteorologia, etc.); logo, a operação de transporte com helicópteros vai continuar existindo. Porém, é praticamente certo que a demanda tende a diminuir – em quanto, não tenho como precisar, mas o viés é claramente de baixa.

O que mais me preocupa, entretanto, é que alguma empresa de táxi aéreo do segmento apareça envolvida na Operação Lava Jato. Isto até agora não surgiu como fato, mas há rumores neste sentido: na semana passada, por exemplo, o portal Ucho publicou uma matéria dizendo que:

Enquanto empreiteiras, executivos, corruptos e corruptores prestam contas à Justiça Federal, alguns detalhes dos bastidores da Lava-Jato mostram que muitos escândalos ainda estão por surgir. Um desses episódios criminosos, que por certo ainda não chegou ao conhecimento dos investigadores, envolve uma empresa de locação de aeronaves que presta serviços de transporte aéreo para a Petrobras, tendo como destino principal as plataformas marítimas na costa brasileira.

Se tal especulação se concretizar, seria péssimo para o setor. Uma vez que a empresa entra no rol das investigadas, a primeira consequência é a perda do crédito bancário. E, com o oxigênio financeiro restrito, o passo seguinte é o corte de custos e investimentos, o que poderia agravar a questão da empregabilidade no segmento offshore. E, pior: se esta empresa também atuar fora da operação offshore – no táxi aéreo “comum”, inclusive de asa fixa, como parece ser o caso levantado na reportagem acima -, aí as consequências para o mercado de trabalho de pilotos seriam ruins também fora do segmento das plataformas.

Então, meus caros e minhas caras, o momento é de alerta. Vamos ver os desdobramentos dessa tal de Lava Jato para o setor, e fiquemos atentos. As perspectivas de curto/médio prazos não são otimistas, mas tenho a impressão de que, no longo prazo, com o país e a Petrobras superando a crise, e o preço do petróleo voltando aos patamares de US$100/barril+, o segmento da aviação offshore tem tudo para ganhar muita importância. Mas precisamos atravessar um vale complicado pela frente…

 

 

 

 

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