O primeiro Relatório Final do NTSB publicado como vídeo do YouTube

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O vídeo abaixo não é uma produção do tipo Mayday, Desastres Aéreos da NatGeo, mas sim um Relatório Final oficial do NTSB publicado no YouTube – o primeiro neste formato (embora também haja o respectivo relatório escrito). A vantagem desta mídia é evidente: como ferramenta de prevenção (que é o objetivo principal de um relatório do NTSB), é muito mais provável que as pessoas assistam a um vídeo de 8min. do que leiam um relatório de 153 páginas. Fora isso, há o acidente em si, causado – sim, “causado”: no NTSB, é esta a terminologia empregada (diferente do CENIPA, que sempre trabalha com “fatores contribuintes”) – por uma sucessão de erros da tripulação relacionados a questões de fadiga, um assunto em alta nestes tempos de reforma da Lei do Aeronauta no Brasil. CENIPA, #ficaadica!

6 comments

  1. Enderson Rafael
    3 anos ago

    Esse material é excelente e diria até essencial. É assustador como dá pra reconhecer nosso dia a dia ali. Alguns acidentes são consequência de erros tão grosseiros que acabam gerando um distanciamento e temos a impressão de que näo aconteceria conosco. Já esse não, é um acidente que poderia avontecer com qq um de nós.

    A fadiga foi de longe a mais influente das variantes. A “dependência” da tecnologia é inerente a esse tipo de voo. Aviões comerciais de passageiros e carga dotados de FMC são muito mais simples de se voar que raw data, exatamente pra que os pilotos possam se concentrar em gerenciar o voo. Vai de cada um de nós procurar essa proficiência, que acaba se perdendo numa cômoda linha magenta.

    • Zé Maria
      3 anos ago

      Respeitando sua opinião mas discordando dela.
      Estavam “na cara do gol”, bastava selecionar “rose ils” para o “nd” e completar o procedimento através da técnica “step-down” ou “dive and drive”, conforme o próprio relatório cita.
      Mas ficaram esperando um glide slope “virtual”, que nunca deu indicação de “alive” justamente pela “descontinuidade” que não foi removida.
      Que a primeiro-oficial havia negligenciado seu período de repouso, está no relatório, que o comandante queixava-se que do jeito que as coisas iam ele provavelmente não teria pique para dar conta da rotina desregrada que lhe estava sendo imposta, também está no relatório.
      Mas o fato é que, na hora da “adrenalina” inerente à fase do vôo, tudo isso fica escamoteado e acaba que não influenciando.

  2. Zé Maria
    3 anos ago

    (Sem haver lido ainda o relatório, apenas assisti ao vídeo)

    Curioso como a excessiva dependência da tripulação aos recursos tecnológicos embarcados mais uma vez é protagonista importante no conjunto de causas prováveis/fatores contribuintes.
    Tivessem revertido para “raw data” e voado “convencional”, por assim dizer, quem sabe o resultado não teria sido o outro. . .
    “Back to Basics” é a chave para o sucesso, aliada obviamente à consciência situacional.

  3. Luiz
    3 anos ago

    Excelente iniciativa da NTSB. O vídeo é um ótimo “resumo” do acidente e instiga a ler o relatório completo. Quem sabe algum dia tenhamos algo parecido no CENIPA. Assim, poderíamos começar a mudar a (falta de) cultura de parte significativa dos pilotos brasileiros não ler relatórios de acidentes.

  4. Humberto Branco
    3 anos ago

    Pois, é, Raul, um bom exemplo do que temos dito: a cada ano que se passa, o mundo evolui uns 5, 10, 20 e nós ficamos pra trás. Não só na mídia a forma de apresentação do relatório é diferente, mas especialmente no conteúdo. Você foi sutil ao levantar a diferença entre demonstrar causas x a retórica dos “fatores contribuintes”, obviamente ultrapassada. Quem quer encontrar soluções precisa ter clareza no enfrentamento dos problemas, não adianta coloca-los debaixo do tapete ou dar a eles nomenclaturas, digamos, menos comprometedoras.

    • raulmarinho
      3 anos ago

      De fato, eu acho muito mais efetivo falar-se em “causas prováveis” do que em “fatores contribuintes”, mas nem acho que este é um grande problema e também entendo o motivo de ser assim (a questão da criminalização da investigação).

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