O resultado prático do PDAR: atrasar em dois anos o desenvolvimento da aviação regional paulista – Ou: De “800 aeroportos prá mais” para menos de 8 aeroportos regionais concedidos

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Conforme anunciado aqui, na semana passada, o grandioso PDAR, que o Governo Federal dizia que iria revolucionar a aviação regional, acabou melancolicamente como um Plano Viúva Porcina – “aquele que foi sem nunca ter sido”. Mas, nesta semana, o mesmo governo que cancelou o PDAR anunciou com toda a pompa e circunstância que os planos para a aviação regional não estão de todo sepultados, não! Tudo bem que não serão os “800 aeroportos prá mais” anunciados pela Dilma-I em Paris, e nem os 270 que estavam no PDAR, mas pelo menos a concessão dos aeroportos de Florianópolis, Porto Alegre, Fortaleza e Salvador (evidentemente, não regionais), além de Caldas Novas (Goiás) e os paulistas Amarais (Campinas), Bragança Paulista, Araras, Jundiaí, Ubatuba e Itanhaém irão acontecer. Seriam, portanto, sete aeroportos regionais: menos de 1% do plano inicial, mas já é alguma coisa, não?

Na verdade, não: dos sete aeroportos regionais que agora se anuncia, cinco já eram para estar concedidos há dois anos (Amarais, Bragança, Jundiaí, Ubatuba e Itanhaém) – vide esta matéria do Estadão. O processo de anuência da SAC-PR, que estaria “praticamente OK” de acordo com a declaração do presidente do DAESP (órgão que administra os aeroportos paulistas) à época, voltou atrás porque o Governo Federal não deixou que o Governo do Estado de São Paulo tocasse seu próprio plano para a aviação regional, obrigando o governo paulista a se enquadrar no PDAR. O resultado prático disto é que só agora, com o PDAR naufragando, é que o governo paulista obtém a autorização para desenvolver a aviação regional no estado – ou seja: o PDAR atrasou a aviação regional paulista em dois anos. “Ah, mas agora estão incluídos os aeroportos de Araras-SP e de Caldas Novas-GO!”. Pois é, este é o saldo positivo dessa história toda.

5 comments

  1. Anderson
    3 anos ago

    Opa!

    Sei que não tem muito haver com o post! Mas já que mencionou-se o SAC-PR, alguém tem noticias sobre aquele 1.4 Milhões para bolsas de formação de piloto?

    Obrigado.

    • raulmarinho
      3 anos ago

      Deve estar na 97a. gaveta dos projetos procrastinados…

  2. Lá vem o Marcos. Descendo o morro da Vó Salvelina.
    3 anos ago

    Pobre dos brasileiros. Sempre se contentando com migalhas.

  3. Luiz Felipe
    3 anos ago

    Definitivamente não entendo como pode não haver o mínimo de senso na política de gestão de aviação brasileira.
    Confesso que também tento imaginar meios para viabilizar tal, mas trabalho a 5 anos em táxi aéreo, 3 anos com despacho de documentação para concessão/revalidação de habilitações e só vejo burocracia; e progressivamente aumentada! Em síntese, quase NADA MELHORA. Absurdos de sempre, mas não sei como reagir!

  4. Beto Arcaro
    3 anos ago

    É ridículo como sempre, mas no frigir dos ovos, antes isso do que nada.
    Vamos torcer para que esses permissionários sejam realmente comprometidos com uma boa administração e com a sustentabilidade desses aeroportos.

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