Os “dados abertos” das ocorrências aeronáuticas brasileiras – e algumas sugestões aos estatísticos do CENIPA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Desde a última sexta-feira (19/06), o Portal Brasileiro de Dados Abertos do Governo Federal passou a incluir também as Ocorrências Aeronáuticas na Aviação Civil Brasileira – segundo esta nota do CENIPA, para “gerenciar a prevenção nas empresas aéreas, embasar estudos científicos ou saciar a curiosidade dos usuários do transporte aéreo”. Ok, talvez estes novos dados sejam muito bons para os fins citados – não vou entrar neste mérito. Mas para a compreensão e melhoria da segurança da aviação geral (que é a que mais gera acidentes e mortes na aviação civil brasileira), essa novidade importa muito pouco.

Quando publiquei este post sobre o “Panorama Estatístico da Aviação Civil Brasileira” relativo ao decênio 2005-2014, exatamente um mês atrás, a Comunicação Social do CENIPA entrou em contato comigo dizendo que iria esclarecer minhas críticas quanto ao relatório – especialmente as detalhadas aqui, sobre o “desacidentamento” de ocorrências aeronáuticas. Estou esperando até hoje a prometida resposta, e nem a provocação publicada alguns dias depois aqui surtiu efeito.

Mais recentemente, quando o DECEA publicou seu próprio relatório, voltei ao tema – desta vez, extrapolando os dados sobre a movimentação do Campo de Marte para explicar a importância de se saber as taxas relativas de acidentes para concluir se a segurança da aviação geral está melhorando ou piorando. Também solicitei apoio ao DECEA neste sentido e, mais uma vez, encontrei o silêncio.

Agora o tal do Portal Dados Abertos aparece com uma maçaroca de novos dados, dando a impressão de enorme transparência e grande comprometimento com a segurança da aviação brasileira… Quando, na verdade, nós continuamos não sabendo nem se a segurança da aviação geral está melhorando ou piorando! Então, caso algum estatístico do CENIPA esteja lendo estas mal traçadas, gostaria de fazer duas sugestões:

1) Calculem a taxa relativa de acidentes da aviação geral, pois sem isso não dá para sair do zero em termos de compreensão do cenário de segurança aeronáutica no Brasil; e

2) Se vocês quiserem mesmo produzir informação de utilidade para a compreensão da segurança da aviação geral brasileira, dêem uma olhada no Nall Report, da AOPA. Como diria o Cmte. Rolim, “quem não tem inteligência para criar tem que ter coragem para copiar”, né?

13 comments

  1. Marcos Véio
    5 anos ago

    Aahhh claro. Sobre os “dados abertos”. Típico trabalho finalizado numa Sexta-feira às 16:00. Rssssss

  2. Marcos Véio
    5 anos ago

    Cmte. Rolim! Esse era o cara!

  3. Humberto Branco
    5 anos ago

    Perfeito, Raul. A APPA, irmã da AOPA-EUA aqui no Brasil, apresentou o Nall Report para autoridades brasileiras há, digamos, 2 anos. Temos nos oferecido para conduzir processo de aproximação entre as entidades brasileiras e o Air Safety Institute, ligado à AOPA-EUA. O resultado é mais ou menos como a sua espera por resposta… Ignoram as contribuições e desprezam quem faz um trabalho exemplar, analisando a segurança na Aviação Geral, há nada menos do que 23 anos! Raul, com já falei com você em outras oportunidades, em certos casos precisamos simplesmente tomar uma atitude e fazer o que tem que ser feito, independente do que as “autoridades” pensam ou fazem. A APPA está organizando iniciativa para tornar a base do ASI acessível por aqui, para que nós mesmos possamos usar as informações e estabelecer nossas próprias métricas. A segurança não pode esperar pela burocracia e falta de interesse.

    • raulmarinho
      5 anos ago

      Pois é, Humberto, o próprio Nall Report é feito neste espírito: não é a FAA ou o NTSB que o faz, e sim a AOPA. Então porque a APPA ou mesmo o PSP não fazem o mesmo no Brasil? Simples: porque não temos dados primários confiáveis (veja o relatório do CENIPA, que “desacidentou” 10 ocorrências líquidas, p.ex.)!!! E, muitas vezes, nem temos as informações mínimas! Cadê os dados totais sobre movimentação (DEP+ARR+TGL+Cruzamento de aeródromo) do DECEA, p.ex.? Como eu vou conseguir essa informação sozinho?

  4. Beto Arcaro
    5 anos ago

    Fantástico Raul!
    Ótimo Post!
    As vezes eu tenho a impressão que quando o Governo, o DECEA, a ANAC, o CENIPA, começam à citar muito “as estáticas”, é porque a coisa toda não anda nada bem.
    Elas funcionam muito bem para acalmar os “incautos”.
    E quando a gente as questiona, com um pouquinho mais de inteligência, aparecem sempre aqueles “grilinhos do CQC”.

    • raulmarinho
      5 anos ago

      Pois é, mas eles criam um portal de dados para dizer que há total transparência, né?

      • Beto Arcaro
        5 anos ago

        Total transparência “quando possível”, se é que você me entende…. Rsrsrsrs

        • raulmarinho
          5 anos ago

          Perfeita analogia… É isso mesmo!

  5. Rodrigo Edson
    5 anos ago

    O curioso é clicar no link e a pagina não abrir…

    *pagina do CENIPA

    • raulmarinho
      5 anos ago

      Acabei de testar, e abriu…

      • Rodrigo Edson
        5 anos ago

        opa…agora consegui. valeu

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