As oito maneiras de economizar na formação de piloto do Boldmethod – mais duas por minha conta

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O Boldmethod publicou um post excepcionalmente importante para quem está realizando sua formação aeronáutica, o “8 Ways To Cut Your Flight Training Costs“. Todas as dicas são relevantes e 100% aplicáveis à realidade brasileira, mas tem uma que eu acho particularmente eficiente, que é a #7 “Armchair Flying” – que, no Brasil, é conhecido como “Voo Mental”. Trata-se, em resumo, de simular mentalmente todas as etapas da missão de treinamento que irá ocorrer: você imagina tudo o que vai realizar em detalhes, de modo a treinar seu cérebro sobre como reagir na situação real. Isso é de uma importância inimaginável no treinamento!

Mas eu gostaria de complementar a lista do Boldmethod com duas outras dicas muito importantes na realidade brasileira:

9)Planejamento financeiro

A formação aeronáutica de piloto de avião* tem como característica um acúmulo de desembolsos na parte final do curso de PC, que é quando ocorrem os treinamentos IFR e MLTE, muito mais caros que o treinamento VFR/MNTE do restante do curso. Então, o aluno que tem um orçamento fixo mensal para gastar chega num momento da formação em que o progresso é muito lento, o que acaba encarecendo o curso, pois o CMA e a habilitação MNTE vencem, as horas de voo MLTE também podem vencer (elas têm só 6 meses de validade), e a ansiedade para checar logo o PC pode levar o sujeito a contrair empréstimos ou a vender bens de maneira desvantajosa, que acabarão se revelando decisões muito prejudiciais financeiramente.

Isso pode ser evitado com um bom planejamento financeiro antes de começar a formação. É preciso ter uma reserva financeira no início dela para ser queimada no final, pois isso acaba por gerar uma economia substancial – sem contar que evita a pior situação, quando a pessoa não tem nem dinheiro para terminar a formação e nem licença para obter renda como piloto. Nos links do e-book “Como ‘tirar brevê’ e quanto isso vai custar: Um guia prático, completo e atualizado sobre a formação aeronáutica básica no Brasil” há uma série de planilhas que poderão ajudar neste processo de planejamento.

*Para pilotos de helicóptero, o processo é mais homogêneo. Mas, desde set/2014, existe a necessidade de treinamento IFR também para o curso de PCH, gerando um certo desequilíbrio também na formação de asa rotativa.

10)Prioridade: entre a carteira e o diploma, sempre foque na primeira

Muita gente se perde entre as prioridades do processo de formação. Cada vez mais, o diploma universitário é importante para um piloto, em especial para quem quer trabalhar em linha aérea. Mas uma faculdade de aviação custa caro, e não raramente as pessoas decidem priorizá-la em detrimento das horas de voo. O problema é que quem tem as carteiras mas não tem o diploma ainda é um piloto, enquanto que aquele que tem diploma mas não tem carteiras não é nada (para poder pilotar profissionalmente, é claro…). E aí, quem priorizou a faculdade em detrimento das horas de voo não tem como começar a voar profissionalmente – como instrutor, copiloto na aviação geral, puxando faixa na praia, etc. -,  e nem consegue aumentar sua renda com o diploma da faculdade. Isso sem contar com a situação de quem faz o curso em uma instituição que exige que o aluno tenha a licença de PC para poder colar grau: aí, nem o diploma ele consegue, e corre o risco de ser jubilado da faculdade se não checar o PC num determinado prazo.

Então, se a intenção for a de obter uma formação aeronáutica abrangente, incluindo a faculdade, é preciso pensar bem para ver se há recursos para as horas de voo. E, em caso negativo, redefinir a estratégia, seja deixando a faculdade para depois, seja optando por um curso “terráqueo” (ex.: engenharia, administração, etc.), que pode, inclusive, ser público e gratuito – lembrando que há a possibilidade de uma pós-graduação na área de aviação para estes casos. O importante é ter em mente que a prioridade na alocação de recursos sempre deve ser a obtenção das carteiras de piloto, pois elas é que permitirão ingressar no mercado de trabalho como aeronauta.

3 comments

  1. Wanderley
    3 anos ago

    A respeito do último parágrafo citado Raul, quais seriam os cursos relacionados à área de aviação para Pós-Graduação ?

  2. Concordo 100%, o “Vôo Mental” ajuda muito a aproveitar a instrução, principalmente a de simulador. A gente sugere que cada aluno/treinando faça seu vôo mental individual e depois os dois alas se reunam para fazer um repasse do perfil a ser voado, pouco antes de cada sessão, de preferência num CPT/FTD que esteja disponível, ou mesmo num “mockup” da cabine de comando. Ter uma boa idéia dos “scan flows” / “action flows”, “boxed actions” (itens de memória), perfis dos procedimentos (IFR / VFR / Circling etc) e das pedidas de “checklists” é mais de meio caminho andado. Não se espera que ninguém dê “espetáculos”, mas só de o instrutor ver que está havendo estudo sério e esforço no sentido de aprender já garantem boa parte do programa de treinamento.

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