Ainda a “intromissão do Estado em nossas vidas”: como essa mesma discussão ocorre em sentido diametralmente oposto nos EUA

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O USA Today de ontem publicou uma matéria sobre como está a discussão naquele país sobre a questão da “intromissão do Estado em nossas vidas” (deles, no caso), inclusive quanto à necessidade de treinamento em simuladores de voo. Embora o foco da reportagem não seja as habilitações de TIPO, e sim a qualificação de tripulantes das linhas aéreas regionais, o pano de fundo é o mesmo desta discussão travada aqui no blog: um grupo defendendo menos regulação do Estado, e outro argumentando serem necessários requisitos de treinamento mais rígidos por parte da FAA (incluindo mais treinamento em simulador*). E, ora vejam!, quem é que está do lado dos que defendem mais intromissão Estatal? Os pilotos (junto com as associações de vítimas de acidentes aeronáuticos)! Na ponta oposta, estão as empresas de aviação regional individualmente ou organizadas em associações.

“Ah, mas nos EUA diferente porque…”. Sim, tudo é diferente lá, não só o país, como a agência reguladora, o sistema judiciário, a economia, a cultura, e tudo o mais. Porém, a discussão é exatamente a mesma que no Brasil: devido a critérios econômicos (lá, um suposto “apagão de pilotos”, aqui o custo de treinamento em CTACs), as autoridades aeronáuticas devem ser mais flexíveis quanto aos seus critérios mínimos de qualificação de tripulantes? Vale a pena ler o artigo acima indicado como cultura geral sobre o assunto.

*Obs.: Para deixar claro que a discussão não se restringe às tais 1.500h de voo para os copilotos das linhas aéreas regionais americanas, reproduzo o seguinte trecho da reportagem que cita os requisitos mais rígidos para treinamento em simulador (o que também é interessante porque trata igualmente de melhorias nos critérios de escala/fadiga):

FAA regulations that grew out of the Colgan crash required greater simulator training to avoid aerodynamic stalls and increased rest periods between shifts. (…)

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