Nova regulamentação da ANAC para aeronaves e operações PBN

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A ANAC publicou na última 6a. feira a IS 91-001D com novas regras para a operação PBN, baseada em GNSS. Ao final deste post, reproduzo parte da explicação do regulamento sobre o assunto, mas antes é preciso entender os principais conceitos de que ela trata:

  • Navegação baseada em desempenho ou performance-based navigation (PBN) significa requisitos específicos de navegação de área aplicáveis às aeronaves conduzindo operações em rotas ATS, em procedimentos de aproximação ou espaços aéreos específicos.
  • Operação PBN significa uma operação realizada em uma rota ou procedimento cuja execução requer que o conjunto de sistemas da aeronave, qualificação da tripulação e sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo atendam às especificações expressas em termos de precisão, integridade, disponibilidade, continuidade e funcionalidade, compreendendo especificações de RNAV ou RNP, associados a um determinado nível de precisão para cada tipo de operação.
  • Sistema de navegação global baseado em satélites ou global navigation satellite system (GNSS) significa termo genérico utilizado pela OACI que define qualquer sistema com abrangência mundial de determinação de posição, velocidade, tempo e deslocamento da aeronave, baseado em uma ou mais constelações de satélites. Inclui os sistemas GPS e global navigation satellite system (GLONASS).
  • Required navigation performance (RNP) specification significa uma especificação de navegação baseada em um sistema de navegação de área que inclui a obrigatoriedade da aeronave possuir sistema de monitoramento e alerta de desvios da rota. Tais rotas são designadas pelos prefixos RNP.
  • Area navigation (RNAV) specification significa uma especificação de navegação aérea que permite a operação da aeronave em uma trajetória especifica baseado em auxílios de terra, constelação de satélites ou equipamentos inerciais embarcados, a capacidade RNAV pode ser alcançada com uma ou com a combinação das tecnologias citadas.

Segue, agora, a parte principal da introdução, que explica melhor o assunto:

O conceito PBN representa um esforço da OACI em harmonizar os métodos de navegação de área e engloba os métodos de navegação RNAV e RNP. Estes últimos são dois métodos similares, que se diferenciam basicamente pela existência, na navegação RNP, de um sistema de monitoramento e alerta aos pilotos da integridade da informação de posicionamento da aeronave, que não se faz necessário na navegação RNAV. O PBN veio a introduzir critérios baseados em desempenho para os sistemas de navegação expressos em termos de precisão, integridade, disponibilidade, continuidade e funcionalidade, em substituição aos conceitos anteriores cujos critérios eram baseados em tecnologias específicas.

A implantação de rotas de acordo com o conceito de navegação baseada em desempenho possibilita a redução da separação lateral e longitudinal entre as aeronaves, resultando em benefícios para os operadores, mantendo o elevado nível de segurança das operações. Entre outras vantagens, pode-se mencionar um maior número de rotas otimizadas, a redução do tempo de voo, diminuição de atrasos, maior flexibilidade de operações e menor consumo de combustível.

Os sistemas de navegação de área permitem o voo em qualquer trajetória desde que a aeronave se encontre dentro da cobertura dos auxílios à navegação (por satélite ou em terra) ou dentro da capacidade dos equipamentos de posicionamento embarcados, ou uma combinação de ambos.

Os requisitos de desempenho de navegação em rotas ou espaços aéreos específicos devem ser definidos de maneira clara e concisa. Esta condição visa assegurar que todo o pessoal envolvido com as operações esteja devidamente informado sobre a situação e a correta operação dos sistemas de navegação a bordo das aeronaves, assim como sobre compatibilidade e adequabilidade destes sistemas para a realização dos procedimentos de navegação.

6 comments

  1. saco cheio
    5 anos ago

    E já faz tempo que se exige a LOA para PBN e para RVSM…
    A Anac leva cerca de 120 dias para emitir uma LOA de PBN até para aeronaves que já saem homologadas de fábrica. De RVSM exige até um vôo, de no mínimo 40 min sem fazer curvas.
    A LOA sai nominal ao cmte responsável e para uma só matrícula.
    Ou seja…o dono da aeronave troca de piloto, tem que refazer a documentação…e isso requer tempo e $$…
    E assim vai….e vence de dois em dois anos…
    Para as escolas, nem imagino o que inventarão.

  2. Beto Arcaro
    5 anos ago

    Então…
    Eu acho um exagero para a 91.
    Tive contato, com procedimentos RNAV nos EUA em 2006, do jeito certo, respeitando as limitações que qualquer procedimento IFR tem.
    Pra variar, lá eles encaram os RNAV´s como uma coisa “comum”
    É claro que existem requisitos à serem checados para garantir a integridade dos procedimentos, mas “de execução”, um procedimento RNAV é bem mais simples do que uma aproximação VOR/DME.
    Pra mim, é mais uma daquelas coisas onde deveríamos ter algo “parecido com a FAA”.
    Fica a dica pra APPA, se é que ela já não está com esse “perrengue” na mira.

  3. Beto Arcaro
    5 anos ago

    E a obrigatoriedade da LOA, para cada aeronave à ser voada?
    E a LOA para se efetuar um simples RNAV?

    • Raul Marinho
      5 anos ago

      Tá tudo na IS, Betão.
      Eles falam em IS “por operador” – que, na 91, é sinônimo de falar “por aeronave”, né?

      • Beto Arcaro
        5 anos ago

        Vou verificar melhor…
        Mas essa de LOA pra cada aeronave e para se efetuar um RNAV de não precisão, eu não engulo.
        Se você considerar, para efetuar um procedimento RNP, eu até acho que se tenha que exigir um treinamento especial.
        Imagine que eu tenha um C-172 com G1000, para treinamento IFR.
        O Aluno e o instrutor terão que ter LOA para voar a aeronave?

        • Raul Marinho
          5 anos ago

          No caso de voo de treinamento, eu entendo que não haveria a necessidade de LOA, a menos que fosse IFR real.
          Mas veja no texto da IS que eles sempre fazem referências a regras da ICAO e de uma tal de CARSAMMA, que é a agência de monitoramento para Am.Sul & Caribe.

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