Sete Linhas Aéreas encerra maior parte da operação – As primeiras vítimas do “Plano Viúva Porcina” para a aviação regional

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A ‘pilotosfera’ foi sacudida ontem com rumores de que o Grupo Sete, de Goiânia (que engloba linha aérea, táxi aéreo, manutenção de aeronaves e hangaragem) estaria encerrando as atividades. No decorrer do dia, a empresa publicou a nota abaixo reproduzida esclarecendo que, na verdade, o que estava em curso era a desativação da parte da operação de linha aérea hoje operada com os EMB-120 Brasília e a reestruturação das rotas operadas com os Cessna-208B Grand Caravan – vide mapa de rotas.

sete notaDe acordo com o RAB/ANAC, a empresa opera no transporte regular de passageiros com 4 Brasília e 4 Grand Caravan – sendo uma aeronave de reserva de cada modelo (então, para todos os efeitos práticos, vamos admitir uma frota de 3 EMB-120 e 3 C-208B). Supondo que a empresa aloque dez pilotos por aeronave (uma média um pouco inferior à das grandes empresas, que trabalham com cerca de 12pilotos/aeronave), e que somente um C-208B seja desativado nesta “readequação”, teríamos um total de quatro aviões deixando de operar (3 EMB-120 e 1 C-208B), ou seja: cerca de 40 pilotos perdendo o emprego. Em relação aos comissários (cada Brasília leva um por voo), podemos estimar mais umas 15 demissões, totalizando aproximadamente 55 aeronautas sendo cortados.

Estes 55 talvez sejam os precursores das centenas de demissões de aeronautas que poderão ocorrer em 2016, conforme os anúncios de redução de frota das três maiores companhias aéreas que atuam no país. Mas, no caso específico da Sete, há um vilão (ou vilã) ainda mais cruel do que a crise econômica lato sensu que o país vive no momento, citada na nota da empresa. Como típica linha aérea regional, a Sete foi uma das companhias mais prejudicadas pela não execução do PDAR, o Plano para o Desenvolvimento da Aviação Regional do Brasil. Em junho, quando ficou claro que o PDAR se transformara no “Plano ‘Viúva Porcina’ da Aviação Regional” (aquele que foi sem nunca ter sido), a sorte destes 55 profissionais estava sendo selada. Sem investimentos em aeroportos regionais e sem subsídios para viabilizar a operação, dificilmente seria viável continuar com o transporte aéreo regular de passageiros que a empresa se propunha a fazer. Deu no que deu.

19 comments

  1. Leandro
    3 anos ago

    Meus caros amigos pilotos desanimados com a aviação como um todo, assim como eu, na minha opinião pessoal, existe apenas um culpado por todo esse abismo onde estamos agarrados nas pequenas e finas raízes da borda, este culpado chama-se “Partido dos trabalhadores” vulgo PT.

  2. Drausio
    3 anos ago

    Parece que, enfim, surge espaço para uma postura liberal na opinião pública latino americana.
    Além do admirável Chile, e da Colômbia, com suas consistentes políticas pró-mercado, agora surge uma senda de esperança na malfadada Argentina. Mesmo Uruguai e Paraguai tem demonstrado que perceberam onde toca o sino da prosperidade ao adotarem políticas consistentes de fomento ao desenvolvimento econômico sem a participação estatal. Para ficar ainda mais didático o panorama latinoamericano ainda conta com o contra-exemplo de uma Venezuela e seus horrores.
    No Brasil, olhando atentamente o que publica a imprensa, dá pra perceber que a opinião das pessoas rejeita cada vez mais a intervenção estatal no ambiente econômico. A recessão brava associada à corrupção estatal sob os auspícios do mais estatizante dos partidos políticos de expressão nacional farão o grande bem de ensinar ao país de uma vez por todas o que o mundo já sabe pelo menos desde 1989, que menos estado e mais mercado é melhor para todos e evita muitos problemas graves.
    O discurso corporativista, sobretudo aquele que reivindica a proteção estatal, está definitivamente fora de moda, na contracorrente do pensamento liberal cada vez mais difundido e defendido entre a população. Nesse contexto não é recomendável defender uma política intervencionista, velada ou explicitamente, nem mesmo em ambientes sindicais. Sobretudo se o sindicato em questão estiver em um momento de (re) estruturação, em busca do apoio de uma categoria profissional historicamente avessa ao corporativismo sindical. Faz muito mais sentido condenar inequivocamente qualquer pirotecnia estatal e apontar soluções liberais e efetivas para os problemas do setor, no caso, aéreo.
    Nos próximos anos o Brasil será varrido por um tsunami de ideias e políticas liberais. Tomara que o SNA e os representantes dos diversos segmentos da comunidade aeronáutica saibam aproveitar para surfar nessa poderosa onda gigante.

    • André Dias
      3 anos ago

      Drausio, muito profundo o seu comentário! Excelente mesmo! Eu venho pensando faz algum tempo, que talvez essa crise seja o marco de uma nova era no Brasil. Acredito que muita coisa vai mudar nos próximos anos, novas políticas serão implantadas à favor do crescimento do desenvolvimento, a princípio para proporcionar uma saída rápida da situação crítica em que o país se encontra, e posteriormente tais políticas servirão para alavancar o Brasil por um caminho de desenvolvimento mais rápido, de modo geral.
      A um tempo atrás vi muitos falando “O gigante acordou”. Acho que não acordou naquela ocasião. O gigante estava adormecido até agora, e talvez essa crise causada por pura incompetência e corrupção política seja o soco na cara que precisava para ele acordar de vez.

  3. Marco Véio
    3 anos ago

    Eu consigo até entender esse papo de diminuir o “tamanho do estado”.

    Mas existe uma realidade por trás dessa falácia: o estado não é tão grande assim. O que dificulta é a burocracia e ineficiência. Para efeito de comparação, os voos feitos para o estado americano Alasca e outras localidades remotas da América do Norte, são fortemente subsidiadas. Nada mais justo, é o retorno do imposto recolhido.

    Entendeu de onde vem esse sentimento de estado GRANDE. Os impostos vai mas não volta.

    • Marco Véio
      3 anos ago

      Faltou:?
      Onde tem “vai” troca por “vão”

    • Drausio
      3 anos ago

      O Estado não é tão grande assim?
      R$110 bilhões de déficit em um único ano.
      Dívida pública fora de controle, suspeita de dominância fiscal.
      Não sei o que seria um Estado grande pra você.

      Se “o que dificulta é a burocracia e ineficiência [do Estado]” , qual é a solução?
      Consertar o Estado? Torná-lo eficiente? hahaha
      Não dá pra fabricar ouro, amigo.

      ‘Os impostos vão e não voltam’?
      Bom que eles nem fossem, então, não é?

      • Marco Véio
        3 anos ago

        Isso mesmo! 110Bi.

        Mas você sabe porque?

        JUROS/RENTISMO

        Procure saber mais ao invés de ficar replicando falácias.

        Porque precisamos TAMBÉM consertar essa mania do brasileiro.

        Aqui se fala que temos que trabalhar 5 meses para pagar imposto, correto?

        Tem países com índices muito melhores em tudo, que absorve bem mais que isso.

        Porém, o estado comparece. Você nem precisa ter plano de saúde privado. Nem se preocupar com a escola e universidade do seu filho.

        Aqui o rentismo põem tudo no ralo.

        Veja se os banqueiros estão preocupados com crise?

        Encerro aqui!

        • A.M.Filho
          3 anos ago

          Burocracia e ineficiência são consequências diretas do Estado Gigante! Em uma estrutura mais enxuta, simplesmente, não dá pra ficar criando barreiras para a execução de um serviço. O Brasil tem tanto órgão público que cada um precisa criar mais dificuldades para vender facilidades e justificar sua existência.
          Sobre o rentismo/ juros, essa é uma conversa da esquerda pra tentar justificar que tudo é culpa do capitalismo, mais uma vez, consequência do Estado Gigante que não consegue se sustentar, mesmo com uma arrecadação absurda. O que faz? Recorre ao mercado para vender seus títulos da dívida…É a mesma coisa de alguém que ganha 4 mil e gasta 5 mil, quem vai financiar o déficit? Provavelmente o banco…e não é de graça mas a culpa é de quem? Do banco? Ou daquele que descontrolou seu orçamento?

          • Marco Véio
            3 anos ago

            Então, mais esse papinho de esquerda vs direita. Eu sou o cara mais capitalista que eu conheço. Entenda sobre o custo do dinheiro meu amigo. Entenda porque a dívida dos governo americano está na casa do TRILHAO. Para com esse discursinho de perseguição. Isso é conversa pra moleque de universidade.

            • A.M.Filho
              3 anos ago

              Bem, se você se diz o cara “mais capitalista que existe”, deve ser um defensor dos mercados, correto? Vir aqui pra defender que o Estado brasileiro não é tão grande, com todos os dados existentes e disponíveis a quem quer que seja soa como uma tremenda incoerência. A dívida americana está gigante justamente porque para evitar a quebradeira nos EUA em 2008 injetou muito dinheiro na compra dos tais títulos podres. Só que injeção de dinheiro gera inflação, o banco central passou a pagar boas taxas de juros para que os bancos mantenham o dinheiro aplicado, não aumentando a liquidez do sistema. Foi uma inovação nunca antes praticado no mundo. Se vai dar certo? Não sabemos, há quem diga que o futuro pode ser tenebroso justamente por essa decisão. Uma coisa é certa, o FED tenta voltar a operar como antes de 2008 dando mais importância a FFR mas ainda não sabe como fazer.
              Se você acha que o mundo não é influenciado por idéias de esquerda ou idéias conservadoras/ liberais, tudo bem. Tem gente que acredita até em doendes. O moleque aqui passou pela universidade justamente para não dizer que é “mais capitalista que existe” e na sequência flertar com idéias da esquerda ou do ultraconservadorismo.

              • Marco Véio
                3 anos ago

                Cara, sem neuras, você está certo. Sua pesquisa no Google foi assertiva e quando você disse “Se vai dar certo? Não sabemos…” puxa vida! Nunca foi minha intensão tirar leite do seu diploma. Eu até poderia agora dizer o que vai acontecer. Mas… de boas cara! Outro dia!

  4. Daniel
    3 anos ago

    Raul, eu entendo e compartilho sua indignação com a situação lastimável em que se encontra a aviação civil no país. Contudo devemo tomar cuidado ao classificar o PDAR (cujo estudo nunca foi de fato apresentado ao mercado, se é que foi produzido) como salvador da pátria da aviação civil brasileira.

    Subsidiar rotas sem demanda nada mais é do que o bolsa família da aviação civil. Se não há demanda, não adianta pagar para voar co assentos vazios a titulo de esmola. é melhor investir em hospitais e escolas do que nisso. Já a infraestrutura atual atende razoavelmente à demanda regional. Temos que lembrar que os ATR operam em qualquer buraco, iteralmente e, a infra de aeroportos do nosso país não está no nivel África. Outro ponto do PDAR: muito do que seria investido seria em terminais e com revisões absurdas de demanda. Uma racionalização dos investimentos era necessária….

    Devemos tomar cuidado com esses programas, vide o que houve na decada de 70, quando algo semelhante foi feito. Chegamos a algo perto de 250 cidades atendidas, mas assim que a grana acabou, a quebradeira foi geral. Esses programas só geram ineficiência.

    Esse é um movimento normal de mercados “desregulamentados”, onde rotas menos lucrativas somem em momentos de retração. Considerando que a aviação é um setor sensivel e que o pais está em recessão, obviamente que as rotas de menor rentabilidade irão diminuir.

    Há um trabalho bacana do Oliveira & Silva (2008) sobre o assunto (NECTAR/ITA): http://pantanalbraziltourism.com/fotos/arquivos/96.pdf

    O país vai parar? as pessoas vao deixar de se locomover? Não. Existem modalidades que, embora piores logisticamente falando, substituem a aviação nesses períodos. No caso do Brasil, o carro.

    A situação é péssima para nós, mas calma lá que o PDAR não era lá essas coisas…..

    • André Dias
      3 anos ago

      Amigo, o PDAR pode não ser a salvação da pátria mas ainda assim é importante para que empresas aéreas regionais não venham a falir. O brasil já quase não tem empresas aéreas regionais, as que realmente apareciam segurando o rojão são a própria Sete, a Passaredo e a Azul. Estamos na iminência de ver restar só a Azul para atender todo o interior do Brasil, isso se ela não se ver obrigada a cortar as rotas regionais para se manter. O quadro realmente não está nada bom.
      Outro detalhe é que ATR’s são aeronaves realmente muito valentes, excelentes para aviação regional. Porém não é exatamente em “qualquer buraco” que eles podem operar. Existem mínimos de segurança que envolvem muito mais do que o tamanho da pista do aeródromo, tem muita cidade que recebia até pouco tempo, mas deixou de receber voos da Azul por não ter os mínimos necessários para operar ATR’s.

      Apesar de tudo, realmente é valido dizer que o foco do país agora é sair da crise e tem outras prioridades além da aviação, mas isso não anula o fato de que a presidenta prometeu um PDAR e está no fim das contas fazendo exatamente o contrário do que foi prometido. E também não quer dizer que o PDAR não seja importante.

      Abraços!

      • saco cheio
        3 anos ago

        André,
        concordo em quase tudo…discordo num ponto: a Azul não é regional. Qual é a “região” da Azul,pois ela opera em Manaus e Porto Alegre??

        • André Dias
          3 anos ago

          Meu caro, eu realmente errei ao citar a Azul entre as empresas regionais, mas a Azul de fato é a maior operadora de rotas regionais do Brasil, então apesar do fato de que ela agora é uma cia internacional, a aviação regional depende bastante dela, e o que eu disse no meu comentário é que vai passar a depender ainda mais se continuar do jeito que está.

          • saco cheio
            3 anos ago

            Concordo.
            Por isso é que a tendência de “regionais” de verdade, desapareçam.
            Como uma empresa “regional” de verdade, que voa turbo-hélice apenas, poderá competir com outra “regional” igual a Azul, que voa até internacional?? Não podemos comparar as estruturas…e as pequenas “regionais” de verdade, como tinhamos antigamente(TABA, Rico, TAVAJ, Nordeste, Rio-Sul, Passaredo, NHT, Sete) com as “regionais” que voam para o interior do Brasil e para fora do país. Concorrência desleal.

            • André Dias
              3 anos ago

              Verdade… Vamos torcer para que a Passaredo e a Sete sobrevivam. Mas a concorrencia é realmente desequilibrada.
              Olhando por outro lado, é bom que pelo menos tenha a Azul como um pilar bem rígido sustentando a aviação regional. A estratégia da Azul foi muito bem bolada, está caminhando a passos largos para se tornar uma espécie de “Varig” do século XXI. Não sei se vc concordaria comigo nesse ponto, mas eu acho que quanto mais a Azul se desenvolve, mais ela desenvolve junto a aviação regional como um todo, pois além de desbravar locais nunca antes explorados, ela ainda mantém mesmo os menores aeroportos ativos e evita que entrem em estado de abandono. E aeroporto funcionando já é caminho aberto para que cias regionais surjem no futuro, quando tiver passado a crise, e ela vai passar uma hora. :)

  5. Frederico
    3 anos ago

    É uma notícia triste para o meio aeronáutico perdermos mais uma empresa aérea com foco regional.

    Concordo que precisamos aprimorar a estrutura aeronáutica brasileira e a aviação regional, mas discordo do cunho “paternalista” do post, tal como se fosse obrigação de Estado prover tal infraestrutura e tais subsídios para a Aviação, quer seja regional quer seja não regional.

    Temos que parar de ter tal comportamento paternalista e estatizante. Esse tipo de coisa não cabe ao Estado. Não cabe ao Estado financiar tal atividade com o dinheiro dos tributos que sufocam os agentes econômicos.

    Cabe ao Estado sim facilitar o desenvolvimento das empresas, dentre as quais se inclui a Aviação Regional, mas tal facilitação deve envolver desburocratização, redução de impostos (especialmente sobre os combustíveis), redução dos encargos trabalhistas, redução do “custo Brasil”, etc.

    Enfim, cabe ao Estado REDUZIR sua participação na economia, e não aumentar via programa de subsídios tal como era esse malfadado Plano de Desenvolvimento da Aviação Regional.

    As empresas, incluindo as de Aviação Regional, devem ser auto-sustentáveis, devem literalmente “voar com as próprias asas”, e não ficar dependendo de subsídios e outros recursos públicos para poderem sobreviver.

    A nossa luta deve ser outra, não deve ter o cunho paternalista deste post pedindo mais intervenção do Estado, mas deve sim focar para reduzir o peso do Estado, pois este sim é quem impede que tais Cias Regionais sejam efetivamente sustentáveis.

    O mesmo raciocínio vale para a infraestrutura arroportuária. Devemos incentivar a iniciativa privada também nessa aérea, desburocratizando o setor, e não ficar cobrando ainda mais intervenção estatal.

    Temos que sair dessa espiral negativa que nosso subconsciente coletivo infelizmente foi doutrinado a pensar de que tudo é obrigação do Estado fazer. Não!! Tudo é obrigação NOSSA de fazer, e cabe ao Estado simplesmente NÃO ATRAPALHAR!!!

    Vamos cortar pela raíz o problema! Chega de aceitar a manipulação política que, para se perpetuar no poder, literalmente “cria dificuldades para vender facilidades”.

    Vamos ser mais maduros e menos corporativistas nas nossas discussões aeronáuticas, pois só assim conseguiremos contribuir para uma evolução efetiva da aviação brasileira.

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