Sobre depressão de pilotos

Sobre depressão de pilotos

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A rede de TV norte-americana CNN veiculou ontem uma matéria sobre depressão de pilotos (que o jornal O Globo acabou repercutindo) cujo mote é este estudo da revista técnica Environmental Health. A “novidade”: cerca de 13,5% dos pilotos pesquisados teriam sofrido de depressão no universo pesquisado (a maioria dos EUA, do Canadá, da Austrália, da Europa e da Ásia – somente 2% da amostra foi de brasileiros). Na verdade, isto só confirma o mostrado no post “Tirando a depressão do armário da aviação” que comentava um estudo da ICAO de novembro de 2013 que apontava para uma taxa de 15% de depressão entre pilotos.

O que realmente interessa sobre este assunto (e que de novidade não tem nada) é o trecho abaixo, reproduzido do citado artigo:

(…) a profissão predispõe o piloto a contrair doenças mentais e, por outro lado, pune quem apresenta tais distúrbios; daí, qual a consequência lógica? Ninguém revela seus problemas, o que agrava ainda mais o quadro! E depois, quando um caso sai do controle, como no recente [na época] desastre da Germanwings, é aquele espanto generalizado… Mas não era justamente isso o que se poderia esperar dessa “fábrica de loucos que criminaliza a loucura”?

Volto a dizer que de nada vai adiantar colocar um “bedel” na cabine para vigiar o copiloto solitário, ou “apertar a fiscalização” da saúde mental dos pilotos – isso pode, na verdade, ter o efeito oposto ao desejado. O que pode surtir algum resultado é:

1)Criar condições de trabalho que evitem o desenvolvimento de doenças mentais, e

2)”Descriminalizar” a depressão, permitindo que pilotos possam tratar seus problemas mentais sem medo de sofrer punições.

Aí sim, tirando a depressão do armário da aviação, pode-se começar a resolver o problema…

3 comments

  1. Marcos Véio
    10 meses ago

    O número 2 já existiu aqui no BR, mas isso foi há tempos trás, quando o país tinha cias aéreas de verdade. Hoje deve ser mais fácil para as empresas de transporte que tem agora, substituir um Piloto com depressão por outro que está em depressão por não estar voando.

  2. Beto Arcaro
    10 meses ago

    Você pega um Sujeito que ama voar, coloca esse mesmo Sujeito numa profissão onde ele faz o que ele ama (voar), então você o pressiona com cheques, simulador, recheques, exames médicos, enfim, vários fatores que podem tirá-lo da profissão.
    Esse “amor” pela profissão (além da estabilidade financeira proporcionada por ela) é colocado em risco à todo momento.
    Daí você pega esse ser humano, e o expõe à uma rotina maluca, reduz seu tempo de permanência com os familiares e amigos, com escalas apertadas.
    A vida dele, passa à ser a Profissão.
    Ele sabe que precisa dela por motivos pessoais (investiu tudo, durante a vida inteira, pra chegar “lá”) e financeiros.
    Mas a Profissão quer expulsá-lo dela a todo momento, com suas desvantagens bastante aparentes.
    Pura relação de dependência, de amor e ódio !
    Tem gente que se adapta, que não liga, sei lá…
    Tem gente que procura outro tipo de Aviação mais tranquila (experiência própria!) exercendo ainda o “amor” pela profissão, mas colocando a “qualidade de vida” em primeiro plano.
    Tem gente que perde o juízo !

    • vai vendo...
      10 meses ago

      Assino em baixo.

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