Cultura aeronáutica mata? Leia este Relatório Final e conclua…

Cultura aeronáutica mata? Leia este Relatório Final e conclua…

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A propósito da questão da cultura aeronáutica, comentada no post anterior, recomendo a leitura do Relatório Final do PT-WVM, recentemente publicado pelo CENIPA. Trata-se de um acidente ocorrido no final de 2014 com um Beech Bonanza ocupado por três pilotos (nenhum habilitado IFR) que encontrou mau tempo na rota e, como gostam de noticiar na imprensa lusa, despenhou-se próximo à fronteira entre a Bahia e Minas Gerais, sem sobreviventes.

Chamo a atenção para este trecho do relatório:

Segundo relato de pilotos que tinham prestado serviço ao proprietário da aeronave anteriormente, era comum haver pressão por parte deste para realização de voos que os pilotos consideravam estar fora dos limites operacionais aceitáveis.

O voo que resultou no acidente tinha o objetivo de realizar um translado do avião para Sorocaba, SP, onde seria realizada uma inspeção periódica na aeronave.

Segundo informações coletadas em entrevistas conduzidas pela Comissão de Investigação, na manhã do dia do acidente, o piloto saiu de casa ciente das condições meteorológicas desfavoráveis na rota, e chegou a manifestar para sua esposa que não queria realizar aquele voo.

Ao chegar ao local do embarque, o piloto comunicou sua intenção de não realizar o voo, fato que gerou um descontentamento por parte do segundo passageiro (piloto de helicóptero), o qual possuía maior ingerência e poder de decisão nos assuntos relacionados à operação das aeronaves junto ao operador.

Tal fato gerou, segundo a esposa do piloto que observava de longe a conversa entre os tripulantes, um clima conflituoso, que culminou na decisão do piloto por prosseguir com o voo, mesmo ciente das condições meteorológicas adversas e sem estar habilitado para o voo em condições IFR.

Que apresenta nas suas conclusões que:

As decisões associadas ao voo que resultou no acidente estiveram relacionadas com as regras informais que prevaleciam na utilização do avião, caracterizadas, entre outros aspectos, pela ausência de regras formais ou de princípios de ação identificados com uma cultura de segurança de voo que orientasse a conduta dos pilotos.

Está respondido, né?

7 comments

  1. Nilton Cícero Alves
    2 anos ago

    A falta dela mata…

  2. EC
    2 anos ago

    É triste ler relatórios assim. Pena que vai voltar a acontecer.

  3. Thales Coelho
    2 anos ago

    PPs recém checados operando um Bonanza Turbo-Hélice entrando em condição IMC, com provável problema nos dois horizontes e se pressionando para chegar no dia em SP. Um dono de avião que tem três máquinas e não quer pagar de forma apropriada UM piloto. Precisa de mais?

    • Nunes
      2 anos ago

      De acordo,deveria existir um mínimo aceitável muito acima das 35 horas !
      Para comando de uma aeronave assim,no mínimo 500 Horas

  4. Natacha
    2 anos ago

    Cmte qual a sua opinião a respeito das câmeras a serem instaladas no Cockpit, segundo informação da ICAO, até o ano de 2023?

    • Raul Marinho
      2 anos ago

      Não estudei o assunto o suficiente ainda…

    • Igor
      2 anos ago

      Ter um vídeos com as ações dos tripulantes deve ser o sonho de todos os investigadores de acidentes aeronáuticos. Imagina só um FDVR (FLIGHT DATA / VIDEO RECORDER).
      Seria um grande avanço para a atividade de investigação e prevenção de acidentes.
      Mas imagino que essa novidade seria implementada apenas na “121”.
      Na “91/135” isso seria motivo para vender o avião, pois trata-se de um investimento “muito caro”.

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