Saiu o Relatório Final do PT-ENM (avião que transportava a família do apresentador Luciano Huck), e foi pane seca mesmo – muito embora houvesse cerca de 320 litros de QAV a bordo

Saiu o Relatório Final do PT-ENM (avião que transportava a família do apresentador Luciano Huck), e foi pane seca mesmo – muito embora houvesse cerca de 320 litros de QAV a bordo

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Pane seca remete à ausência de combustível na aeronave, como foi no caso da tragédia do voo da LaMia, que levava a equipe da Chapecoense. Porém, há casos em que a pane seca ocorre mesmo havendo combustível a bordo, e foi precisamente este o caso do acidente com o avião que transportava a família do apresentador Luciano Huck, que sofreu uma parada de motor por falta de combustível mesmo com aproximadamente 320 litros de QAV na asa direita – vide RF do PT-ENM.

Vale a pena ler a análise do Relatório, que começa na pág.30, pois é praticamente uma enciclopédia sobre como não se deve gerenciar uma operação aérea, desde a manutenção até o gerenciamento da pane, passando pelo treinamento, pelo uso de check-lists e, como não poderia faltar, pela padronização – fator contribuinte onipresente nos relatórios de acidentes da aviação geral brasileira. O trecho abaixo representa bem o contexto operacional da ocorrência:

ENM

Dado o acima exposto, vemos como foi mesmo um milagre que o acidente não tenha resultado em nenhuma vítima fatal, não é mesmo?

5 comments

  1. Zé Maria
    9 meses ago

    Dureza é perceber que, entre outras coisas, os trips não fizeram o básico. . .
    Aí fica difícil de explicar em casa depois. . .

  2. Thales Coelho
    9 meses ago

    Programa de treinamento, isso tudo é papelada, seja teórico ou prático. No final, teórico lança-se como feito, assina-se os papéis e está tudo certo. Prático, só lançar no diário, bota a tripulação que quiser, o papel (e a ANAC) aceita, tudo certo, tudo feito. Aproveita-se para rechecar alguém aqui ou ali, voou 4 horas, lança umas meia hora a menos nisso aí, economiza né. Quem vê por fora, máquinas reluzentes, pilotos de raybanzão, relógio do tamanho de uma cebola, peito estufado, não faz idéia da podridão que é.

    O acidente deste relatório é só mais um a nos mostrar que essa industria do Taxi Aéreo (e da 91 também) precisa mudar, os empresários e seus subordinados não têm maturidade cultural para trabalharem sob uma agência praticamente inexistente.

    É a cultura do toca o pau, do vamo que vamo, que mais uma vez, derruba uma aeronave.

    • Zé Maria
      9 meses ago

      Parabenizando em público o Thales Coelho pela coragem de colocar os pingos nos “is”!!
      Foi no cerne da questão, nessa cultura do “me engana que eu gosto”, tão em voga nos dias de hoje, e não apenas na área em questão.
      Se tivéssemos mais “meia dúzia” de pessoas como ele, muitas coisas poderiam ser diferentes.
      Abraço.
      Zé Maria

  3. Thales Coelho
    9 meses ago

    Parece muito com um tpx de Ctba, forte no medevac, onde fui FO. Acho que esses lugares são todos bastante semelhantes.

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