AeroBusters #9 | Aprecie com moderação

AeroBusters #9 | Aprecie com moderação

By: Author José Roberto Arcaro FilhoPosted on
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Você costuma acompanhar as revisões de seu automóvel de perto?

Eu não! Eles não me permitem… O recepcionista da concessionária me recebe com um cafezinho e pede para que alguém leve o meu carro “lá pra dentro”. Odeio isso!

Obviamente, ele pensa que está recepcionando uma “pessoa normal”. Ele não sabe que está atendendo um piloto, oriundo da aviação geral executiva.

Brincadeiras à parte, o interesse técnico pelo processo de manutenção de uma aeronave é sempre primordial, tanto na formação, quanto na carreira de qualquer bom aviador.

Em solo, quase que diariamente, você tem que lidar com assuntos técnicos os mais variados, sempre visando a otimização da operação, dos custos e da logística da manutenção requerida. Invariavelmente, e com toda propriedade, o “chefe” irá lhe cobrar essa função administrativa.

No início das operações de toda aeronave, seja ela nova ou usada, existe sempre um certo mistério com relação às discrepâncias que podem surgir. Nas primeiras 50 horas, qualquer barulhinho te deixa de orelha em pé. Você tem ciência dos vencimentos de manutenção, você conhece o histórico da aeronave “no papel”, mas… É muito provável que aquele “barulhinho”, não esteja descrito em nenhum papel. Talvez ele seja até normal. Como saber se aquele rolamento de roda foi realmente trocado, ou já está “no osso”? Se você não reportar…

Todos esses dilemas só serão solucionados quando você mantém contato com determinados “Seres Mágicos”, conhecidos também como Mecânicos de Manutenção Aeronáutica – ou MMA’s.

O que eles sabem?

O que fazem?

O que podem lhe falar?

Como podem lhe ajudar?

Essas e outras perguntas só podem ser respondidas em um lugar: no “Chão da Oficina”!

Esse é o lugar certo para se frequentar quando se deseja ter a exata noção do quão segura é a sua aeronave, de quanto tempo será gasto para mantê-la assim, do que será necessário para isso, e de quanto isso irá custar.

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Em tempos em que a “rastreabilidade” dos componentes e dos sistemas aeronáuticos é condição para a aeronavegabilidade, outro personagem muito importante surge nos quadros da oficina: é o Técnico em CTM (Controle Técnico de Manutenção). Essa é a pessoa que vai dizer o que pode, o que não pode, quando pode, e sobretudo, o mais importante: “quando deve”.

Durante a minha carreira acompanhei muitas manutenções, em diversas aeronaves. Algumas bastante complicadas. Aprendi muito! Principalmente a identificar panes de forma mais assertiva quando elas ocorrem durante o voo. Conheço mecânicos que conhecem mais sobre operação de aeronaves e técnicas de pilotagem do que muito piloto. Em todos esses anos, nunca ganhei uma discussão técnica com um mecânico. Acho que isso é bom.

Existem oficinas que não permitem o acesso do tripulante técnico à aeronave durante a manutenção. Dessas eu fujo! Acho que quem não deve, não teme.

Durante uma manutenção, ouvir é mais importante do que falar. Nunca apresse um mecânico! Aja com educação. Deixe as dúvidas pra hora do café. Ouça o CTM, tire suas dúvidas, verifique “onde está escrito” – mas, por favor, não o estrangule.

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Agora, voltando um pouco para o lado da formação aeronáutica, acho que alunos de PP e de PC deveriam ter um “dia de campo” dentro de alguma oficina de manutenção aeronáutica (de preferência, na que faz a manutenção das aeronaves da escola) para melhor entendimento destes rituais.

Você sabe como um Mecânico “cala” os magnetos do Cessna 152 que você voa? Você checa os magnetos, e não verifica queda de RPM… Ótimo, né? Só que não! O que está acontecendo?

Você fez o seu PP no Aeroclube de Abananava da Serra (o qual eu espero que não exista!), e agora vai fazer o PC na Escola FL (nada a ver com “Flight Level”). Então, você percebe que o Cessna 152 da FL, é muito mais “macho” que o do Aeroclube…

Você tinha acesso aos valores de compressão dos cilindros do avião do aeroclube? Você sabe quais são os “mínimos” aceitáveis? Como é o processo de aferição da compressão? Enfim, você percebe que não conhece a aeronave que está voando. Você só confia nela.

Tente frequentar a oficina mais próxima. Faça amizade com os caras! De repente, até rola um emprego administrativo, e você está no “meio”. Daí para o voo, pode ser um pulinho!

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Nota do editor: Este é, em minha opinião, o melhor artigo da série Aerobusters, principalmente para quem está em processo de formação. Digo isto porque eu passei por um incidente no meu curso prático de PC que poderia ter sido evitado caso tivesse seguido as recomendações deste texto. Em breve vou escrever sobre o assunto aqui no blog. Parabéns, Betão!

4 comments

  1. Pacelli Francesco
    7 meses ago

    Parabéns pelo Post, Ansioso para ouvir essas historias, server para aprendermos com os erros e principalmente com os acertos.

  2. Nilton Cícero Alves
    7 meses ago

    Artigo muito bom!!
    Parabéns!!

    • Beto Arcaro
      7 meses ago

      Obrigado !

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