O que podemos esperar do mercado de trabalho para pilotos no curto/médio prazo?

O que podemos esperar do mercado de trabalho para pilotos no curto/médio prazo?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Este segundo trimestre de 2017 está se mostrando um pouco mais positivo para a economia em geral e para a aviação em particular – para esta, a nota da ANAC informando que a demanda doméstica volta a crescer após 19 meses de retração é, sem dúvida, a melhor notícia. Avianca e Azul já vêm contratando tripulantes desde o final do ano passado, e agora a Latam também começa a contratar (em seleção interna, num primeiro momento). Somente a Gol ainda não anunciou novas contratações e, possivelmente, só o fará após resolver as pendências com os demitidos da Webjet – mas isto não deve demorar muito. Significaria isto um novo ciclo de alta para a empregabilidade de pilotos no Brasil?

Gostaria muito de afirmar que sim, mas lamento dizer que ainda não é o momento para abrirmos champanhe. Primeiro, porque as contratações na linha aérea ainda são muito tímidas (os volumes são baixos) e, principalmente, pouco sustentáveis: os processos seletivos são mais para cobrir determinados buracos de escala do que para sustentar um plano de crescimento efetivo. Depois, porque as mudanças na legislação que poderiam efetivamente reaquecer o mercado – a saber: a abertura de capital das empresas aéreas para investidores estrangeiros e o plano de incentivos à aviação regional – continuam patinando. E, em terceiro lugar, porque a recuperação da economia como um todo, embora esteja acontecendo, ainda não está ocorrendo com grande força – não a ponto de motivar uma empresa ou potencial proprietário a adquirir uma aeronave particular.

Ainda há muitos pilotos voando pouco, especialmente na aviação geral e na instrução. Isto significa que antes que se contratem novos profissionais e se adquiram novas aeronaves, os operadores destes segmentos deverão aumentar a taxa de utilização das aeronaves que já existem e as horas voadas dos pilotos que já estão trabalhando. Isto deve atrasar a recuperação do mercado de trabalho, que provavelmente não acontecerá ainda neste ano – ou, numa hipótese otimista, talvez o último trimestre do ano seja positivo. Caso as mudanças na Lei acima citadas aconteçam mais rapidamente, pode ser que se antecipem estes prazos, mas não conto com isto.

De qualquer maneira, acredito que 2018 poderá ser o primeiro de um novo ciclo positivo de empregabilidade na aviação justamente devido à crise prolongada que estamos vivendo. Quando a “gordura” das horas de voo dos pilotos atualmente sub-aproveitados for consumida, a redução na quantidade de novos PCs formados nos últimos anos deverá coincidir com a retomada na linha aérea, que já deverá estar mostrando os resultados da abertura de capital e do incentivo às linhas regionais, que devem acontecer em algum momento de 2017. Estes dois efeitos combinados deverão, em minha opinião, absorver grande parte dos pilotos desempregados rapidamente em 2018, e não se espantem se neste mesmo período do ano que vem já escutemos reclamações por parte dos operadores (será que vai recomeçar a história do “apagão de pilotos”?).

Bem… Resumindo: embora ainda não seja o momento de abrir a champanhe, também não mexa na garrafa. Não desista e mantenha-se evoluindo como piloto, pois uma hora o mercado reage. E pode ser que essa reação surpreenda pela força.

14 comments

  1. Andre Panissa
    3 meses ago

    Boa, sou Andre tenho 17 anos estou nesse ano terminando o ensino médio e quero começar meu PP, porem meus pais querem que eu faça uma faculdade como plano B fora da aviação, engenharia civil, em paralelo ao curso de piloto, mas não sei se a faculdade atrapalharia a minha evolução como piloto, pois é em período integral. Obrigado!

    • Raul Marinho
      3 meses ago

      Seus pais estão corretíssimos! Sua prioridade deve ser a faculdade.

  2. Ronaldo
    4 meses ago

    Bom dia Raul!

    Recente ouvi de um gerente, que está em curso na Anac, um projeto de aumento da quantidade mínima exigida por aeronave.
    Não lembro as quantidades com precisão, mas viria a necessidade de muitas contratações.
    O senhor já ouviu falar sobre isso? Se sim, podeira fazer uma matéria a respeito e do tanto que isso impactaria em contratações no setor.

    Cordialmente,

    Ronaldo

    • Raul Marinho
      4 meses ago

      “projeto de aumento da quantidade mínima exigida por aeronave”???
      O que vc quer dizer com isso?

      • Ronaldo
        4 meses ago

        O termo técnico eu não lembro. Mas o que eu ouvi é uma exigência da Anac para a quantidade mínima de tripulante por aeronave. Estava para ser aprovado um aumento de dois tripulantes a mais por aeronave.

        • Raul Marinho
          4 meses ago

          Desculpe, mas não deu para entender o que seria isto.

    • gustavocarolino
      4 meses ago

      Há um Projeto de Lei que oficializa a profissão de aviador (a), com isso viabiliza concursos públicos, por exemplo, para ocupar vagas de acordo com as necessidades nas aviações governamentais (federal, estaduais, DF, e municipios.).

  3. Jose
    5 meses ago

    Raul,

    Notícias de asas rotativas e off-shore?

    • Raul Marinho
      5 meses ago

      Continua complicado… Mas assim que tiver informações mais completas, posto aqui.

  4. Leandro
    5 meses ago

    Recuperação da economia acontecendo? Com o IBGE apontando os piores índices de desemprego e retração de PIB desde o início das pesquisas?
    Não dá pra se iludir MESMO, recuperação da economia só de 2020 pra frente.

  5. Jatyr
    5 meses ago

    Estou torcendo ansiosamente por esta reação da empregabilidade para Pilotos.

  6. Allan Dewolatka
    5 meses ago

    “Resumindo: embora ainda não seja o momento de abrir a champanhe, também não mexa na garrafa. Não desista e mantenha-se evoluindo como piloto, pois uma hora o mercado reage. E pode ser que essa reação surpreenda pela força.” Ótimas palavras Raul! É o que sempre pensamos e conversamos entre amigos. Também, orientamos os nossos alunos dessa forma.

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