Plano de Carreira da Azul: se é para mudar unilateralmente, para que existir?

Plano de Carreira da Azul: se é para mudar unilateralmente, para que existir?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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O SNA emitiu uma nota convocando os tripulantes da Azul para uma assembléia na semana que vem com objetivo de tratar das alterações unilaterais por parte da companhia no Plano de Carreira oferecido aos empregados. Em paralelo, um grupo expressivo de tripulantes assinou uma carta endereçada à direção da empresa deixando clara a insatisfação com tais mudanças. O clima entre os tripulantes não é bom.

A mais jovem das companhias aéreas brasileiras entrou no mercado com uma proposta inovadora, explorando rotas que as outras desprezavam, baseando-se num aeroporto que as outras não davam importância, utilizando aeronaves diferentes da monotonia Boeing-Airbus, e… Com uma proposta diferenciada de RH: o tripulante abriria mão de parte da remuneração em troca de uma escala mais saudável e de um plano de carreira mais ágil. Ou seja: você vai ganhar menos do que nas companhias tradicionais, mas em compensação vai passar mais tempo em casa e será promovido com muito mais rapidez. E, quando a empresa crescer e tiver aeronaves maiores, você vai poder pilotá-las e ganhar tanto quanto seus colegas das “grandes”. Justo, não? Além do quê, aceita quem quer, ninguém é obrigado a nada.

A parte da remuneração menor vigorou desde o início, é claro. Mas, como a escala era boa e as perspectivas de carreira melhores ainda, valia a pena o sacrifício. Aí a escala apertou, mas tudo bem: o mercado estava hostil e a empresa anunciava novas aeronaves, maiores e com a possibilidade de melhores salários. Então, eis que a empresa resolveu mudar o Plano de Carreira. “Lembra daquela promessa de você ir para o aviãozão? Pois então, não vai dar, você vai ter que ficar no aviãozinho mesmo. Lamento, mas ‘tamo junto’, tá?”. Aí o bicho pegou!

Até o Sindicato reconhece que “a elaboração de plano de cargos e salários seja inerente ao poder diretivo da empresa”, mas sempre fez parte do acordo empregador-empregado que os tripulantes abririam mão de algumas coisas (remuneração) para obter outras (Plano de Carreira). E quando a empresa muda o Plano unilateralmente, rompe-se o equilíbrio do acordo. Os tripulantes estão se sentindo enganados, com toda a razão! Afinal, para que serve um contrato que pode ser modificado por uma das partes sem consulta à outra, a qualquer momento? Melhor nem haver contrato, então.

6 comments

  1. Decepçao Azul
    2 meses ago

    Raul, sou piloto da Azul e gosto muito desse blog. Aguardo ansiosamente a mediaçao SNA-AZUL-MPT agendada para o dia 30. O que os pilotos querem (petiçao com mais de 50% dos pilotos assinando) é MUITO simples: que a empresa cumpra um plano de carreira vertical, sem exceçoes! O piloto deve sair do aviao menor para o maior, sempre! Se um co-piloto negar elevacao de nivel em um aviao menor, ele nao pode tomar vantagem disso! Ao dar este tipo de opcao, a propria Azul causou essa bagunça toda.

    Entendo sua colocacao sobre o potencial lado positivo da mudanca do plano de carreira. Mas sera mesmo? Sera que esse pessoal da passaredo vai passar no simulador que comandantes da Azul sao reprovados? Acho que ano que vem esse pessoal TODO vi estar de PEPA. Nao deixa de ser ironico que esses instrutores do ATR que reprovaram um monte de gente desnecessariamente agora nao consegue ir p o EJET por falta de piloto no ATR. Pra quem e do EJET, esses comandantes temporarios que vem de fora, esses caras nao vao aceitar base SSA nem CNF. COM CERTEZA vao pra VCP e GRU na frente de comandantes do Ejet com 2 anos de comando e 7 de azul. Pretericao de base total!!! Inaceitavel!!!!

    Vou fazer uma conta de padeiro e mostrar o quanto essa economia da Azul é porca (vou simplificar a conta e excluir os impostos incidentes, mas da pra entender a ideia)
    (1) 5.640 mil passageiros pagantes no 1Q17 ; fonte: earnings release da azul
    (2) anualizando (1): 4 X 5.640 = 22.560. Entao 22 milhoes pax / ano
    (3) se a azul cobrar $0,50 (isso mesmo, cinquenta centavos a mais), por passagem, teria $11 milhoes a mais para treinar seus pilotos, mantendo o mesmo resultado operacional.
    (4) nao sei quanto custa um type rating para a Azul, mas todos os cursos, exceto o do 330, sao in company. Entao, pra facilitar a conta, vamos supor que seja $55 mil. 11.000.000 ÷ 55.000 = 200. Desconsiderando os impostos, aumentando o preco de cada passagem vendida em 50 centavos, a azul consegue pagar 200 type ratings por ano para seus pilotos.

    Sera que vale a pena? Considerando um load factor de 81% (earnings release 1Q17), temos:
    ATR: 70 pax X 0,81 (load factor) X $ 0,5 = R$ 28,35 de diferenca por decolagem. Será que um piloto de ATR desmotivado (motivado) nao consegue encarecer (baratear) cada uma das 500 decolagens por ano que ele faz, em R$ 28,35, para compensar a escrotice (ou investimento) de se bypassar (cumprir o plano de carreira)?
    EJET: 118 X 0,81 X $0,5 = R$ 47,79. A ideia e a mesma. Um comandante de EJET, prevendo o risco de ser preterido p o 320 para um co-piloto de 320/330 com ANOS a menos de empresa que ele, sera que nao consegue encarecer ou baratear cada voo em 48 Reais? Acho que sim, so a Azul que nao.
    320: 174 X 0,81 X 0,5 = 70.47. Bom, ja deu pra entender ne?

    Sei que a conta e grosseira, mas acho que como estimativa ta razoavel. Se a empresa cobrar +- cinquenta centavos a mais por passagem, ela cobre os custos de +- 200 types por ano. E sera que os pilotos nao tem capacidade de compensar esse custo? Acho que sim. Esses 48 reais de um EJET correspondem a um single engine taxi out, um minuto de proa direta, a um idle descent… Acho que um piloto motivado e compromissado com a empresa economiza isso facil facil. Só a Azul que nao ve isso!

  2. Dumont
    2 meses ago

    Eis o plano:

    a) Aumento da contratação de copilotos;

    b)Contratação de comandantes de ATR com carteira válida;

    c)Contratação temporária de comandantes de E-Jets com carteira válida;

    d)Prorrogação dos contratos temporários dos comandantes de A320neo;

    e)Acordo Voluntário para a Retenção Temporária de Comandantes de ATR (veja abaixo os detalhes).

    Acordo Voluntário para a Retenção Temporária de Comandantes de ATR

    Se você é um comandante de ATR e está disposto a permanecer mais tempo em seu equipamento recebendo uma contrapartida financeira, fazemos aqui um convite para um acordo voluntário, que prevê as seguintes condições:

    Bonificações proposta pela Azul

    1. Gratificação equivalente ao comando do E-Jet a partir do momento da chamada para assumir um equipamento superior;

    2. Bônus adicional de R$ 2.000 por mês a partir do momento da chamada para assumir um equipamento superior;

    3. Garantia de permanência da base ofertada no momento em que assumir de fato um equipamento superior;

    4. Acúmulo de gratificações no caso de exercer cargo de examinador de ATR. Neste caso, o piloto terá direito a todos os itens acima além da já existente bonificação como examinador.

    Contrapartida do Tripulante

    1. Abdicação por dois anos do direto de exercer a função de comandante em equipamento acima conforme previsto no Plano de Carreira.

    2. Ceder, temporariamente, seu lugar na lista de senioridade para que outro piloto possa assumir o comando no seu lugar, de acordo com a lista de senioridade, conforme a disponibilização de vagas.

    3. Será obrigatória a troca de equipamento após o término do período do acordo (2 anos).

    Observação:

    Temporariamente, os copilotos de Embraer que forem contemplados ao comando deste mesmo equipamento não serão candidatos a instrutores e examinadores.

  3. João Gabriel Macari Neto
    2 meses ago

    Na verdade a empresa não cumpre com o seu plano de carreira há mais de dois anos, e hoje alega não ser possível crescer no ritmo que teria condições caso realizasse as promoções internas conforme a regra que a própria empresa elaborou e difundiu dioturnamente através de emails e também nas palestras dadas nos encontros de pilotos. Sendo assim muitos tomaram decisões estratégicas de carreira e hoje serão preteridos por contratações externas. Não obstante isso, mais de 200 pilotos já foram preteridos na promoção por pilotos com senioridade menor. Se a empresa não possui a estrutura para fornecer o devido treinamento para a quantidade de pilotos que necessita para crescer, a mesma deve melhorar a sua gestão de planejamento prevendo estes gargalos com maior antecedência e possuir uma margem maior de estrutura disponível para usar em momentos de crescimento não esperado. Enfim, erros estratégicos não devem servir de desculpa para a destruição das normas internas da empresa e preterição da progressão de carreira de seus funcionários, muitos destes que como citado pelo Raul, aceitaram um menor salário quando na contratação da Azul, em troca de melhores condições de trabalho e progressão de carreira.

  4. André Dias
    2 meses ago

    Qual exatamente foi a mudança implantada?

    • Raul Marinho
      2 meses ago

      Mudanças em relação às políticas de promoção e de migração entre aeronaves ATR->EMB190->A320/330

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