Sobre o fim das inspeções de saúde para CMA nos hospitais da FAB

Sobre o fim das inspeções de saúde para CMA nos hospitais da FAB

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A ‘pilotosfera’ foi varrida ontem à noite com a informação veiculada pelo Portal SNA de que os hospitais da FAB estão deixando de realizar as inspeções de saúde para fins de concessão e renovação de CMA. Como se diz na minha terra quando alguém fala mal da gente, “a orelha da ANAC deve estar vermelha” a uma hora dessas – leiam os comentários do post anterior para ver como a comunidade aeronáutica está descontente com a mudança, em sua maioria. Mas será que foi a ANAC mesmo quem resolveu “desmilitarizar” o exame, ou será que foi a FAB quem pediu para ser incluída fora desse encargo de inspecionar os tripulantes civis?

Não participei de nenhuma reunião das autoridades para tratar deste assunto e nem tenho qualquer informação de bastidores, mas conheço um pouco sobre contabilidade pública. E ela funciona em regime de “caixa único” para as receitas, ou seja: quando você paga uma GRU para recolher a taxa de inspeção de um exame médico no HASP ou no CEMAL, o dinheiro vai para o mesmo lugar dos impostos federais, das multas emitidas pelo fisco, etc., ou seja: para o caixa da União. Mas quando o hospital tem que pagar o salário do médico, a sua conta de luz, os insumos utilizados nos exames, etc, é o orçamento daquela unidade militar (e em alguns casos, da FAB) que fica com a despesa – que, no fim das contas, é provida com os recursos da União, mas não há vínculo direto com as GRUs que esta recebeu dos tripulantes. Não é como muita gente pensa: o hospital da FAB não é uma “lojinha” que fica com o dinheiro que o cliente paga pelo chiclete, e depois vai pagando o salário do balconista, o aluguel e o fornecedor de doces com o seu caixa.

Portanto, o maior interesse em deixar de atender aos civis nos hospitais da FAB é dos gestores destas unidades militares e da própria FAB, não dos burocratas da ANAC. Que, enquanto gestores, estão certos, a propósito! Não quero pendurar essa fatura no prego da Aeronáutica – mesmo porque, como disse, não tenho nenhuma informação de bastidores -, mas conhecendo como as coisas funcionam na administração pública, acho que não foi um burocrata maldito da ANAC que, esfregando as mãos na calada da noite, resolveu cortar o atendimento aos civis pelas unidades militares.

Entretanto, também é preciso analisar como a mudança foi realizada, e neste ponto eu acho que faltou cuidado por parte das autoridades. Vejam as ilustrações abaixo, que mostram como as clínicas e os médicos credenciados pela ANAC para realizar as inspeções de saúde estão distribuídos pelo país:

medanac

tabclin

Do que segue acima, conclui-se que, se você realiza seus exames para 2a/4a/5a Classe nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, e no Distrito Federal, ou para 1a Classe em São Paulo, você será muito pouco afetado pelo encerramento do atendimento dos hospitais da FAB aos civis. Como há muitas opções de entidades credenciadas nestes estados, a concorrência e o livre mercado deverão evitar que o valor cobrado exploda e a qualidade dos serviços despenque. Para quem não tem plano de saúde, haverá um impacto um pouco maior para realizar os exames em laboratórios particulares, mas o valor cobrado pelas clínicas e médicos conveniados nestes estados tem ficado, quando muito, pouca coisa acima da tabela dos hospitais da FAB, que têm tido importância cada vez menor na quantidade total de inspeções realizadas nestes estados.

Porém, se você precisar se obter ou renovar seu CMA respectivo nos demais estados, das duas uma: ou você terá que se deslocar, ou terá muito poucas opções de atendimento nas entidades credenciadas. No caso das clínicas, únicas entidades credenciadas para as inspeções de 1a classe, a situação é dramática: 15 estados do país não possuem nenhuma opção de atendimento; e em TODOS os outros, à exceção de São Paulo, as alternativas são muito escassas (em sete deles, há monopólio). Portanto, neste ponto entendo que faltou planejamento por parte das autoridades, que poderiam ter se esforçado para incentivar o credenciamento de entidades em determinadas regiões e/ou manter o atendimento por parte dos hospitais provisoriamente em alguns casos, de modo a não prejudicar a comunidade aeronáutica.

19 comments

  1. Adolfo Gonçalves Gomes
    4 meses ago

    Obrigado! Pelo apoio prezado Cmte Raul Marinho, ao abaixo assinado para retorno imediato das avaliações realizadas pelas juntas de saúde da FAB.
    Quero informar a todos mais uma opinião pessoal e concreta de todos os procedimentos opcionais que depois se tornam obrigatórios, ocorre um tabelamento mínimo e não máximo ou seja hoje o preço ainda é acessível em parte da região sudoeste, más em breve certamente terá uma tabela mínima, melhor dizendo os preços iram subir.
    Cmtes de todo o Brasil vamos nós unir para não perder os hospitais da FAB.
    Senhor Raul Marinho, peço ao senhor encarecidamente o apoio junto a AOPA Brasil (Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves). https://peticaopopular.com.br/view.aspx?pi=BR82497
    Para essa empreitada. Abraço!

    • Raul Marinho
      4 meses ago

      Encaminharei o pleito para a AOPA.

      • Adolfo Gonçalves Gomes
        4 meses ago

        Quero agradecer em nome de toda a comunidade aeronáutica do sul do País o apoio dado pelo senhor Raul Marinho. Obrigado!

  2. Eduardo
    4 meses ago

    A grande realidade é que o exames são pagos via GRU e esse recurso não vai direto para os cofres da FAB e sim para uma conta do Governo e esse fica incumbido em realizar o repasse a FAB, o que nem sempre ocorre em sua totalidade e quando ocorre constantemente sofre atrasos, nesse diapasão , acaba que as unidades hospitais da FAB acabam tendo que lançar mão de seus recursos relativos a vida vegetativa da Unidade para arcar com o pagamento dos custos dos exames realizados diariamente.

    Desde o último governo os valores recolhidos via GRU destinados a inúmeras áreas vem sofrendo um severo contingenciamento, o que até hoje persiste e em certas áreas a ausência/contingenciamento do repasse inclusive se agravou, logo quando pagamos os exames de revalidação acreditamos que o recurso está indo para o Hospital da FAB o que na realidade não ocorre.

  3. Ronaldo
    4 meses ago

    Prezados ,

    HFAB Brasilia já parou então ?
    Agradeço a resposta.

    • Raul Marinho
      4 meses ago

      Estamos averiguando.

  4. Victor Souza
    4 meses ago

    Acabei de receber email do HASP com a seguinte mensagem :

    Prezado,

    Não recebemos nenhum comunicado oficial sobre o assunto, caso o aeronauta esteja agendado e com a GRU paga realizaremos a inspeção.

  5. Henrique Oliveira
    4 meses ago

    Eu sinceramente acho uma total desorganização por parte das entidades, seja a Anac,às escolas de aviação e/ou a FAB,pois estão esquecendo que cada aluno desembolsa no mínimo 13 mil para se tornar um piloto privado, por fim, é uma falta de respeito com o consumidor

  6. LeBAI
    4 meses ago

    No HACO 350,00, na Clínica Maia 970,00 , está cada vez mais difícil de manter as carteiras em dia.

  7. Paulo Lemes
    4 meses ago

    Raul, ao contrário da afirmação “…o valor cobrado pelas clínicas e médicos conveniados nestes estados tem ficado, quando muito, pouca coisa acima da tabela dos hospitais da FAB…”, considerando o HFAB, em Brasília, onde fui pessoalmente no início deste renovar o CMA de 1ª classe e paguei 360,00 reais, em Goiânia, onde moro, a única clínica credenciada no Estado de Goiás cobra 1.500,00 reais pelo mesmo procedimento. Acredito que esta medida que desonera os Hospitais da FAB, impactará profundamente no custo profissional anual arcado pela maioria absolutas dos profissionais da aviação.

    • Raul Marinho
      4 meses ago

      Então, Paulo, é este o ponto: em S.Paulo, onde existem 6 clínicas credenciadas, o exame custa por volta de R$500. Onde há monopólio (caso de GYN), ou pouca concorr~encia, os preços tendem a aumentar, é o que tentei passar no texto.

  8. Fábio Campos
    4 meses ago

    Brasil sendo Brasil

  9. Schmidt
    4 meses ago

    Em Curitiba temos apenas uma clínica credenciada. No ano passado estavam cobrando R$1500,00 pela revalidação do CMA de primeira classe.

  10. Pedroso
    4 meses ago

    Boa tarde Raul entrei em contato com o HACO Canoas-RS, o mesmo informou que não procede irão continuar atendendo CMA normalmente.

    • Raul Marinho
      4 meses ago

      Há informações conflitantes, estou apurando.
      Obrigado pelo alerta.

      • ogjunior
        4 meses ago

        A menos que esteja enganado, não consta mais os hospitais da FAB no site da ANAC. Já retiraram o links.

  11. Joao
    4 meses ago

    Pra quem mora em SC existe apenas uma clínica em Florianopolis, que este ano estava cobrando 1800 reais pelo inicial de 1a classe. Enquanto no cindacta em Curitiba o valor, se nao me engano, era 590 e a revalidação 350. Sem dúvidas esta mudança vai pesar muito no bolso de muita gente.

  12. Enderson Rafael
    4 meses ago

    O mercado se ajeita: toda mudança é traumática, e cabe à ANAC facilitá-la, mas creio que em breve teremos uma profusão de clínicas credenciadas disputando candidatos, e não vai ser com pipoca. Mas os estados com menos demanda devem ficar numa situação mais complicada por um tempo. Mas uma vez, fizemos a coisa certo pelos motivos errados. Estranho, jabuticabal, era civis tendo que ir anualmente num hospital da FAB, né?

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