Rebaixamento de currículo: o que não ajuda às vezes atrapalha

Rebaixamento de currículo: o que não ajuda às vezes atrapalha

By: Author Raul MarinhoPosted on
170Views0

A BBC Brasil publicou recentemente uma matéria sobre empregabilidade que é interessante comentar no contexto aeronáutico – Rebaixar o currículo: a ‘tática’ para conseguir emprego que floresce na crise. Na linha de “o que não ajuda às vezes atrapalha”, o fato é que não é raro candidatos serem preteridos em contratações por excesso de qualificação, como um piloto que conheci algum tempo atrás que não conseguia arrumar emprego de jeito nenhum na aviação geral. Até que, aconselhado por um amigo, resolveu tirar alguns ‘penduricalhos’ de seu currículo, como a licença convalidada pela EASA (ele também tinha cidadania italiana) e uma habilitação de TIPO de aeronave sofisticada – atributos estes que não influenciariam diretamente para conseguir o tipo de emprego disponível naquele momento. Resultado: conseguiu se recolocar no mercado como comandante de King Air numa empresa agropecuária poucas semanas após seu “rebaixamento curricular”. E não é difícil entender por que esta estratégia pode funcionar, basta um breve exercício de empatia: colocar-se no lugar do outro – do contratante, no caso.

Quem contrata um piloto leva em conta o risco de “perder” o profissional – o que, de acordo com a Lei de Murphy, sempre irá ocorrer no pior momento possível. Portanto, quanto menores as chances de o piloto pedir demissão, melhor para o patrão, e é claro que uma ótima qualificação aumentaria essas chances, uma vez que ele poderia obter melhores ofertas no mercado. No caso deste sujeito que conheci, apesar da carteira de jato e da licença EASA, não se tratava de um piloto com muita experiência (umas 900h de voo, se me lembro bem). Isto fazia com que os possíveis contratantes pensassem que, quando ele atingisse um determinado patamar de experiência mais elevado, possivelmente teria condições de conseguir um emprego na Europa para voar jatos de alto desempenho, ganhando mais. Na verdade, foi exatamente isso o que aconteceu, de fato: ele voou aquele King por uns dois anos mais ou menos, e logo que sua CIV ficou mais parruda ele foi para a Suíça voar um Gulfstream ganhando o triplo, mais plano de saúde ‘full‘, previdência privada, etc. Pois é, né…

Leiam o artigo da BBC, que não é específico para pilotos, mas mostra diversos contextos em que o rebaixamente de currículo foi uma boa estratégia.

Deixe uma resposta