Fim do cheque de endosso de modelo específico de aeronave CLASSE após 01/07/2017

Fim do cheque de endosso de modelo específico de aeronave CLASSE após 01/07/2017

By: Author Raul MarinhoPosted on
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A partir de 1° de julho próximo, deixa de ser necessária a verificação de proficiência (cheque prático) dos endossos complementares às habilitações de CLASSE referentes aos modelos de aeronaves do Apêndice B – IS-61-006C – aquelas que requeriam previamente uma habilitação de TIPO: todos os modelos de helicóptero e os modelos de avião turboélice bimotor (ex. King Air Séries 90 e 200) que tenham PMD<5.670Kg e sejam ‘single pilot’. Isto significa que o piloto com a habilitação de CLASSE correspondente válida e o endosso averbado em seus registros estará corretamente habilitado a pilotar os aviões e helicópteros da “zona cinzenta” da imagem acima.

Na prática, isto significa que um piloto de avião com habilitação de CLASSE MLTE obtida em um Seneca não precisará mais de passar por verificação de proficiência para pilotar um King Air C-90; ou que um piloto de helicóptero com habilitação de CLASSE HMNT obtida em um Robinson-66 poderá pilotar um Esquilo sem um novo cheque: em ambos os casos bastará um endosso concedido por um Piloto Comercial (de Avião ou de Helicóptero, conforme o caso).

Treinamento

Regra geral

A instrução é “a critério”, o que significa, de acordo com a IS, que:

(…) o piloto endossante deverá ministrar a instrução de solo e de voo que se mostre suficiente para que o piloto endossado seja capaz de demonstrar total conhecimento e proficiência nos seguintes aspectos:

a) Estrutura, sistemas e limitações da aeronave;

b) Procedimentos anteriores ao voo, incluindo peso e balanceamento e verificação das condições gerais de aeronavegabilidade;

c) Procedimentos normais em solo e em voo;

d) Procedimentos anormais e de emergência em solo e em voo; e

e) Procedimentos em caso de falhas de equipamentos e de motor.

Adicionalmente, nos casos em que exista uma AVOP-Avaliação Operacional publicada para o modelo de aeronave (vide lista), recomenda-se que esta deva ser usada como referência para o treinamento ministrado. Hoje, há somente três modelos de avião que requerem endosso com AVOP publicada (Piaggio P-180, PZL M-28 e Viking Twin Otter DHC-6 Série 400); mas a lista de helicópteros é bastante extensa, e inclui os Agusta A109K2, AW109SP, AW169 e AW189, os Airbus Helicopters AS-350, EC-130 e EC-135, o Bell-429 e o Robinson-66. Todavia, é importante reforçar que as AVOP publicadas pela ANAC não são mandatórias no âmbito da aviação particular/91.

O piloto endossante sempre deve ter, no mínimo, a licença de Piloto Comercial e ser habilitado previamente no modelo, e para endossantes PLA não há qualquer diferença. Portanto, o treinamento deverá ser efetuado com o endossante como PIC e o endossado como SIC, e cada um deve lançar integralmente as horas voadas como tal*. Somente no caso de o endossante também possuir a habilitação de INVA/H válida (o que não é obrigatório) e o voo de treinamento ocorrer sem passageiros ou carga, poderia ser um voo em duplo-comando de instrução – porém, também neste caso não haveria qualquer ganho em relação ao treinamento realizado da maneira explicada acima (endossante PIC e endossado SIC).

*Veja aqui mais informações sobre o registro das horas de voo como SIC (“copiloto”) de aeronaves ‘single pilot’.

Exceções

  • Avião – Mitsubishi MU-2: obrigatório seguir o treinamento previsto no SFAR 108 – endossante pode ser PC.
  • Helicópteros – Robinson R-22/R-44: obrigatório seguir o treinamento teórico previsto no SFAR 73¹ e 10h de treinamento prático² – endossante tem que ser INVH com pelo menos 200h de voo em helicópteros, mais:
    • Para o R-22: 50h no modelo; e/ou
    • Para o R-44: 50h em helicópteros Robinson com um mínimo de 25h no modelo.

1: que inclua os seguintes assuntos: (1) Gerenciamento da energia cinética da aeronave; (2) Mast bumping; (3) Baixa rotação do rotor (estol de pá); (4) Perigos da condição de low G; e (5) Queda da RPM do rotor.

2:  que incluam os seguintes procedimentos: (A) Treinamento avançado de autorrotação; (B) Controle de RPM do rotor sem o uso do governador; (F) Identificação e recuperação de baixa RPM do rotor; e (G) Efeitos das manobras de low G e procedimentos de recuperação

Quantas horas deve ter o treinamento?

Salvo as exceções acima (MU-2 e R-22/44) e as aeronaves que possuem AVOP publicada, não existe uma quantidade exata de horas de treinamento de solo e de voo recomendadas para a concessão de um endosso. A duração do treinamento é a critério do desempenho do “aluno” (piloto que está sendo endossado) e do julgamento do piloto que irá assinar o endosso – o que não impede a ANAC de se embasar em uma “média razoável” e buscar averiguar os casos em que o piloto declare algo muito abaixo disso.

Todavia, um bom parâmetro para a extensão do treinamento prático para obtenção de endossos são os atuais requerimentos do RBAC-61 para a concessão de habilitação de TIPO nos casos em que não há CTAC certificado: 12h de voo para aviões turboélice ou a pistão e 8h de voo para helicópteros com PMD<9.071Kg. Não se trata de uma regra, é importante ressaltar, e dependendo da complexidade da aeronave, da experiência prévia do piloto endossado, da habilidade pedagógica do endossante, etc., a extensão da instrução pode ser muito maior. A título de exemplo: na AVOP do Twin Otter são requeridas 18h de voo, 30h de ‘ground‘, 4 sessões de 8h de treinamento em simulador e 16h de CBT.

Anotações na CIV

Como não será mais requerida a verificação de proficiência do endosso com um INSPAC ou um checador certificado, o “documento” que regulariza o endosso passa a ser somente a anotação na CIV, então é importante atentar para esta formalidade para não ficar sujeito a autuação em uma fiscalização.

CIV em papel

Escreva a caneta diretamente na CIV ou imprima uma etiqueta e cole o texto abaixo:

Declaro que ministrei instrução de solo e de voo ao piloto (Nome do piloto endossado, CANAC do piloto endossado) em um (modelo da aeronave, conforme designativos do Apêndice B da IS 61-006C) e o considero proficiente para atuar como piloto em comando em aeronaves desse modelo.

[Nome, CANAC, assinatura do instrutor e nome da escola/aeroclube caso aplicável]

Exemplo:

Declaro que ministrei instrução de solo e de voo ao piloto João das Couves, CANAC 123456 em um Beechcraft 90 Series e o considero proficiente para atuar como piloto em comando em aeronaves desse modelo.

[Assinatura]

José dos Alfaces, CANAC 654321

CIV Digital

Ao acessar o sub-sistema de CIV digital no sistema SINTAC, utilize o modelo de texto a seguir no campo de observações do último voo de instrução para o respectivo endosso:

Endossado no modelo (modelo da aeronave, conforme designativos do Apêndice B da IS 61-006C) por (Nome do instrutor, CANAC do instrutor e nome da escola/aeroclube caso aplicável).

Exemplo:

Endossado no modelo Beechcraft 90 por José dos Alfaces, CANAC 654321

 

15 comments

  1. Robson
    5 meses ago

    Bom dia Raul, excelente post, para mim ficou uma dúvida do R22 para o R44 é necessário o treinamento e o cheque?

    Obrigado

    • Raul Marinho
      5 meses ago

      Sim – na verdade, treinamento e endosso.

  2. Suelen Leal
    5 meses ago

    Parabéns! Explicação perfeita!

  3. Rubens
    5 meses ago

    Não cheguei a uma conclusão se isso é bom ou ruim…..

    • Raul Marinho
      5 meses ago

      Bom ou ruim em relação ao quê, ou para quem? Há, de fato, muito a se considerar, e para ter certeza, só daqui a alguns anos…
      Mas vejamos o que aconteceu quando os Pilatus+TBM deixaram de ser TIPO em 2014, e passaram a ser CLASSE MNTE. Na prática, o que ocorreu? O “piloto de Paulistinha” não foi voar TBM, como se dizia.

  4. Daniel
    5 meses ago

    Ótima explicação.
    E quanto aos re-checks das classes?

    Obrigado.

    Abs.

    • Raul Marinho
      5 meses ago

      Permanecem inalterados.

      61.197 Revalidação de habilitação de classe
      (a) Para revalidar a habilitação de classe, seu titular deve ser aprovado em exame de proficiência em aeronave da classe pertinente.
      (b) Caso haja mais de uma habilitação de classe averbada na mesma licença:
      (1) a revalidação da habilitação de classe avião multimotor terrestre revalida a habilitação de classe avião monomotor terrestre;
      (2) a revalidação da habilitação de classe avião multimotor anfíbio revalida a habilitação de classe avião monomotor anfíbio; e
      (3) a revalidação da habilitação de classe helicóptero multimotor revalida as habilitações de classe helicóptero monomotor a turbina e helicóptero monomotor convencional.

  5. Ayala
    5 meses ago

    Bom dia Raul, como vai? Me tire uma dúvida, pode ter sido respondida anteriormente mas ainda não ficou claro. Suponhamos que o piloto habilitado HMNC, vai tirar a classe HMNT, neste caso ele tem que fazer 8 horas de voo na classe pertinente, sendo que 2 horas específicas tem que ser no equipamento a se realizar o exame de proficiência. Contudo, pra mim fica aberto que essa instrução possa ser realizada com um PC-H em uma aeronave particular e não necessariamente com um INVH e em uma aeronave de instrução. Correto?

    • Raul Marinho
      5 meses ago

      A instrução precisa ser feita com um INVH, mas não precisa ser em aeronave de instrução.
      Lembrando que o cheque, se realizado em aeronave particular, precisa ser com INSPAC (para ser com checador credenciado, precisa ser na aeronave da escola em que ele esteja vinculado).

  6. Angelo Carvalho
    6 meses ago

    Parabéns como sempre o Blog é referência e uma leitura obrigatória a todos os aeronautas.

  7. Roberta Carneiro
    6 meses ago

    Bem explicado, mas me tire uma dúvida, quando o piloto habilitado na classe HMNC vai tirar a classe HMNT e ou HMLT é necessário 8 horas de endosso inicial, e quem endossar tem que ser um INVH conforme 61.195 (2)? RBAC EMD 06

    61.195 Concessão de habilitação de classe

    (a) A primeira habilitação de classe é concedida ao solicitante que atender aos requisitos previstos
    para a concessão da licença de piloto privado.
    (b) O solicitante que desejar incluir outra habilitação de classe em sua licença deverá:
    (1) demonstrar os conhecimentos necessários para a operação segura da aeronave pertinente na
    função de piloto em comando;
    (2) demonstrar ter recebido de um instrutor devidamente habilitado e qualificado a instrução de
    voo apropriada para a habilitação; e
    (e) Instrução para a concessão das habilitações de classe helicóptero monomotor convencional,
    helicóptero monomotor a turbina e helicóptero multimotor: o solicitante deve ter recebido, no
    mínimo, 8 (oito) horas de instrução de voo em helicópteros da classe pertinente que incluam, pelo
    menos, 2 (duas) horas de voo em helicóptero do mesmo fabricante e modelo do usado no exame de
    proficiência. A instrução deve incluir, no mínimo, os seguintes aspectos:

    (f) O instrutor é responsável por declarar que o piloto é competente para realizar, de forma segura,
    todas as manobras necessárias para ser aprovado no exame de proficiência para a concessão da
    habilitação de classe requerida. Tal declaração terá validade de 30 (trinta) dias, a partir da data do
    último voo de preparação para o exame de proficiência.

    Obrigada

    • Raul Marinho
      6 meses ago

      Sim. Neste caso, deve-se seguir a seção 8.15 da IS 61-006C:

      Endosso de liberação para o cheque de habilitação de classe – 61.195(f)
      Válido por 30 dias.
      Quem pode endossar:
      1 – Detentor da habilitação válida de Instrutor de Voo (INVA, INVH, INVD); ou
      2 – Piloto designado para ministrar instrução de voo em um operador que possua programa de treinamento aprovado pela ANAC, quando ministrando instrução no âmbito da
      entidade a que está vinculado. (ex: operadores 142, 135 e 91 subparte K).
      Instrução prévia mínima ao endosso:
      A instrução prevista na seção 61.195 do RBAC 61 para a classe pertinente.
      Texto do endosso na CIV:
      “Declaro que (Nome do piloto endossado, CANAC do piloto endossado) cumpre todos os requisitos para a concessão da habilitação de classe (nome da habilitação) e está preparado para o exame de proficiência. (Nome, CANAC, assinatura do instrutor e nome da escola/aeroclube caso aplicável)”
      Texto do endosso na CIV Digital:
      “Liberado para cheque (MNTE, MLTE, MNAF, MLAF, HMNC, HMNT, HMLT, etc.) por (Nome do instrutor, CANAC do instrutor e nome da escola/aeroclube caso aplicável).”

  8. Fabio Elsas
    6 meses ago

    Muito bem explicado!

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