O que aconteceu com as ocorrências relacionadas aos aviões turbo-hélices monomotores de alto desempenho (Pilatus e TBM) depois do “rebaixamento” das habilitações requeridas?

O que aconteceu com as ocorrências relacionadas aos aviões turbo-hélices monomotores de alto desempenho (Pilatus e TBM) depois do “rebaixamento” das habilitações requeridas?

By: Author Raul MarinhoPosted on
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Em outubro de 2014 este blog comemorava como “um pequeno passo para a ANAC, um salto gigantesco para os pilotos” a alteração nos requisitos de habilitação de pilotos para os aviões dos modelos Pilatus PC-12 e TBM-700/850/900: a partir da publicação da IS 61-004C, passou a não ser mais necessário obter uma habilitação de TIPO para pilotar tais monomotores turbo-hélices ultra-avançados, bastando a habilitação de CLASSE MNTE “pura” (sem qualquer tipo de endosso ou similar). A ‘pilotosfera’ ferveu com o mimimi de que haveria uma epidemia de acidentes causados por “manicacas com 50h que só haviam voado Paulistinha” no comando destas máquinas de mais de US$3milhões e que voam acima dos 250kt e do FL300. Passados quase três anos, o que realmente aconteceu?

Pesquisando as ocorrências relacionadas a estas aeronaves no portal “Painel SIPAER” do CENIPA no período de outubro de 2014 até hoje (junho de 2017), tempos o seguinte. No caso do Pilatus, encontramos 4 incidentes: dois causados por estouros de pneu e dois por fenômenos meteorológicos em voo (as aeronaves foram atingidas por raios) – em nenhum dos casos há qualquer evidência de imperícia dos pilotos. E no caso do TBM houve um acidente com um modelo da série 700N em fevereiro de 2016, logo após a decolagem do Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, com duas vítimas fatais. Ainda não há relatório final desta ocorrência, e por isto ainda não é público nem uma eventual imperícia por parte do piloto, e nem se ele estava habilitado pelas regras antigas (obteve a habilitação de TIPO respectiva) ou se já pilotava com as novas (tinha somente a habilitação de CLASSE MNTE). De qualquer modo, mesmo nesta segunda hipótese este seria o único acidente em três anos com os monomotores turbo-hélices sofisticados cujas habilitações requeridas foram “rebaixadas” de TIPO para CLASSE MNTE.

Portanto, das duas uma: ou os “pilotos de Paulistinha” estão mandando bem à beça, ou os Pilatus e TBM estão sendo operados por pilotos muito mais bem qualificados do que a ‘pilotosfera’ imaginava inicialmente. Acho esta a opção mais plausível, embora não tenha como comprová-la.

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Quanto aos endossos complementares às habilitações de CLASSE das aeronaves “ex-TIPO” (as que integram a lista do Apêndice B da IS 61-006C), vamos ver o que acontece. Mas acho que, da mesma maneira como aconteceu com os Pilatus e TBM, dificilmente os operadores de aeronaves sofisticadas e dispendiosas deverão utilizar tripulantes pouco qualificados, mesmo que a regulamentação permita.

4 comments

  1. André
    10 meses ago

    A impressão que eu tenho é que quanto mais nos aproximamos da FAA, mais eficiente fica nossa aviação. É claro que são duas realidades muito distintas, a estrutura aeronáutica dos EUA é um negócio absurdo, mas enquanto pudermos copiá-los na medida das nossas limitações, melhor sereremos.

  2. Alexandre Vidigal
    10 meses ago

    Um dos raios foi comigo detalhe que se você olha pesquisar os eventos de raio vem aumentando significativamente nos últimos anos. Realmente na época eu era 1 que falava pro pessoal parar com miMimi, inclusive discutindo com outros pilotos de PC12. Excelente matéria.

  3. Rene William
    10 meses ago

    Boa Raul! Excelente matéria!

  4. Vinicius Fer
    10 meses ago

    Parabéns Raul pelo seu Blog e por toda a sua atuação pra incentivar a Aviação Geral.

    Simplificação de regra nada tem a ver com menos segurança!!! Antigamente era só papel e nada mais!!!

    As pessoas são ADULTAS, sabem bem medir suas escolhas.. O FAA faz legislação com base nisso e nem por isso o EUA é menos seguro do que o Brasil, ao contrário!!!!

    Parabéns a AOPA e todos que batalham todos os dias contra a tirania da ANAC.

    Abs,

    Vinicius

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